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Presidente da República contesta “excessiva burocracia” existente no desbloqueamento de verbas para os municípios 02 Outubro 2018

O Presidente da República contestou, hoje no Mindelo, a “excessiva” burocracia existente no desbloqueamento de verbas aos municípios que, no seu entender, provoca demoras com repercussões no tempo de execução e impactos sociais e no emprego.

Presidente da República contesta “excessiva burocracia” existente no desbloqueamento de verbas para os municípios

Jorge Carlos Fonseca mostrava o seu posicionamento na sequência da visita de dois dias a São Vicente, iniciada hoje, e que, segundo a mesa fonte, tem por objectivo ouvir os empresários, “os seus sucessos e as suas dificuldades” e o modo como se relacionam com as estruturas do Estado.

Conta-se ainda, ajuntou, conhecer a dimensão do sector empresarial, no caso o de Mindelo, para estar a par da situação, entre as quais a capacidade de produção e mercado.

Neste sentido, Jorge Carlos Fonseca visitou algumas empresas na manhã de hoje, como Moave, Fama, Sociave e Cintila, que se insere, assegurou, na sua “missão” de como chefe do Estado “ver, ouvir e eventualmente no diálogo com o primeiro-ministro reforçar as perspectivas, visões, e dificuldades ou exigências eventuais dos empresários dos diferentes sectores”.

Mas, antes disso manteve um encontro com o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, com quem disse ter abordado os problemas deste sector, e que também queixou-se de “uma excessiva burocracia” do desbloqueamento e aplicação dos montantes distribuídos aos municípios.

“É uma queixa que já tinha ouvido em outros municípios nomeadamente em Porto Novo, Santo Antão. Portanto entre a decisão dos concursos e a alocução dos recursos às câmaras demora-se muito tempo”, lançou Jorge Carlos Fonseca, para quem esta demora tem “repercussões no tempo de execução, tem impacto no emprego e impactos sociais diversos”.

Jorge Carlos Fonseca confirmou ainda ter feito com o edil uma “ visão global” do município, com a resposta de perspectiva de “bons investimentos”, tanto no sector hoteleiro como a nível de infra-estruturas, entre as quais a requalificação da Baía das Gatas e o programa de requalificação urbana.

“E tudo isso espera-se que tenha impacto forte na economia de São Vicente”.

Uma “gentilieza” que o presidente da câmara considerou ser “habitual” do Chefe do Estado, que “sempre” tem tido o cuidado de visitar e conversar com a equipa camarária para ver o andamento dos projectos.

“O presidente sempre deu muita força nos anos anteriores e continua dando a força para que possamos ultrapassar grandes dificuldades em São Vicente e no país”, enfatizou Augusto Neves.

Contudo, relactivamente à “visão optimista” apresentada, Jorge Carlos Fonseca garantiu não ser coincidente com a versão dos empresários mindelenses que reclamam, por exemplo, de “condicionalismo” ligados a regularidade dos transportes marítimos e aéreos.

Questionado o Presidente da República referiu ainda ao crescimento de cerca seis por cento da economia nacional no último semestre, que considerou ser “ um sinal encorajador”, de que a economia está a crescer, muito embora, acrescentou, “precisa-se crescer mais”, para que se possa “traduzir numa redução sensível do desemprego e que chegue às ilhas.

“Precisamos crescer de uma forma mais abrangente”, salientou, insistindo na ideia de que “para o país crescer de forma harmónica e inclusiva, isso tem que chegar às outras ilhas”

Quanto ao caso da Binter e a Agência de Aviação Civil, o presidente disse que ainda não falou com o primeiro-ministro, mas que esteve acompanhando a situação, juntamente com o ministro dos Negócios Estrangeiros, durante a sua estada nos Estados Unidos da América na semana passada e promete falar quando tiver “algo mais concreto”.

A visita à ilha de São Vicente, que continua na tarde de hoje com encontros com reitores e professores do ensino universitário e nesta terça-feira com outras empresas, insere-se, segundo a mesma fonte, num programa de contactos com o sector empresarial, iniciado no Mindelo e que abrange ainda Santo Antão e Santiago.

Os contactos, além do sector industrial, têm outra componente ligada a instituições financeiras. A Semana/Inforpress

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