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Primeiro ‘Mayor’ cabo-verdiano nos EUA reconhece “maturação” de comunidade imigrante 31 Dezembro 2019

O primeiro ‘mayor’ cabo-verdiano da cidade norte-americana de Brockton, Moisés Rodrigues, considerou, em entrevista à agência Lusa, que as comunidades imigrantes têm de passar por um processo de “maturação” e formação de “carácter” no estrangeiro.

Primeiro ‘Mayor’ cabo-verdiano nos EUA reconhece “maturação” de comunidade imigrante

Moisés Rodrigues, que cresceu em Angola e vive nos Estados Unidos há 40 anos, era presidente do Conselho da Cidade e tornou-se, em Julho, o primeiro ‘mayor’ cabo-verdiano de Brockton, depois da morte inesperada do antigo presidente de câmara, Bill Carpenter.

Em entrevista à Lusa, Moisés Rodrigues disse que os últimos cinco meses foram um período “difícil” do ponto de vista de governação da cidade, mas demonstrou que existem muitas oportunidades para os imigrantes cabo-verdianos, uma comunidade que “está integrada melhor do que outras minorias da cidade”, na sua opinião.

“É sempre bonito sermos o primeiro. Não para mim pessoalmente, mas eu acho que é bonito para a gente falar daqui a uns anos, mesmo depois da minha saída do mundo, que o primeiro minoritário eleito nesta cidade foi um cabo-verdiano”, disse Moisés Rodrigues, que também foi deputado do Parlamento de Cabo Verde, pelo círculo das Américas, entre 2001 e 2005.

Ser presidente de Câmara (‘mayor’) proveniente de uma minoria “beneficiou a comunidade em geral” na cidade de Brockton, considerou o especialista em serviços humanos e protecção das crianças.

Os cabo-verdianos representam cerca de um quarto da população de Brockton, com um número entre 20 mil e 25 mil pessoas e Moisés Rodrigues foi também o primeiro membro desta comunidade a ser presidente do Conselho da Cidade.

Ao tentar encontrar razão para não ter havido outra pessoa de origem cabo-verdiana a chegar a esses cargos antes, Moisés Rodrigues respondeu que pode ter sido um processo de “maturação” e “preparação” da comunidade, para conseguir ganhar ‘pulso’, força e “carácter”.

Moisés Rodrigues, que tem carreira no serviço social e humano e que trabalhou vários anos como protector das crianças na Igreja Católica, na arquidiocese de Boston, contou que entrou nos cargos políticos “para ajudar a terra” e “para envolver a comunidade”.

“Resolvi concorrer com ideia de representar aquela comunidade, que faz tanto nesta cidade, mas não tinha aquela representação, porque não havia ninguém que era filho do país para defender os interesses”, disse Moisés Rodrigues à Lusa.

“Até hoje estou cá lutando sempre, para ver se saio deixando a cidade melhor do que eu encontrei, relativamente ao tratamento do povo cabo-verdiano”, acrescentou ainda.

Moisés Rodrigues nasceu em Cabo Verde, cresceu em Angola e mudou-se com os pais para os Estados Unidos depois da Guerra angolana, que começou em 1975, quando ainda era adolescente.

Depois de vários anos de uma “adaptação difícil”, Moisés Rodrigues fez parte da Marinha do Exército norte-americano.

“Quando eu cá cheguei, o mundo americano não sabia muito bem o que é Cabo Verde”, recordou, sublinhando que o seu processo de adaptação e integração nos Estados Unidos foi “uma batalha”.

“Agora já tudo é mais fácil, porque há associações, o sistema escolar já conhece muito bem cabo-verdianos ou filhos da diáspora”, considerou.

Ser presidente da Câmara de Brockton teve vários desafios para Moisés Rodrigues, que falou à Lusa na criação de dois novos campos de desporto para as crianças da cidade, a renegociação dos contratos com o sistema de fornecimento de água ou ainda, a modernização dos departamentos de serviços públicos da cidade.

Por outro lado, um dos maiores problemas é a existência de sem-abrigo, pessoas desalojadas vindas de outras localidades próximas e que não são originárias de Brockton, mas ficam sob a responsabilidade desta cidade.

“Brockton é a única cidade do município de Plymouth, no meio de um montão de vilas, a população procura os serviços da cidade”, mas também trazem alguns problemas que não eram tão grandes antes, como o abuso de drogas ou o número de sem-abrigo, reflecte o ‘mayor’.

A resposta é juntar dirigentes de serviços sociais, hospitais e membros de departamentos estaduais para criarem programas de actividades de dia para as pessoas em dificuldade e gerir abrigos para que possam passar a noite.

A 06 de Janeiro, a câmara municipal vai passar para Robert Sullivan e Moisés Rodrigues, que vai continuar no Conselho da Cidade, está confiante de que as coisas começadas e trabalhadas vão continuar com o próximo presidente de Câmara.

Há um certo número de pessoas que está a tentar “dar um empurrão” para Moisés Rodrigues concorrer a um cargo estadual em Massachusetts, uma opção que o cabo-verdiano vai considerar no início do novo ano, quando concluir a fase como ‘mayor’. Fontes: Lusa

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