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Promessas insanas — Cumprimento a zero 02 Junho 2019

As fotos partilhadas nas redes sociais, no dia 28 último, mostram casas em reabilitação, obra a cargo da CMPN-Câmara Municipal do Porto Novo, iniciada em janeiro e sem data de conclusão. A denúncia é do neto de uma das moradoras que tem a casa inabitável, cujo recheio está espalhado por casa alheia, espera e desespera por uma audiência à Vereação das Obras.

Promessas insanas — Cumprimento a zero

As fotos partilhadas nas redes sociais, no dia 28 último, mostram casas com uma obra de reabilitação inacabada. No interior, o tijolo cinza, a parede sem reboco, a cobertura do teto ainda por acabar.

Em todas as oito fotos percebe-se que a obra deixou tudo inabitável. A confirmar o que "está na foto" é a descrição pelo neto de uma das pessoas visadas.

Ele conta que se trata de uma mudança de cobertura iniciada há quatro meses e sobre a qual, diz ele, a "Câmara Municipal" de Porto Novo [NR: As aspas são dele não existe nenhuma previsão de término.

O cidadão diz que desde 26 de abril pediu à vereadora da área uma audiência "para saber qual o ponto da situação, já que a avó está cansada de esperar e tem todo o recheio da sua casa nas casas de outras pessoas".

Pergunta que ninguém faz

Há aqui uma pergunta, que ninguém faz, mais uma, e que é: Mas por que carga de água a CMPN fez essa promessa sem antes medir os próprios passos? Um gestor público deve gerir bem a coisa pública— e esta inclui valores tangíveis e intangíveis.

Só o eleitoralismo não explica que alguém chegue a um bairro e prometa aos moradores que lhes vai cobrir o teto, sem planificar nada — nem o custo da obra e o tempo necessário, nem os recursos próprios com que a própria pessoa beneficiada — como neste caso, em que se trata de uma avó rodeada de cuidados— pode contribuir.

Quanto tempo vai demorar a obra? Como será a pessoa alojada? Entretanto, como fica o recheio da casa?

Outras perguntas prévias à promessa deviam ser se essa pessoa não terá familiares que possam contribuir para a obra. As pessoas são pobres? E os filhos e os netos que tradicionalmente são "a bengala da velhice"? Onde estão, eles que não podendo contribuir com dinheiro podiam dar pelo menos umas horas de trabalho?

Uma gestão pública de proximidade deve poder responder a estas perguntas!

Até quando o fazer em cima dos joelhos?

Há uma cultura da caça ao voto, que se instalou nesta terra e que leva a fazer promessas insanas.

Devia haver um pacto de Estado entre as forças partidárias para não miserabilizar o povo. O povo é pobre, mas é jovem, tem dignidade e a sua pobreza não tem de ser miserabilista.

Luiz Cunha, cidadão

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