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Presidente da República pede à comunidade internacional “resposta solidária” às “necessidades reais” do País 02 Dezembro 2021

O Presidente da República, José Maria Neves, pediu hoje que a resposta da comunidade internacional, através do alívio da dívida e outras formas de recursos, seja uma “resposta solidária” às necessidades reais de Cabo Verde.

Presidente da República pede à comunidade internacional “resposta solidária” às “necessidades reais” do País

“Cabo Verde defende que essa resposta não pode e nem deve ser um problema de elegibilidade com base no PIB ‘per capita’, mas sim, uma resposta solidária às necessidades reais, e que faça justiça ao princípio estruturante da responsabilidade comum, mas diferenciada, sem deixar ninguém para trás”, sustentou

O chefe de Estado discursava na abertura da Conferência Económica Africana, a decorrer a partir da ilha do Sal, tendo como tema “Financiar o desenvolvimento da África pós-covid-19”.

Sustentou que Cabo Verde, enquanto um pequeno estado insular em desenvolvimento, tem a “necessidade urgente” de um tratamento diferenciado em matéria de acesso ao financiamento em condições concessionais, bem como de facilitação do comércio e de alívio da dívida externa.

Neste sentido, advogou que o País defende uma abordagem coordenada e com critérios harmonizados para as três dimensões do desenvolvimento sustentável, económico, ambiental e social, seja estribado num Índice de Vulnerabilidade Multidimensional (MVI), como critério de acesso ao financiamento dos ODS e que atenda às especificidades das pequenas economias insulares, mais vulneráveis às mudanças climáticas.

“Especificamente sobre a questão da dívida pública, é nossa convicção que o primeiro passo para a sua reestruturação passará pela extensão da moratória sobre o serviço da dívida, até pelo menos 2022”, sustentou.

A exploração junto dos principais credores, das possibilidades de trocar parte da dívida por investimento na transformação económica, na transição energética e na adaptação às mudanças climáticas é outra solução apontada por José Maria Neves.

O Presidente da República frisou que moratória aos pagamentos da dívida pública atribuída pelo G20 e Banco Mundial e que termina no final deste ano 2021 permitiu ao País canalizar os fundos poupados para programas de apoio socioeconómicos indispensáveis na sua luta contra os efeitos da covid-19 com “impacto positivo”.

José Maria Neves advogou ainda que Cabo Verde se encontra entre os países mais afectados pela crise pandémica da covid-19, “comprometendo anos de progresso”.

“Em Cabo Verde, o impacto da covid fez-se sentir, igualmente, num processo de múltiplas transições: demográfica, económica, energética, nutricional, epidemiológica, entre outras, tendo igualmente a crise pandémica exacerbado o impacto de outras crises globais, quais sejam a climática, energética, e do transporte e comércio global”, anotou.

Sem recursos domésticos, como uma “boa poupança local” e um “grande mercado” financeiro nacional, que serviriam de alavanca ao desenvolvimento, e sem uma base tributária alargada, salientou, Cabo Verde “não tem capacidade suficiente” para sozinha injectar os níveis de recursos necessários para uma resposta política vigorosa à covid-19.

“Cabo Verde precisa, todos precisamos, mais do que nunca, de construir alianças e parcerias estratégicas, para beneficiar de transferências de tecnologia e de investimento, de todos os continentes e também e, sobretudo, intra continente africano”, acrescentou.

O chefe de Estado garantiu que está em condições de construir estas parcerias e de conjugar investimentos de diferentes fontes e índoles, considerando as potencialidades enormes ligadas ao oceano e a economia azul, incluindo o turismo e as energias renováveis. A Semana com Inforpress

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