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Caso racial em Portugal: RTP apoia documentário sobre morte do cabo-verdiano Alcindo por neonazis lusos 06 Maio 2021

O antropólogo Miguel Dores está a finalizar uma tese de mestrado e um documentário sobre racismo em Portugal, a partir da história do homicídio de Alcindo Monteiro, português de origem cabo-verdiana, vítima de ódio racial em 1995.

Caso racial em Portugal: RTP apoia documentário sobre morte do cabo-verdiano  Alcindo por neonazis lusos

O antropólogo Miguel Dores está a finalizar uma tese de mestrado e um documentário sobre racismo em Portugal, a partir da história do homicídio de Alcindo Monteiro, português de origem cabo-verdiana, vítima de ódio racial em 1995.

"O objetivo é discutir o passado, uma memória, mas como é que essa memória se reconstrói no presente e como o presente nos obriga a falar sobre este passado", afirmou o investigador e autor do documentário à agência Lusa.

Miguel Dores, 30 anos, formado em Antropologia Visual, está a fazer um mestrado, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sobre a morte de Alcindo Monteiro, num estudo audiovisual que lhe permitiu estender a investigação a um documentário, intitulado "Alcindo".

Segundo ainda a Lusa, a ideia "era fazer um estudo audiovisual, mas fui agregando outras pessoas à produção do projeto, formámos uma equipa e começámos a filmar um documentário, que não só é uma abordagem a esta noite [da morte do jovem], como tem uma análise dinâmica das disputadas racializadas em Portugal, das disputas políticas sobre o racismo em Portugal", disse.

Com o documentário praticamente já rodado, o investigador criou um projeto de `crowdfunding` - angariação coletiva de fundos - na plataforma PPL, para reunir 10.000 euros, de forma a custear a finalização e pós-produção da longa-metragem, que deverá estrear-se em outubro.

"O documentário `Alcindo` não possui qualquer intenção de ser um relato persecutório centrado na violência neo-nazi. Pelo contrário, o filme procura antes de tudo ser uma homenagem àqueles que resistem e àqueles que caem, e que nessa homenagem ilustra a estruturalidade de um conflito", lê-se no projeto colocado na plataforma PPL (https://ppl.pt/alcindo).

A campanha de angariação de fundos começou na quarta-feira, e estender-se-á até 30 de junho.

Miguel Dores explicou que "Alcindo" tenta fugir a uma abordagem sociológica: "Não há investigadores nem ninguém a falar no abstrato. Há pessoas a falarem sobre os seus projetos de vida, como eles estão ligados a esta memória e todas as pessoas têm uma relação pessoal com esta história".

Na madrugada de 10 para 11 de junho de 1995, um grupo de cerca de 50 `skinheads` invadiu as ruas do Bairro Alto, em Lisboa, e atacou com violência várias pessoas, entre as quais Alcindo Monteiro, 27 anos, espancado até à morte.

Onze `skinheads` foram julgados e condenados por homicídio, seis foram condenados por agressões e dois foram absolvidos.

No documentário, Miguel Dores conta com depoimentos da família e amigos de Alcindo Monteiro, do advogado João Nabais, de "militantes antiracistas que começaram a sua atividade naquela altura", como Mamadou Ba, dirigente da associação SOS Racismo, que apoia institucionalmente o filme.

"Alcindo" reúne ainda imagens de arquivo, filmagens de manifestações e a participação de "interlocutores que contam a história do que aconteceu através do seu trajeto de vida e experiência nos anos 1990".

"É um projeto que começa com a noite de 10 de junho 1995, mas que vem até à atualidade e debate Bruno Candé, Giovanni e outros recentes acontecimentos", disse Miguel Dores, citando os casos das mortes do ator Bruno Candé, em 2020, em Lisboa, e do estudante cabo-verdiano Giovani Rodrigues, em 2019, em Bragança, conclui a fonte deste jornal.

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