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Projecto de Capital Humano com 26 milhões de dólares do Banco Mundial 13 Abril 2022

O Banco Mundial aprovou um financiamento de 26 milhões de dólares para o Projeto de Capital Humano em Cabo Verde, para apoiar milhares de famílias no acesso a serviços básicos e educação, anunciou hoje a instituição.

Projecto de Capital Humano com 26 milhões de dólares do Banco Mundial

Em comunicado, o Banco Mundial refere que o financiamento será atribuído a Cabo Verde pela Associação Internacional de Desenvolvimento – organismo daquele grupo que fornece empréstimos sem juros e subsídios aos países mais carenciados - e insere-se no objetivo definido “antes da pandemia de covid-19”, de apostar no capital humano como “um dos desafios mais significativos” para o país “alcançar o duplo objetivo” de “reduzir a pobreza extrema e aumentar a prosperidade partilhada”.

“A economia de Cabo Verde registou um crescimento robusto ao longo da última década, mas foi severamente atingida pela pandemia da covid-19, agravando a desigualdade de rendimentos, aumentando a taxa de desemprego e minando os investimentos no capital humano”, reconhece ainda o Banco Mundial.

De acordo com Lily Mulatu, gestora global de Práticas Educativas para a África Ocidental e Central do Banco Mundial, trata-se de um projeto que reúne “quatro setores diferentes”, mas “todos com o mesmo objetivo, de melhorar o capital humano de Cabo Verde”.

“Assenta em realizações recentes e esforços contínuos do Governo de Cabo Verde, apoiado pelo Banco Mundial, nos setores da educação e proteção social, bem como no programa de reabilitação urbana do Governo", afirmou a responsável, citada no mesmo comunicado.

Em concreto, o Projeto Capital Humano visa “melhorar o acesso a serviços básicos e formação relevante para o mercado de trabalho em Cabo Verde”, e para alcançar esse objetivo “apoiará o Governo de Cabo Verde em três áreas de resultados”.

Prevê “assegurar que todos os jovens em idade escolar adquiram competências relevantes para as necessidades do mercado de trabalho”, também que “os investimentos em formação profissional conduzam a uma maior empregabilidade” e, por último, “apoiar mulheres e jovens de famílias pobres e vulneráveis e melhorar o seu acesso a serviços básicos”, incluindo intervenções de inclusão produtiva, formação, cuidados infantis, água, saneamento.

No sector da educação, o projeto apoiará a reforma curricular no ensino secundário, concentrando-se também na formação profissional de professores e na monitorização dos resultados da aprendizagem, para “melhorar a qualidade da educação”.

Para o desenvolvimento de competências serão apoiadas “reformas que focalizem uma maior atenção na empregabilidade” de participantes em ações de formação e “no aumento do papel do setor privado, através do desenvolvimento de parcerias público-privadas para a formação de competências”.

Na área da proteção social, o projecto “assenta em esforços recentes para estabelecer um registo social e direcionar serviços para as famílias mais pobres e vulneráveis, incluindo a expansão de um programa de inclusão social e produtiva a todos os 22 municípios do país”.

Também prevê apoiar a implementação de um programa de melhoria da habitação, “para assegurar que as famílias mais pobres tenham acesso a serviços básicos”, como abastecimento de água, rede saneamento e eletricidade.

O Projecto de Capital Humano em Cabo Verde, segundo o Banco Mundial, estima apoiar “mais de 3.500 pessoas em agregados familiares pobres e vulneráveis”, facilitando-lhes o acesso a serviços básicos e condições de vida, mais de 40.000 pessoas em agregados familiares “pobres e vulneráveis, tornando-as mais social e produtivamente incluídos”, através de programas para melhorar o acesso a cuidados infantis, a formação empresarial e ao empreendedorismo. Vai ainda apoiar quase 40.000 jovens em idade escolar “que deverão beneficiar de um currículo de ensino secundário mais orientado para o mercado de trabalho”, e 4.550 jovens e mulheres “a obterem certificados de cursos de formação profissional relevantes para o mercado de trabalho”.

De acordo com Eneida Fernandes, representante residente do Banco Mundial em Cabo Verde, este projeto vai proporcionar “investimentos atempados no atual contexto de recuperação económica” no pós-pandemia de covid-19, “melhorando o acesso a serviços básicos e formação relevante para o mercado de trabalho em Cabo Verde”.

“Contribuindo, em última análise, para o crescimento económico acelerado por uma maior oferta de capital humano bem treinado e uma maior produtividade de todos os cidadãos de Cabo Verde", afirmou.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística - sector que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago - desde Março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

Em 2020 registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021.

Segundo informação anterior da instituição, o Banco Mundial é “um dos parceiros estratégicos de desenvolvimento de Cabo Verde”, tendo atualmente 11 projecos em execução no país, nas áreas do turismo, educação e desenvolvimento de competências, transportes, inclusão social, energia, economia digital, saúde, sector empresarial e acesso ao financiamento de micro e pequenas empresas, totalizando 223 milhões de dólares.

A Semana com Lusa

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