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Protestos pacíficos pedem justiça, oportunistas desviam-nos — Questão esquecida dos escravos oficiais até 1860s nas Américas 04 Junho 2020

Um homem morreu e o mundo todo foi obrigado a prestar atenção. As circunstâncias da morte de George Floyd só por si não explicam porque é que essa morte se destacou de entre as cento e sessenta e duas mil ocorridas nesse dia. É também à flor da pele que se entende os protestos que desde a semana passada incendiam a América. Mas não só, há vários fatores que com a distanciação necessária à ciência virão à tona, se vierem.

Protestos pacíficos pedem justiça, oportunistas desviam-nos — Questão esquecida dos escravos oficiais  até 1860s nas Américas

É à flor da pele que se entende os protestos que desde a semana passada incendiam a América. A distanciação necessária à ciência virá, se vier, com o tempo.

Essa análise mais aprofundada, feita com alguma distanciação, requer o seu tempo e incluirá decerto uma abordagem cronológico-comparativa entre o homicídio de George Floyd e do adolescente Trayvon Martin em 2012. E destes não se omitirá a questão das raízes originárias da situação de pobreza que aflige alguns estratos da nação mais democrática do mundo.

O tempo é um escultor, dá forma ao que antes não existia. Por exemplo, a compreensão dos factos em bruto. Mas o tempo pode ter uma duração demasiado longa e fazer relegar esses factos, mesmo se importantes, para fundos corredores que não se sabe se um dia vão ser percorridos. Mais incerto ainda é se serão um dia escrutinados.

Um exemplo para ilustrar como certos factos passam despercebidos é o do que foi tratado como mero fait-divers, há uns quinze anos. Aconteceu na recepção que Bush fez a Lula. A dado momento o presidente republicano pergunta ao seu convidado se no Brasil havia negros (Do you have blacks?). 

O incidente vagamente evocado por um ministro para ilustrar a "proverbial ignorância bushiana" não teve, tanto quanto sei, mais desenvolvimentos.

Ninguém comentou o quão estranho era a comitiva brasileira de visita à capital da superpotência não incluir um único membro do estrato sócio-étnico predominante, numericamente maioritário no Brasil.

Ninguém estranhou essa ausência no espaço da representação do poder, decerto porque "todo mundo" entranhou de há muito tempo que o lugar desses evocados na pergunta bushiana é outro.

(A continuar)

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