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Protestos em França encerram Torre Eiffel no sábado. Estudantes marcham a sul 07 Dezembro 2018

A torre Eiffel estará fechada no próximo sábado e o movimento dos "coletes amarelos" toma isso como mais uma vitória, preparando-se para nova manifestação, enquanto os estudantes levam o protesto para sul.

Protestos em França encerram Torre Eiffel no sábado. Estudantes marcham a sul

O cenário de trabalhadores franceses a causar distúrbios no centro de Paris, protestando contra os impostos e a desigualdade económica e queixando-se de que os políticos perderam contacto com a realidade não é, de todo, uma novidade na história francesa. Já em 1789, quando o rei Luís XVI ajudava os ricos com isenções de taxas, o rei sentiu o poder popular derrubar o regime com a tomada da Bastilha.

A descrição pode transitar para os dias de hoje, na França de Macron e Philippe, no meio do tumulto dos "coletes amarelos".

"Se as pessoas comparam Macron a Luís XVI é um sinal de que não se aprendeu nada com a história", afirmou o sociólogo Michel Wieviorka, entrevistado pela agência France Presse.

Entretanto, os protestos já extravasaram o movimento e esta quinta-feira várias manifestações de estudantes no sul de França, protestando contra as reformas educativas, fizeram o governo francês perceber que a situação se tornou imprevisível e incontrolável.

A emblemática torre Eiffel estará fechada no sábado, tal como uma dezena de museus em Paris, para se protegerem da violência esperada para novas manifestações do movimento "coletes amarelos".

A caminhada pelo clima agendada para sábado em Paris também vai ser afastada dos Campos Elísios, e o primeiro-ministro, Édouard Philippe, já prometeu um reforço policial para os protestos de sábado, no centro de Paris, com mais de 65 mil agentes no terreno.

O chefe do Governo disse aos "coletes amarelos" que o apelo não pretende "proibi-los de se exprimirem", mas "evitar que caiam na armadilha dos arruaceiros", depois de o executivo ter já admitido que teme "uma grande violência" no sábado, na sequência do que aconteceu no último fim de semana.

Mais de 400 pessoas foram detidas nos protestos dos "coletes amarelos", que incluíram cenas de guerrilha urbana em Paris.

O primeiro-ministro não deu pormenores sobre os "meios excecionais", mas prometeu que o Governo continuará "a mostrar a máxima firmeza" e lutará "contra o ódio e a violência".

As autoridades pediram esta quinta-feira aos comerciantes na zona dos Campos Elísios que fechem as portas e distribuíram panfletos avisando os funcionários dos riscos que correm se insistirem em aparecer nesse setor da cidade.

"Uma parte da população está revoltada" e exige "respostas", admitiu o ministro da Agricultura, Didier Guillaume, garantindo que o Presidente Emmanuel Macron não está "febril", mas antes "preocupado".

Desde terça-feira que o governo se esforça por acalmar a ira dos "coletes amarelos", mas os ativistas prometem ainda mais entusiasmo para o quarto sábado consecutivo de manifestações no centro de Paris.

A decisão, anunciada quarta-feira, de suspender aumentos de impostos caiu em "saco roto", com porta-vozes do movimento a dizer que "vieram tarde e sabem a pouco".

No sábado, esperam-se mais cenas de violência, com promessas de reforços policiais, mas também mais entusiasmo do lado dos "coletes amarelos", a quem se vem juntando grupos de jovens encapuzados, sem que se lhes conheça motivações políticas assumidas, que provocam estragos e espoletam cenas de violência.

Esta quinta-feira, milhares de alunos desfilaram em Marselha e em Nice, contra as reformas educativas apresentadas pelo governo francês, num movimento de protesto que está a alargar-se a todo o sul da França.

Em Marselha, cerca de três mil alunos de liceu manifestaram o seu descontentamento com as alterações previstas pelo governo, supervisionados por professores afetos a vários movimentos sindicais.

A polícia vigiou a manifestação com cerca de 40 carros de intervenção e um helicóptero, mostrando a preocupação com todo o género de atividade.

Entre os cartazes empunhados pelos alunos, lia-se: "Eles podem cortar todas as flores, mas nunca vão parar a primavera"; "Welcome to lacrymogénie"; "Não à taxa de inscrição superior para os estudantes de fora da UE".

Os confrontos verificaram-se igualmente em Nice, onde 33 pessoas foram detidas entre os manifestantes, de acordo com as autoridades municipais.

Trinta instituições de ensino ainda foram afetadas em Montpellier, com muitos "incidentes e atos de incivilidade", nas palavras de responsáveis da academia.

Grupos de estudantes do ensino secundário e universitário decidem nas próximas horas que participação poderão ter nas manifestações de sábado. Fonte: Lusa

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