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REPORTAGEM: Chã das Caldeiras ganha novo complexo educativo quase nove anos depois das lavas terem “engolido” escola básica 29 Agosto 2022

A comunidade de Chã das Caldeiras passa a contar, a partir de Setembro, com um novo complexo educativo, quase nove anos depois das lavas, da última erupção, terem “engolido” a escola de ensino básico que existia na localidade.

REPORTAGEM: Chã das Caldeiras ganha novo complexo educativo quase nove anos depois das lavas terem “engolido” escola básica

Construído pelo Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura do Mindelo (M_EIA) no povoado de Bangaeira, no quadro do projecto “construção sustentável e arquitectura”, o complexo educativo com possibilidade de ampliação, em função das necessidades de crescimento da escola, faz parte da lista de várias obras a serem inauguradas em Setembro como a sede da associação dos guias turísticos, Centro de Dia de Lapinha, reabilitação da escola básica de Cova Figueira.

O edifício vai acolher, a partir de 19 de Setembro, as crianças do infantário e do primeiro ao quarto anos de escolaridade, porque os do quinto e sexto anos, por serem em números reduzidos, cinco e oito, respectivamente, continuam a frequentar as aulas em Achada Furna e com transporte gratuito assegurado pelo ministério.

“É um projecto para albergar as crianças do jardim-de-infância, que ocupa o espaço há dois anos, e, a partir deste ano lectivo, as crianças do Ensino Básico Obrigatório (EBO)”, disse à Inforpress o responsável do M_EIA, Leão Lopes, observando que o complexo tem uma concepção que junta os dois níveis no convívio no mesmo espaço.

Arquitectonicamente foi pensado para durante o dia funcionar com os equipamentos que permitam aos professores passarem o dia inteiro no edifício que dispõe de cantina, sala de professores, zona de duche para crianças, espaços para oficinas com ferramentas e recursos para educação física e espaço exterior protegido e com boa dimensão para desenvolver aulas exteriores.

“A nossa expectativa, e como pedagogo que somos, é que as crianças fazem o programa de aprendizagem o mais aberto possível e não fechadas nas salas”, destacou Leão Lopes, realçando que o complexo está muito bem localizado dentro da comunidade, numa zona sem muito barulho exterior e muito harmonizada, esperando e desejando que esta infra-estrutura sirva para o bom trabalho dos professores e a educação para as crianças.

O complexo não foi projectado como salas, mas como “edifício” que depois será organizado consoante as necessidades, tendo sido reservado um lote para mais edifícios.

“A sua concepção não é salas com divisórias estanques, mas são espaços que podem reduzir ou ampliar com parede removível, é uma experiência inovadora e que esperamos que resulte” evidenciou Leão Lopes, mostrando-se optimista, porque, advogou, “se resultou em outros lugares também pode resultar em Cabo Verde”, bastando que os professores tenham interesse na sua utilização de forma diferente.

Todas as soluções construtivas foram pensadas, criadas e executadas em Chã das Caldeiras, desde a produção dos blocos, passando pela serralharia e até os primeiros mobiliários para o equipamento do jardim-de-infância foram feitos em Chã das Caldeiras, tendo o projecto sido premiado a nível internacional.

A infra-estrutura tem um sistema de recolha de águas pluviais que não é visível porque é todo subterrâneo e com filtro subterrâneo e na sua execução tiveram muito cuidado em trabalhar este pormenor e as águas residuais também têm filtros e são recicladas para rega.

“Os professores podem utilizar todos esses elementos como didácticos de aprendizagem. Serão colocados placar informativos com todas as tecnologias de construção para crianças e professores”, referiu.

Chã das Caldeiras costuma registar nos meses de Dezembro a Fevereiro temperaturas muito baixas, às vezes abaixo do zero, razão pela qual as soluções construtivas tiveram em conta este cenário.

“É uma grande aprendizagem, temos aqui construções que sofrem distinções térmicas, porque já tínhamos feito ensaios em zonas mais ou tão agressivas como Chã das Caldeiras, que é o Planalto Norte, em Santo Antão”, aludiu o responsável do M_EIA, indicando que algumas soluções conseguidas em Santo Antão foram consolidadas e aplicadas em Chã das Caldeiras.

Além da disparidade térmica, Leão Lopes apontou um outro pormenor que, às vezes, as pessoas esquecem que é o facto de o edifício situar-se numa zona com ocorrência de sismos sistemáticos, acrescentando que na sua construção, os engenheiros que fizeram os cálculos contaram com dados de incidência sísmica disponibilizados pelos vulcanológicos, mas referiu que “é sempre experimental” e tem uma estrutura para responder a esta situação.

A título de exemplo, ressaltou que em Outubro de 2021 ocorreu dois ou três sismos de alguma intensidade e que na sequência fez uma análise aos efeitos, tendo a equipa técnica ficado contente com o resultado que consistiu em “uma ou outra fissurinha, mas nada de estrutural”. Acrescentou que durante a construção do traçado da rede viária que passou em cima de basalto denso nas proximidades do complexo, durante meses o edifício sofreu com as vibrações de alguma intensidade e que inclusive foram detactadas na estação sísmica em S. Vicente, mas sem prejuízo.

O M_EIA pretende editar uma monografia sobre a construção deste edifício, porque, segundo Leão Lopes, tem muita informação tecnológica que pode inspirar outras construções e inovar em termos tecnológicos.

Leão Lopes indicou que “infelizmente não há ainda uma cultura de investigação, as universidades ainda não têm programas de investigação, linhas de investimentos do próprio Estado “claro e eficiente” para as universidades fazerem os seus programas”.

O instituto, explicou, teve a sorte porque o Governo o desafiou, tendo aceitado e aproveitado a oportunidade e deram-no carta branca para experimentar, porque enquadra-se na sua área de pesquisa que é a construção sustentável e arquitectura.

“Não é por acaso que o projecto teve um prémio internacional”, destacou Leão Lopes, lembrando que o mesmo foi atribuído por uma grande fundação que o M_EIA não sabia se existia assim como o prémio.

“A fundação teve notícia deste projecto numa escola de arquitectura da Índia e foi a partir de lá que começaram a despertar e incentiva a gente para aproximar desta candidatura e a equipa organizou-se e foi uma grande surpresa ter o prémio de arquitectura sustentável”, asseverou Leão Lopes, lembrando que o edifício foi todo monitorizado, desde o ambiente interno dos edifícios, a temperatura das paredes externas e internas, da cobertura e os materiais de construção foram todos monitorizados.

Para os estudantes e jovens arquitectos, este reconhecimento internacional é uma responsabilidade e uma abertura, não só em Cabo Verde como a nível internacional, acrescentando que os arquitectos mais próximos e colegas ficaram satisfeitos com o prémio e acompanham o que tem estado a ser feito em termos de experiência endógenas a partir de Chã das Caldeiras. A Semana com Inforpress

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