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RD Congo: Vacinas anti-Covid que povo desdenha estão a ser cobiçadas por estrangeiros em Kinshasa 27 Junho 2021

São "em média 80 por cento de estrangeiros e somente 20% de congoleses", constata o diretor dum centro médico em Kinshasa, O Dr. Diarra lamenta que "os preconceitos" anti-vacinas impeçam os nacionais de se protegerem e aos filhos.

RD Congo: Vacinas anti-Covid que povo desdenha estão a ser cobiçadas  por estrangeiros em Kinshasa

"Fuma? tem alergias?" são algumas das perguntas que o candidato à vacina AstraZeneca responde, como a reportagem do Le Monde presente no hospital Saint-Joseph de Kinshasa dá conta. Outra constatação, esta surpreendente, é de que no espaço de uma hora só indianos, uma dezena de pessoas dessa origem e de diversas idades, receberam a vacina anti-Covid.

A reportagem muda de lugar e ruma ao centro médico dirigido pelo doutor Diarra onde confirma o que o médico tem afirmado: que a campanha da OMS na República do Congo não está a atingir o público-alvo que são os congoleses.

Nesse centro do coração de Kinshasa, os indianos contam para 90 por cento, calcula o Le Monde.

Noutra clínica, onde foram administradas quarenta vacinas contam-se apenas duas cidadãs congolesas, idosas. Os demais são belgas, polacos, checos...


Teorias de conspiração

Uma boa parte da população, diz Diarra, não confia nas virtudes da vacina porque não confia no que lhe dizem os governantes. É uma longa experiência de decénios, iniciada com a crise do vírus Ébola e que ainda está presente na memória coletiva, analisa um sociólogo.

A reportagem ouviu uma estudante universitária de 22 anos afirmar que "conhecemos a influência dos lóbis e das grandes potências e das suas grandes farmacêuticas, diante de quem os nossos governantes se curvam. Por isso, não aceitaremos esta vacina".

Um jovem casal afina pelo mesmo diapasão: "Nós decidimos que não nos vamos vacinar, que não queremos correr o risco de não poder ter filhos". Estes confirmam aquilo que o doutor Dauphin Bena, do Centro Médico Kinshasa, já indicara: que informações falsas nas redes sociais têm propalado que a vacina causa impotência e ou esterilidade.

1,3 milhão de doses devolvidas ao fundo Covax

Dos 1,7 milhão de doses recebidas entre fins de fevereiro e abril, o país centro-oeste africano devolveu já 1,3 milhão ao fundo Covax.

Regresso do Ébola

A OMS-Organização Mundial de Saúde anunciou na mesma altura em que o mundo se deparava com a primeira vaga de coronavírus, que tinha enviado uma equipa ao leste congolês onde na última semana morreu uma agricultora da aldeia de Biena, Butembo (RD Congo: Ébola voltou, 09.fev.021).

A "urgência sanitária internacional" que é o Ébola volta a trazer o medo três meses após ter sido declarada extinta na região do Butembo, quando foi dada alta ao "último paciente" em 16 de outubro.

A OMS sublinhava no comunicado, emitido na capital congolesa, que "não é raro que casos esporádicos aconteçam após uma grande epidemia", como a que assolou a região do Butembo, no Norte-Kivu, "que foi um dos epicentros da precedente epidemia de Ébola no leste da RDC".

"A equipa esteve in loco a acompanhar mais de 70 contactos" da vítima mortal e a supervisionar "a desinfeção dos locais por onde ela passou", informou ainda a delegação da OMS em Brazzavile.

Risco permanece
. O ministro da Saúde, que esteve na noite de domingo na televisão nacional congolesa, evitou declarar a décima-segunda epidemia. Mas em novembro, ao declarar o fim da décima-primeira epidemia tinha avisado que "é elevado o risco de ressurgimento da doença do vírus Ébola" na RDC.

Mais de 320 mil pessoas foram vacinadas, por ocasião da décima epidemia , entre 1 de outubro de 2018 e 25 de junho de 2020. "Registaram-se 3.481 casos, 2.299 óbitos e 1.162 pessoas sobreviveram", segundo a OMS.

A primeira vacinação do Ébola foi realizada com duas vacinas de dois diferentes laboratórios (Merck e Johnson&Johnson). A mesma estratégia foi utilizada na décima-primeira epidemia do vírus (identificado em 1976 por Peter Piot e a equipa internacional que integrava o professor congolês Muyembe).

Ébola ressurge na RD Congo — regista 23.599 casos e 681 óbitos devidos à Covid

A RDC faz parte do grupo oeste-africano atingido pelo Ébola, desde a epidemia de 2013-16 que provocou onze mil mortes. A sua exportação para a Europa e Estados Unidos, através de funcionários de organizações humanitárias, levou a OMS a declará-la "urgência sanitária internacional".

A doença do vírus Ébola teve origem em animais infetados que a transmitiram aos humanos. Os principais sintomas são: febre intensa, vómitos, sangramento e diarreia.
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Fontes: Le Monde/Le Soir.be. AFP/Reuters/ Relacionado: Ébola é "urgência sanitária mundial" mas nenhum país deve fechar fronteiras, diz OMS — 1676 mortes desde agosto na RD Congo, 19.jul.019. Foto (Reuters): Incertezas sobre eficácia da comunicação para incentivar a vacinação entre os congoleses.

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