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Bielorrússia: 1 ano após protestos de 9.ago.’20 Lukashenko oscilante anuncia "iminente saída" e "até 20 sucessores" — Moscovo de mão firme em Minsk 12 Agosto 2021

Lukashenko vai para discursar no primeiro aniversário da sua sexta reeleição e de súbito oscila, prestes a cair. No discurso diz que pode sair porque tem "quinze e até vinte pessoas aptas" a ocupar o seu lugar. É este o mais recente desenvolvimento na Bielorrússia que há um ano faz a atualidade mediática, desde que o sexto mandato do presidente "paizinho" foi desafiado por uma "professora que lidera as sondagens" no país ex-satélite da URSS e que continua a sentir a mão longa de Moscovo de Putin que protege Lukashenko. A repressão iniciada há um ano atirou com a líder da oposição para o exílio, fez desertar atletas olímpicos, causou segundo relata a ong RSF a morte, a prisão ou o exílio de jornalistas.

Bielorrússia:  1 ano após protestos de 9.ago.’20 Lukashenko oscilante  anuncia

Muita ação mas pouco mediatismo esteve por trás da surpreendente efervescência na Bielorrússia em agosto do ano passado (Bielorrússia: Contesta-se vitória de Lukashenko com 80,23%, UE pede recontagem — Polícia carrega sobre apoiantes de Tikhanovskaya, 11.ago.020).

A oposição ao presidente bielorrusso é reprimida com violência, para o que Lukashenko conta com o nacional KGB — que manteve o nome enquanto em Moscovo mudava de nome mas com o mesmo conteúdo.

A oposição contra um sexto mandato de Lukashenko começa a ouvir-se, a imprensa internacional repercute a prisão de Tikhanovski e a emergência de Tikhanovskaya. O apoio da União Europeia começa a evidenciar-se.

Este foi um ano em que os bielorrussos viram a ordem social mudar, prenunciado pelo balanço de ano: foi em dezembro transato que, pela primeira vez, tornou-se evidente que os bielorrussos temem a aproximação à Rússia, assinalada pela cada vez mais visível interferência de Moscovo.

Visível quase semana sim semana sim, a televisão bielorrussa mostra mais uma ação benemérita proveniente da Rússia. Ora são os empréstimos com juros baixos, ora os abastecimentos em petróleo ou gás ... E cada vez mais, são a cooperação técnica, os exercícios conjuntos na esfera militar. O maior exercício militar está prestes a arrancar, em setembro.

O novo embaixador russo em Minsk não terá deixado de contribuir para esse receio. Esta perspetiva de análise faz sentido quando se conhece o currículo de Yevgeny Lukyanov: o novo embaixador foi diretor da agência de segurança sucessora da KGB.

Os bielorrussos começam a perceber os pés de barro do seu ídolo, o paizinho Lukashenko cujo poder até então foi hipervalorizado pela sua independência face à antiga potência soviética.

Por ação dessas fotos semanais, dos apertos de mão (foto) que são a mais forte evidência da perda de poder do paizinho, dá-se uma reviravolta importante: a voz da oposição torna-se cada vez mais audível, já não se trata só de fazer-se ouvir.

A mudança começa, pois, pelos apoios ao presidente "paizinho" que passam para o campo da oposição, para o que contou decerto a série de sinais de que a ex-capital do império soviético continua afinal a ter mão-firme sobre Minsk.

As análises de balanço de ano, em dezembro transato, decerto que contam com a expertise da UE, mas há uma vontade nacional que emerge e se manifesta.

O exílio da principal opositora, Svetlana Tikhanovskaya (Bielorrússia: Tikhanovskaya refugia-se na Lituânia ’para proteger os filhos’, 12.ago.020), a perseguição aos opositores (Bielorrússia: "Tortura geral" sobre detidos em protestos pacíficos — Tikhanovskaya no exílio incentiva manifestações e apela ao fim da violência, 15.ago.020) levam ao posicionamento de setores da sociedade bielorrussa até então neutras: a radiotelevisão pública entra em greve e declara o governo "ilegítimo".

O regime de Lukashenko em fins de agosto começa a admitir partilhar poder. Dá-se uma trégua mas que é breve: o presidente nega repetir eleições.

No mês seguinte, estudantes protestam na abertura do ano letivo. O regime aperta — polícias com canhões de água, balas de borracha sobre os que regressam às ruas.

Em maio, é o caso insólito dum avião comercial, da RyanAir, entre Atenas e Vilnius que é desviado por caças bielorrussos para prender um jornalista opositor que encontrou refúgio na Lituânia (Bielorrússia: Lukashenko manda caças interceptar voo de opositor —"A pena de morte espera-me aqui", 24.mai.021).

Rússia-UE e mais


O braço de ferro Bielorrússia-UE e mais é antes de mais um Rússia-UE e mais. O caso do desvio do avião comercial tem repercussão imediata: a União Europeia — apoiada pelo Reino Unido, Canadá e Estados Unidos — apela à suspensão de sobrevoos sobre o território bielorrusso (Sobrevoos à Bielorrússia suspensos — Apesar de perdas comerciais, maioria adere ao apelo da UE, 24.mai.021).

Em Tóquio, assiste-se à deserção de atletas bielorrussos (Tokyo’21: Atleta bielorrussa defecta está em Varsóvia — "Não traí o meu país", 04.ago.021; Tokyo’21: COI expulsa treinadores de Kristina Timanovskaya — "A avó disse-me que eu corria perigo, depois do que a TV noticiou", 07.ago.021). Fotos (TASS/AP): Putin-Lukashenso e além: a ex-capital do império soviético continua afinal a ter mão-firme sobre Minsk. Lukashenko oscilou mas continuou até ao discurso em que anunciou a iminente saída e que tem até vinte nomes para a sua sucessão.

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