Retratos

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Irão promete vingar morte do general Soleimani se Trump e Pompeo "não forem julgados" 04 Janeiro 2022

O presidente Ebrahim Raissi prometeu hoje em Teerão no 2º aniversário (2ª fª, 3) da morte do general Qassem Soleimani que ele será "vingado por muçulmanos" se o ex-presidente norte-americano Donald Trump e o antigo secretário de Estado Mike Pompeo não enfrentarem a justiça.

Irão promete vingar morte do general Soleimani se Trump e Pompeo

"A ’umma’ [comunidade islâmica] vingará Soleimani se Trump e Pompeo não enfrentarem a justiça", advertiu o presidente do Irão perante milhares de pessoas, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

"Trump, Pompeo e os seus cúmplices devem ser julgados pelo crime do assassinato do general Qassem Soleimani", disse Ebrahim Raissi na mesquita principal de Teerão, durante a cerimónia de homenagem ao antigo comandante da força de elite dos Guardas da Revolução Iraniana.

Há dois anos, o general iraniano Gassem Soleimani, comandante das forças especiais xiitas que realizaram vários ataques contra a missão americana no Iraque, morreu na madrugada de 03.01.2020, num bombardeamento aéreo dos Estados Unidos.

O Pentágono confirmou a autoria e Teerão prometeu "vingança contra os responsáveis: a América e Israel".

Qassem Soleimani, de 62 anos, o general mais poderoso do Médio-Oriente, segundo o diário francês Le Monde, morreu ao lado do iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis, de 65 anos, líder do Kata’ib Hezbollah que desde 1983 se aliou a Soleimani para combater Saddam.

Tinham acabado de desembarcar no Aeroporto Internacional de Bagdad, vindos do Líbano ou da Síria, e preparavam-se para seguir numa coluna armada para a cidade quando se deu o bombardeamento, que matou um total de seis pessoas.

Pouco depois, o Pentágono confirmou que o bombardeamento contra Soleimani foi ordenado por Trump em luta contra o Al-Qods, que integra forças tanto do governo iraniano como das milícias xiitas que combatem o Estado Islâmico mas também os Estados Unidos na região.

O sucesso da operação das forças dos Estados Unidos deu-se três dias após a invasão da Embaixada dos Estados Unidos em Teerão, por milícias iraquianas, manifestantes pró-Irão e apoiantes do Kata’ib Hezbollah.

A manifestação, alegadamente organizada com o apoio do Al-Qods dirigido por Soleimani, surgiu em retaliação pela morte de 25 combatentes do Kata’ib Hezbollah no Iraque, dias antes, durante um bombardeamento dos Estados Unidos a 28. 12.2019.

Várias vezes Soleimani foi visado por Israel, arqui-inimigo. Fez manchetes, em março de 2019, o discurso que Soleimani proferiu após o ataque israelita que matou dezenas de soldados do Al-Qods (a designação árabe da cidade santa de Jerusalém).

Nesse discurso que os israelitas classificaram de "chocante", Soleimani disse que o ISIS é uma força derivada do Wahhabismo que por sua vez foi fundada por Judeus Ortodoxos.

"O Wahhabismo que destruiu dois países muçulmanos na região tem as suas raízes no Judaismo", referiu citado pelo Jerusalem Post, em março de 2019.

Iraque: Grande Ayatollah condenou ataque e apelou à contenção

O chefe máximo dos muçulmanos xiitas do Iraque, o Grande Ayatollah Ali al-Sistani condenou o bombardeamento aéreo e ao mesmo tempo fez um apelo a todos os partidos para "evitarem atitudes precipitadas".

“O injustificado ataque ao Aeroporto Internacional de Bagdad esta noite constitui uma violação da soberania do Iraque e dos acordos internacionais. Além disso, causou a morte dos líderes que derrotaram os terroristas do Estado Islâmico”, segundo a Reuters.

Homem de todas as guerras, começou e terminou no Iraque

Soleimani, reza o seu currículo, primeiro lutou para defender a recém-inaugurada Revolução de 1979, que derrubou o Xá Reino da Pérsia. O novel Irão, que recuperou a antiga designação, estava sob a ameaça do Iraque de Saddam apoiado pelos Estados Unidos.

O general mais graduado do exército iraniano viveu quarenta anos em guerra, sob a égide do Al-Qods, a força do exército iraniano que apoiou todos os inimigos da Arábia Saudita e Israel. Objetivo: dominar a região do Próximo e Médio Oriente — do Irão ao Iraque-Síria-Líbano contra a Arábia Saudita e Israel.

Homem de todas as guerras, que em 1980 começou no Iraque. Quarenta anos depois é o desfecho também no Iraque, neste início de 2020. Vinte anos depois de ali ter voltado em 2000, como o mais graduado do exército para arbitrar os diferendos entre os partidos xiitas no poder em Bagdad.

Em 2014 novo regresso ao Iraque, agora para financiar e supervisionar as milícias iraquianas que combatem o Estado Islâmico. As milícias iraquianas que o veneram e que se juntam às forças governamentais iranianas que desde 2012 apoiam o governo de Assad.

O ditador sírio Bashar Al-Assad deve a Soleimani o manter-se no poder, dizem os politólogos e analistas de várias áreas. Foi o general iraniano que em julho de 2015 esteve em Moscovo para convencer Putin a entrar na guerra da Síria para apoiar o regime.

Fontes: EFE/Washington Post/Le Monde/Times of Israel. Relacionado: Alta tensão EUA-Irão: Bombardeamento mata general Soleimani em Bagdad por ordem de Trump, 03.jan.2020. Fotos: Soleimani morreu na madrugada de 03.01.2020, num bombardeamento aéreo dos Estados Unidos.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project