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Primeiras chuvas animam agricultores de Santiago Norte e alguns avançam para a sementeira 13 Julho 2020

As primeiras chuvas que caíram esta madrugada levaram hoje muitos agricultores ao campo para realizarem a primeira sementeira, tendo em conta que a maioria estava a aguardar a sua chegada para poder jogar as sementes à terra.

Primeiras chuvas animam agricultores de Santiago Norte e alguns avançam para a sementeira

Entretanto, a Inforpress constatou que antes da queda dessa primeira chuva de 2020, que alguns camponeses das zonas mais agrícolas dos seis municípios interior de Santiago (Santa Catarina, São Salvador do Mundo, São Lourenço dos Órgãos, Santa Cruz, São Miguel e Tarrafal) já tinham iniciado em finais de Junho, a faina agrícola.

Numa ronda efectuada hoje em Assomada, Santa Catarina, notou-se muita azáfama no campo e procura por pau de enxada e sementes, tendo em conta que este ano o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) não vai distribuir sementes gratuitamente como nos anos anteriores.

Se esta chuva é motivo de alegria para uns, para outros nem tanto, isto porque temem que a mesma venha estragar as sementes já jogadas no chão.

Segundo a Inforpress, em Santa Cruz muitas chefes de famílias deslocaram-se para a compra de sementes disponibilizadas a preço mais acessível pelo MAA.

Conforme essas mulheres, um litro de milho disponibilizado pelo MAA está a ser vendido por 50 escudos.

No terreno, constata-se algumas famílias nas ladeiras a abrir covas para jogar sementes à terra, alguns ainda estão a limpar os lugares e muitos dizem estar com receios, tendo em conta o cenário dos três últimos anos de seca que assolaram o País.

No município de São Lourenço dos Órgãos, a Inforpress acompanhou a família de Manuel da Silva que amanheceu o terreno a semear, com a esperança em mais chuvas a partir do período da tarde.

Até porque, segundo Manuel da Silva, se não chover, as sementes jogadas hoje à terra correm o risco de estragar, tendo em conta que o chão não está “completamente molhado”.

“Fazer a sementeira com este terreno meio molhado as pessoas dizem que é para a chuva continuar a chover porque se não as sementes vão estragar”, explicou, acrescentando que com fé resolveu semear, esperando mais chuvas, uma vez que ao nascer a planta do milho aguenta mais de trinta dias sem chuvas.

Entretanto, considerou que a chuva que caiu esta madrugada é suficiente para fazer o milho nascer nalgumas zonas altas.

Conforme revelou, em São Lourenço dos Órgãos só agora as pessoas estão a avançar com a sementeira, com a excepção das zonas mais altas em que, segundo ele, as famílias iniciaram logo a faina a faina agrícola no início do mês de Julho.

“As pessoas estão desconfiadas e com medo de desperdiçar as poucas sementes que ainda têm disponíveis”, demonstrou, frisando que muitas famílias estão sem sementes e quem tem vende a preço “muito caro”, referiu ainda a Inforpress.

Manuel da Silva comprou um litro de feijão 600 escudos e um litro de milho 100 escudos.

Instado sobre o apoio do Ministério da Agricultura e Ambiente, este respondeu que este ano não vai haver a disponibilização gratuita das sementes, mas que se está a vender a um preço mais acessível.

Porém, lamentou o facto de ainda as sementes não estarem disponíveis para venda em todos os lugares do concelho.

Tendo em conta os três anos consecutivos da seca, outros homens do campo disseram que vão esperar mais uma chuva para que possam jogar as sementes à terra, sustentando que têm medo de “semear e não colher nada mais uma vez”.

O Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) garantiu, numa recente conferência de imprensa, que mediante as previsões de “grande probabilidade” de ocorrência de precipitações dentro do padrão normal, em todo o arquipélago, os tecnicos estão preparados para promover uma “boa campanha” agrícola de sequeiro.

A fazer fé na mesma fonte, as informações disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, baseada nas previsões internacionais do Centro Africano de Aplicação Meteorológica para o Desenvolvimento (ACMAD) e Centro Regional de Formação e Aplicação em Agrometeorologia e Hidrologia Operacional (AGRHYMET), indicam que há uma “grande probabilidade de as chuvas ocorrerem dentro do padrão normal em todo o arquipélago”.

Conforme as previsões, o MAA assegurou que, em articulação com vários outros serviços, está preparado para promover uma “boa campanha” agrícola de sequeiro, depois de o País ter registado três anos consecutivos de seca.

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