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Presidente da Comunidade Autónoma de Madrid demite-se após escândalos 26 Abril 2018

A presidente conservadora da região autónoma de Madrid, Cristina Cifuentes, anunciou esta terça-feira, 25, a sua demissão, após acusações de obtenção fraudulenta de um mestrado e da divulgação de um vídeo sobre um roubo de produtos cosméticos num supermercado.

Presidente da Comunidade Autónoma de Madrid demite-se após escândalos

"Toda a minha acção, toda a minha vida foi posta em causa", afirmou Cifuentes, de 54 anos, declarando-se vítima de um "linchamento", depois da difusão de um vídeo, de 2011, em que se vê um agente de segurança a pedir-lhe a abertura do seu saco num supermercado, um incidente que, segundo justificou, se deveu a "um erro involuntário" reparado imediatamente, revela, citado pela Agência Lusa.

Ainda de acordo com a mesma fonte, numa conferência de imprensa, Cifuentes alegou que tomou esta decisão para evitar que "a esquerda radical" governe na região de Madrid e "ponha em risco" a gestão feita pelo Partido Popular (PP), a que pertence, nos seus três anos de legislatura.

A dirigente popular não adiantou, contudo, se também renuncia ao seu cargo no partido, em que era vista como possível sucessora do actual presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy.

Recorde-se que Cifuentes estava sob ameaça de uma moção de censura da esquerda, que tinha todas as hipóteses de ter sucesso, porque o partido Ciudadanos (centro-direita) anunciou que lhe retirava o apoio indispensável para que a direita governe nesta região, onde tinha uma minoria de 48 eleitos em 151.

A polémica à volta de Cifuentes começou quando o “site” de notícias eldiario.es noticiou que a presidente da região de Madrid tinha obtido um mestrado na universidade pública Rei Juan Carlos graças à falsificação de duas notas.
As acusações foram subindo de tom, tendo um outro meio de comunicação social, El Confidencial, avançado com a existência de duas assinaturas falsas num documento apresentado por Cifuentes para provar que o diploma era verdadeiro.

A 17 deste mês, a presidente da Comunidade de Madrid já anunciara renunciar ao seu mestrado universitário, apesar de ter assegurado ter cumprido todo o processo burocrático que lhe foi pedido, assim como o estipulado na lei.

Cifuentes compareceu na semana passada no parlamento regional para se defender, tendo assegurado que "nem currículo nem notas tinham sido falsificadas", mas não apresentou o trabalho de fim de mestrado, que teria perdido durante uma mudança.

Entretanto, o Ministério Público já tinha iniciado no início deste mês um inquérito para investigar se Cristina Cifuentes falsificou o diploma de mestrado universitário. “A controvérsia tem lugar um ano antes das eleições regionais de Maio de 2019, com os partidos de esquerda, PSOE (socialistas) da extrema-esquerda a quererem afastar o PP da Comunidade Autónoma de Madrid, uma das mais ricas de Espanha e onde se encontra a capital do país.

Cifuentes converteu-se assim no nono presidente autonómico a demitir-se nos últimos 30 anos, depois de envolvido em alguma polémica ou estar envolvido em processos judiciais ou administrativos, cinco deles do PSOE e quatro do PP.

“Este caso tem lugar um ano depois de a ex-presidente da região de Madrid (Comunidade Autónoma) Esperanza Aguirre, também do PP, ter sido implicada num escândalo de desvio de fundos públicos”, cita a Lusa.

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