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Presidente do Burkina Faso demite-se após golpe de Estado 25 Janeiro 2022

O Presidente do Burkina Faso, Roch Kaboré, demitiu-se hoje, após a tomada do poder pelos militares, na sequência do golpe de Estado do passado domingo. Organizações internacionais apelam ao respeito pela Constituição.

Presidente do Burkina Faso demite-se após golpe de Estado

"No interesse da nação, na sequência dos acontecimentos de domingo, decidi demitir-me das minhas funções de Presidente do Burkina Faso, chefe de governo e comandante supremo das Forças Armadas Nacionais. Deus abençoe o Burkina Faso", escreveu Roch Kaboré, de 64 anos, numa carta divulgada pela televisão estatal RTB e dirigida ao tenente-coronel Paul Henri Sandaogo Damiba, o novo homem forte do país.

A carta de Kaboré, que governava o país da África Ocidental desde 2015, foi divulgada depois de os militares terem confirmado na noite de segunda-feira (24.01), na televisão estatal, a tomada do poder e anunciado a dissolução do Governo e do Parlamento, bem como a suspensão da Constituição.

O capitão Sidsore Kaber Ouedraogo disse que o Movimento Patriótico de Salvaguarda e Restauração (MPSR) trabalharia para estabelecer um calendário "aceitável para todos" para a realização de novas eleições, mas sem avançar pormenores.

Disse ainda que a decisão de derrubar Kaboré foi tomada "com o único objetivo de permitir ao país regressar ao caminho certo e reunir todas as forças para lutar pela sua integridade territorial e soberania".

"Face à contínua deterioração da situação de segurança que ameaça as fundações da nossa nação, à manifesta incapacidade de Roch Marc Christian Kaboré de unir o Burkina Fase para lidar eficazmente com a situação, e seguindo as aspirações dos diferentes estratos sociais da nação, o MPSR decidiu assumir as suas responsabilidades perante a história", acrescentou.

Fronteiras fechadas

Os golpistas também anunciaram o encerramento das fronteiras aéreas e terrestres e o estabelecimento de um recolher obrigatório das 21:00 às 05:00 em todo o país "até nova ordem".

Os militares, cujo golpe foi condenado pela União Africana (UA) e pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), comprometeram-se a propor, "dentro de um prazo razoável, após consulta das forças vivas da nação, um calendário para o regresso à ordem constitucional".

As organizações internacionais, nomeadamente a União Europeia, União Africana e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), bem como os EUA, já sublinharam a sua preocupação com os acontecimentos no Burkina Faso e responsabilizaram as Forças Armadas pela integridade física do Presidente Kaboré.

População descontente

Reeleito em 2020 com a promessa de lutar contra os terroristas, Kaboré era cada vez mais contestado pela população, atormentada pela violência de vários grupos extremistas islâmicos e pela incapacidade das Forças Armadas do país responderem ao problema da insegurança.

Na capital do país, Ouagadougou, muitos residentes anti-governo saíram à rua para celebrar a queda do governo, defendendo que era expectável que o Presidente iria ser deposto.

"O nosso país está nesta situação há seis anos sem uma verdadeira solução para este terrorismo. Há pelo menos quatro anos que as pessoas têm vindo a exigir mudanças que manifestamente levaram tempo a chegar", disse à DW um residente.

Nos últimos tempos vários manifestantes saíram à rua em todo o país, para exigir uma ação enérgica do governo contra o terrorismo em algumas regiões do país.

O golpe militar no Burkina Faso é o terceiro em menos de 18 meses na África Ocidental, depois do Mali e da Guiné Conacri. C/DW (Deutsche Welle), Agência Lusa, EFE

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