LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Contencioso eleitoral na Guiné Bissau:“Nenhuma força vai impor Presidente”, defende Domingos Simões Pereira 21 Fevereiro 2020

O contencioso eleitoral na Guiné Bissau conhece novo capítulo com o candidato declarado derrotado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), Domingos Simões Pereira, a defender, na quarta-feira, que não existe nenhuma força que irá impor um Presidente da República ao país. A julgar pelos comentários de analistas e cidadãos anónimos através das redes sociais, a comunidade internacional precisa urgente de levar em consideração que só pode haver duas saídas possíveis: obrigar a CNE a cumprir a decisão do Supremo Tribunal de Justiça de proceder a um novo apuramento eleitoral nacional ou então anular, pura e simplesmente, as eleições.

Contencioso eleitoral na Guiné Bissau:“Nenhuma força vai impor Presidente”, defende Domingos Simões Pereira

É que, segundo observadores em Bissau, diante das denuncias de alegadas irregularidades com supostas manipulações de votos através de bases de dados eleitorais por hackers e recusa da CNE em fazer um novo apuramento nacional decretada pela Supremo Tribunal da Justiça, a comunidade internacional, principalmente a CEDEAO, precisa de mais prudência para não se legalizar a fraude, mas trabalhar para ter a certeza que não se está a inverter a vontade popular expressa através das urnas.

Conforme vários órgãos da imprensa, numa mensagem em vídeo publicada nas redes sociais, Domingos Simões Pereira pediu calma aos seus apoiantes e ao povo guineense em geral, dizendo-lhes para se manterem serenos.

“Que se mantenham serenos, que continuemos calmos, porque ninguém há-de vir de qualquer parte do mundo para nos impor um Presidente da República que não foi o escolhido pelo povo, que não corresponde ao que realmente está nas urnas”, afirma Simões Pereira.

Na terça-feira, em conferência de imprensa, a equipa de advogados de Umaro Sissoco Embaló, dado pela CNE como o vencedor das presidenciais de 29 de Dezembro passado, instou a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) a dar posse a Embaló.

Para os advogados de Umaro Sissoco Embaló, a CEDEAO, “se quiser ser consequente com as decisões que tem tomado” no processo político guineense, “só deve ordenar que o Presidente eleito seja investido no cargo, sem delongas”.

Os causídicos apontam o dia 27 para a tomada de posse, como também defende Umaro Embaló, e consideram que o contencioso eleitoral suscitado por Domingos Simões Pereira no Supremo Tribunal de Justiça é “extemporâneo e ilegal” e que não terá qualquer efeito jurídico.

DSP reitera que não há posse a PR não eleito

Domingos Simões Pereira afasta, no antento, qualquer possibilidade de a CEDEAO dar posse “a quem não for eleito pelo povo guineense”.

“Nenhuma força, nem outra entidade o vai fazer”, observa Simões Pereira.

O também líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no Governo) afirma-se triste ao constatar mensagens de divisão, de ódio, a serem espalhadas entre os guineenses, lamentando que, mês e meio após as eleições, ainda se mantenha a dúvida sobre “o verdadeiro vencedor” do sufrágio.

“De facto, a verdade está nas urnas. Ao abrirmos as urnas saberemos quem foi o escolhido pelo povo guineense. Abrir as urnas pode levar-nos 48 horas para contar e sabermos quem é o Presidente escolhido pelo povo”, nota Simões Pereira.

O Supremo Tribunal, que na Guiné-Bissau também tem as competências de tribunal eleitoral, mantém um braço de ferro com a CNE a quem exige que faça o apuramento nacional dos resultados eleitorais, conforme a lei.

A CNE, que já publicou os resultados eleitorais, dando vitória a Embaló, com 53,55% de votos, e atribuindo a Simões Pereira 46,45%, refere ter esgotado a sua intervenção no processo eleitoral. Com ANG/Inforpress/Lusa

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project