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Projeto “Rotas do Fogo” é apresentado ao público 17 Mar�o 2018

O projeto “Rotas do Fogo: modelo do agro-turismo como reforço das organizações locais do turismo rural e sustentável na ilha do Fogo”, financiado pela União Europeia, será apresentado ao público em São Filipe, no próximo dia 19. O evento simboliza o arranque daa implementação das suas atividades. O acto será testemunhado pela Embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Sofia Moreira de Sousa e conta com a presença dos presidentes das Camaras Municipais de São Filipe e dos Mosteiros.

Projeto “Rotas do Fogo” é apresentado ao público

O projecto, terá a duração de dois anos e meio e um financiamento global de 553.430 euros (cerca de 60 mil contos) dos quais 498 mil euros é a contribuição da União Europeia e a parte restante dos demais parceiros e instituições envolvidos.

Este projeto é o resultado de várias iniciativas implementadas pela organização não-governamental italiana, Cospe e seus parceiros, sobretudo dos resultados e produtos conseguidos e processos executados pelo projecto FATA (Fogo, Água, Terra, Ar), que constituem a principal base de partida de “Rotas do Fogo”.

O projeto, segundo Carla Cossu, responsável da Cospe em Cabo Verde está em linha com as orientações da União Europeia, pois pretende melhorar as condições sociais, económicas e ambientais, propondo soluções sustentáveis para incluir as comunidades rurais beneficiárias no setor do turismo rural.

Como objetivo maior, visa criar oportunidades de rendimento através do turismo, a tutela do património ambiental e das cadeias produtivas locais (agro-pecuárias) e a participação nos processos de desenvolvimento, gestão e decisão local, melhorando as condições socioeconómicas e de proteção ambiental nas zonas rurais da Ilha.

Contribuir para a diversificação da oferta do ecoturismo local e criar novas fontes sustentáveis de rendimentos nas comunidades rurais, promover o turismo rural através da difusão do modelo “agro-turismo” e da melhoria da qualidade dos serviços prestados pelas associações e produtores locais, melhorar a participação da sociedade civil no planeamento territorial e a gestão local, através de dinâmicas inclusivas e sistemas de sensibilização, promoção e governança participativa são outros objetivos.

O projeto vai trabalhar com as associações locais, como a de guias turísticos de Chã da Caldeiras, dos agricultores das zonas altas de Fogo (Atalaia, Cutelo Alto, Montinho), com produtores locais, com 10 pousadas para alojamento, assim como um grupo de funcionários dos três municípios da ilha, um grupo de mulheres e outro de jovens, Parque Natural e Ministério da Agricultura e Ambiente.

Os beneficiarios finais do projecto são os trabalhadores das empresas turísticas e agro-pecuárias, jovens, turistas, estudantes.

A experimentação do modelo do agro-turismo e a sua promoção como ferramenta do desenvolvimento rural, suporte aos processos de produção sustentável e de transformação de produtos agro-pecuários por parte das cooperativas e associações, empoderamento das associações e cooperativas rurais, dinamização da rede de promoção do turismo rural Natour Fogo, constam do projeto.

No primeiro ano, vai privilegiar a concepção e dinamização de itinerários de turismo rural, formação para Associação de Guias Turísticos, formação em gestão de agro-turismo, assistência técnica e capacitação sobre processos de produção ecológica e transformação agro-alimentar e criação do agro-parque, com atividades de sensibilização.

Para o segundo, prevê-se a requalificação de casas rurais destinadas à recepção de turistas, visitas de estudo à Espanha (Ilhas Canarias) e Itália (Garfagnana), remodelação e equipamentos das unidades de transformação agro-alimentar, capacitação para associações e cooperativas rurais e abertura de um ponto de informação turística.

Agro-turismo e ecologia

Para os últimos seis meses (terceiro ano), o projeto prevê a realização de ateliê nacional sobre as experiências e modalidades de agro-turismo, realização do evento “Roteiros dos Sabores”, que após a conclusão do projecto deve ser continuado pelos municípios como forma de promover a ilha do Fogo.

Além dessas atividades, outras estão calendarizadas em conjunto com a FATA como a realização das mesas de diálogo, dinamização da “Rede Natour Fogo” e formações às autoridades locais e nacionais sobre a modalidade de agro-turismo.

Uma das particularidades do projeto é que num sistema agrícola “parcelado” como o do Fogo, a promoção do modelo de “agro-turismo” representa uma solução ideal para combinar o turismo à atividade agrícola tradicional, destacando o papel do turismo rural como ferramenta de desenvolvimento social e rural, disse a responsável da ONG Cospe.

O projeto vai intervir em zonas socialmente excluídas através de ferramentas de resgate e revitalização social, de apoia e fomento agro-ecologia e nos negócios rurais, como forma de criar a geração de rendimentos e contribuir para a melhoria socioeconómica das comunidades rurais de forma sustentável para o território e o ambiente.

O projeto, que integra um lote de cinco projectos seleccionados de entre 35 concorrentes, foi apresentado pela Cospe em parceria com o Centro de Estudos Rurais e Agricultura Internacional (CERAI) e Câmara Municipal dos Mosteiros, Associação de Guias Turísticos de Chã das Caldeiras, Parque Natural e União dos Municípios da Garfagnana (Itália) e tem como associados o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), a Direcção-Geral do Turismo e Transporte, as Câmaras de Santa Catarina do Fogo e de São Filipe e a delegação do MAA Fogo.

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