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Quem foi afinal a 1ª dama afroamericana 03 Setembro 2020

A América teria tido a sua primeira-dama afroamericana muito antes do que se pensa — a acreditar em fontes históricas dos dois últimos séculos.

Quem foi afinal a 1ª dama afroamericana

Em 1961, ano em que o presidente Kennedy esteve em visita oficial ao Reino Unido, o fotográfo Cecil Beaton, ao serviço da Rainha de Inglaterra, não teve dúvidas em comentar sobre a aparência "negroide" da primeira-dama Jacqueline Kennedy, que encontrou num jantar oficial.

O site histórico New York Genealogical and Historical Society indica que "Beaton detetou o que alguns chamam de herança africana da Jacqueline Bouvier Kennedy".

Segundo o referido website, "Jackie é aparentada com a família van Salee", descendentes de Anthony e Abraham van Salee, do grupo dos primeiros colonos de Nova Amsterdam (futura Nova Iorque) no início do século XVII. O pai Jan Janszoon era "um pirata neerlandês que se converteu ao Islamismo e se fixou em África onde se uniu a uma mestiça".

Anthony van Salee chegou à América com 22 anos e "é talvez o primeiro muçulmano no Novo Mundo". Relatos contemporâneos descrevem-no como terratenente e negociante de sucesso "de cor escura", "meio-marroquino", "antigo escravo negro" e "mulato".

Raiz não subsaariana mas norte-africana judia

A primeira-dama em 1962 foi abordada por um grupo dos Direitos Civis — confiantes nos sinais embora tímidos de que, sob Kennedy, as leis segregacionistas iam mudar — sobre a sua alegada ancestralidade africana.

Jackie Kennedy então esclareceu que esse longínquo ascendente era de origem judia e a família se tinha fixado no norte de África.

Mas o pai dela, John Vernou Bouvier, era conhecido como "Black Jack" porque tinha uma tez escura talvez por bronzeamento. As colegas de Jackie, na escola feminina Miss Porter’s School, perguntavam-lhe se o pai era "mesmo branco".

Pretidão invisível: na Casa Branca, alta finança

Estudos históricos, citados no site genealógico, concluem sobre a ascendência africana de 4% dos atuais euroamericanos, cidadãos brancos dos Estados Unidos.

Na Casa Branca antes de Obama, houve presidentes com "ligações" afroamericanas: o 3º presidente Thomas Jefferson, entre 1801 e 1809, e Warren Gamaliel Harding, o 29º presidente entre 1921 e 1923 (ano da sua morte, aos 57 anos).

Ao fim de uma exaustiva investigação histórica que incluiu recentes testes de ADN e controvérsias longamente debatidas entre interesses divergentes, é enfim reconhecido que Thomas Jefferson, um dos mentores da Independência e coautor da Constituição, teve seis filhos com a sua escrava Sally Hemmings entre 1795 e 1901, após enviuvar em 1783.

O republicano Harding, "um dos mais populares presidentes dos Estados Unidos", nunca obteve aprovação do pai de Florence, que jurou matá-lo antes de deixar entrar na família "o descendente de negros".

Descendentes de van Salee são também os magnatas Vanderbilt e e Whitney, aqueles com fortuna através da marinha mercante e da construção de ferrovias, e os Whitney através da banca.

Nem uma gota

Durante séculos foi possível a quem tivesse menos de 1/16 avos de ascendentes africanos registar-se como branco e usufruir dos privilégios inerentes, tais como distribuição de terras, vantagens nas atividades económicas, representação social e política.

Mas em 1924 um médico, Walter Plecker, conseguiu ter aprovada a Lei da Integridade Racial/Racial Integrity Act, que passou a classificar em duas categorias únicas, preto e branco, os habitantes dos Estados Unidos.

Essa lei que recusava a classificação de "brancos" a quem tivesse "um ascendente da África subsaariana" por mais longínquo que fosse, evitava a possibilidade de virem a ser "classificados como brancos os filhos de cor de pessoas aparentemente brancas", defendia o médico.

A lei "para evitar que se façam passar por brancos" pessoas negras, "que parecem brancos mas têm "ascendentes africanos", foi primeiro aplicada na Virgínia, o Estado de residência de Plecker.

Progressivamente essas e outras leis foram aplicadas para impedir a ascensão dos "não-brancos" na "grande América". E os nostálgicos desse tempo confiam em Trump para "fazer a América grande" de novo.

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