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Putin e Trump precisam um do outro —Estratégia de muitas fintas e ’calacas’ 23 Junho 2020

Putin precisa desesperadamente de Trump para se manter no poder — onde tem estado desde 1999, como primeiro-ministro, como presidente e de novo como primeiro-ministro, como presidente. E se conseguir vitória no referendo do dia 1 próximo, 2025, 2036 vai encontrá-lo ainda no Kremlin.

Putin e Trump precisam um do outro —Estratégia de muitas fintas e ’calacas’

Trump reeleito promete muito a Putin: a esperança maior é que Trump continue a campanha no G7 em prol da Rússia – expulsa do então G8 como sanção pela anexação da Crimeia em 2014. O G7-G8 é uma plataforma mundial indispensável a Putin em perda de poder também em casa.

A promessa de fazer o país sair da Nato — que Trump prometeu e continua a acenar — pode vir a ser a outra vitória do Kremlin, com largos benefícios: o regresso da Ucrânia à esfera de influência da Rússia e o levantamento das sanções económicas impostas a Moscovo pelos Estados Unidos e União Europeia.

A acreditar no que escreveu Bolton — no livro que tem o lançamento nesta terça-feira (EUA: Juiz indefere pedido de Trump para bloquear livro ... mas Bolton "não pode lucrar", 22.jun.2020 —, Trump pediu a Putin que o ajudasse na eleição de 3 de novembro próximo. Trump, nessa perspetiva, precisaria de Putin. Além disso, as suspeitas continuam de que a ajuda da Rússia foi em 2016 crucial para a vitória de Trump.

Mas também Putin precisa de Trump devido à devastação trazida pela pandemia viral na Rússia, segundo os politólogos têm por estes dias vindo a argumentar.

A Rússia hoje é o terceiro país mais flagelado pela Covid-19. Os números oficiais indicam mais de 580 mil infetados e mais de 8 mil óbitos, números que são por si assustadores. Mas acresce que muitos organismos internacionais entendem que estão aquém da realidade e os óbitos são pelo menos o dobro do que reconhece Moscovo.

Tácticas erradas

A frente económica nunca em 15 anos teve pior desempenho, o que é demonstrável pelo facto de que o relatório do PIB mensal de maio ainda não saiu.

A principal causa é a guerra de preços “insensata” que o presidente Putin abriu contra a Arábia Saudita. Resultado: a recessão piorou.

A frente política também mostra o recuo na liberdade de democracia. Putin afinal vai manter o referendo que o manterá mais tempo no poder — até 2036. Isto depois do recuo …. que o tinha forçado a adiar o plebiscito….

A previsão é que, dada a maior queda de Putin nas sondagens em 21 anos, o executivo tudo vai fazer para manter o statu quo. E na impossibilidade de mais uma manobra, como em março de 2018 — pela qual a Rússia reelege Putin até 2024 — Querer do povo ’sui generis’ e medo do Ocidente que pressiona deram 75% ao novo tzar —, a Rússia vai assistir "a mais uma fraude eleitoral", como diz a imprensa de referência.

O desempenho de Putin na frente política internacional – com as guerras na Síria e Líbia —é ainda pior. O objetivo de voltar a colocar a Rússia no centro da influência global revelou-se um insucesso e não se vê como é que Putin evitará a humilhação do derrotado.

Também na Ucrânia, é o insucesso não obstante a intervenção russa na região oriental acompanhada de injeções de biliões de dólares – uma sangria no país debilitado pela guerra de preços nos combustíveis.

É por isso que Putin precisa que Trump seja reeleito, segundo os politólogos. A reeleição segundo essas análises, é ainda mais necessária a Putin que em 2016, quando apostou em Trump para reverter a política da administração Obama tida como nociva à Rússia.

A aposta resultou só em parte, já que o círculo de Putin teve motivos para se dececionar com as esperanças frustradas na era Trump. Uma delas, a retirada da discussão sobre os tratados de controlo de armas nucleares, outra o fornecimento de armamento defensivo à Ucrânia, como o Congresso norte-americano impôs. Um resultado que os russos atribuem à influência de conselheiros como Bolton.

Putin toca e Trump dança

A expressão traduz, de modo aproximado, o que o conselheiro demitido Bolton foi dizer a semana passada na televisão. Só ele o podia dizer: foram conversas privadas entre os dois presidentes a que ele, Bolton, podia assistir na Sala Oval, comprometido pela confidencialidade.

Exemplos, segundo Bolton: em 2018 na Cimeira de Helsínquia(foto em junho de 2018), Trump fez o que Putin queria, com a sua declaração de que acreditava no homólogo russo que “negou a interferência russa na eleição presidencial americana de 2016”.

Outro exemplo mais recente: Putin convenceu Trump de que o opositor Guaidó “é comparável a Hillary Clinton, logo, não vale a pena continuar a apoiá-lo”. Zangam-se as comadres, as verdades assomam.
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Fontes: RT/Washington Post/Le Monde. Relacionado: Donald Trump rompe acordo nuclear de 1987 e anuncia: : Não vamos ficar a ver a Rússia a fabricar armas e nós não, 23.out.018. Foto: Trump e Putin na Cimeira de Helsínquia, Finlândia em 2018. O encontro ficou marcado pela promessa de trabalhar juntos para a paz no mundo. Menos de quatro meses depois, Trump ameaçou quebrar o ’cachimbo da paz’. Uma colaboração com muitas fintas e ’calacas’.

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