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Quem matou Giovani? "Queremos justiça" - Portugal 12 Janeiro 2020

Mais de 2000 pessoas percorreram cerca de dois quilómetros desde o Politécnico de Bragança até ao centro da cidade, numa marcha silenciosa em memória do estudante cabo-verdiano.

Quem matou Giovani?

Giovani Rodrigues de 21 anos que faleceu no passado dia 31 de dezembro, depois de uma alegada agressão de que foi alvo naquela cidade transmontana, dez dias antes. Muita gente vestiu camisolas brancas com a cara de Giovani e vários participantes ostentaram pequenos cartazes com pedidos de justiça e com a pergunta - Quem matou Giovani?

À frente de toda a gente uma grande tarja com a imagem e o nome de Luís Giovani Rodrigues e em letras gordas a frase "NÃO À VIOLÊNCIA" lideraram a marcha silenciosa.

Wenderlei Antunes, presidente da Associação dos Africanos do Instituto Politécnico de Bragança pede justiça e afirma a tranquilidade da comunidade estudantil. "Na nossa comunidade e na nossa cidade sempre fomos vistos como uma comunidade tranquila. Queremos acima de tudo que a justiça seja feita e que casos como este não voltem a acontecer".

Em Bragança há alunos de cerca de 70 nacionalidades e a Cabo-verdiana é a maior com perto de 1200 estudantes. Orlando Rodrigues, presidente do Politécnico de Bragança destaca o momento que "deve ser de solidariedade com a família de Giovani e com o povo Cabo-Verdiano e depois estamos a afirmar os valores que são os nossos que são os da não-violência, da multiculturalidade, do respeito para com os outros e da paz".

Marcus Silva veio do Brasil para estudar engenharia Química, no outubro passado. Vestiu uma camisola branca com a cara de Giovani. Pede justiça. " Vejo isso com uma tristeza enorme e mais do que a justiça que tenha que ser feita por causa da repercussão que isto está a tomar. Espero que a justiça averigue tudo e que ela seja feita".

Ali também está Lina Rodrigues. Tem 73 anos. Quis participar na homenagem. "Acho muito triste. "Devíamos ser todos irmãos, unidos. Ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém".

Ao lado está um grupo de estudantes polacos. Evelina estuda nutrição no IPB. Está ali para dizer "que é preciso fazer alguma coisa principalmente por parte da polícia e castigar os culpados da morte do estudante".

No centro da cidade, em plena praça da Sé aconteceu uma pequena vigília com velas que compunham a palavra PAZ, postas ali pelos escuteiros de Bragança. (Giovani era escuteiro em Cabo verde). Nela participaram várias figuras ligadas ao IPB como o ex- presidente Sobrinho Teixeira, agora secretário de Estado do Ensino Superior, Isabel Ferreira, ex-investigadora do IPB e atual Secretária de Estado da Valorização do Interior, o primeiro presidente do Instituto, Dionísio Gonçalves ou Jorge Nunes, ex-presidente da autarquia brigantina, entre muita gente anónima da cidade que se juntou à marcha.

A marcha silenciosa terminou na Catedral de Bragança, onde o Bispo da Diocese Bragança-Miranda presidiu a uma missa em memória de Luís Giovani Rodrigues. C/TSF (Texto e fotos).

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