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Rádio pública francesa recusa "cristão" em mensagem — Natal 2020 tem de ser ’neutro’ 08 Dezembro 2020

Em França, reemerge a omnipresente questão da laicidade sempre que se dá o encontro entre a esfera republicana e a fé, mesmo que seja só à volta da palavra "cristão". Nesta quadra natalícia francesa, arma-se um drama em torno do anúncio da Œuvre d’Orient/Obra do Oriente — um apelo aos dons para ajudar os cristãos da Terra Santa — que a rádio France Inter só publica se for reescrito sem o "cristão".

Rádio pública francesa recusa

Esta segunda-feira, 7, o presidente da organização católica fundada em 1856 para ajudar os cristãos do Oriente publicou um comunicado à imprensa sob o título Os Cristãos do Oriente proibidos de publicar na Radio France.

O presidente da Œuvre d’Orient/Obra do Oriente explica só lhe ter restado esse meio, depois de esgotar todos os seus recursos para dialogar com a direção da rádio pública, a France Inter, uma das antenas da Radio France, que recusa em nome da "neutralidade do serviço público" emitir a publicidade, aliás paga, da Œuvre d’Orient, de ajuda aos cristãos da Terra Santa.

Há uma semana, outra entidade pública, a RATP-Rede dos Tranportes Públicos, alegara também o princípio da "neutralidade do serviço público" para mandar retirar os anúncios afixados nos meios de transporte parisienses.

O escândalo que se seguiu levou a RATP a retroceder e a retractar-se oferecendo mais espaços publicitários à entidade católica.


Princípio da publicidade neutra

Interrogado, o Conselho de Administração da Radio France replica: "Em termos de publicidade, a Radio France como serviço público aplica a lei-quadro prevista nos seus estatutos relativa aos princípio da publicidade neutra sobre questões de cariz religioso, moral ou político".

A rádio pública explicou ainda que nas campanhas de Natal de 2017, 2018 e 2019, e de Quaresma 2020, aceitara difundir os spots publicitários com a menção cristã. Mas que numa operação especial de "apoio ao Líbano" difundida em 30 de setembro último os spots publicitários com a menção cristã tinha suscitado reações hostis, tanto de ouvintes individuais como de coletividades laicas.

"Os ouvintes das antenas da Radio France, muito atentos ao príncipio da neutralidade religiosa, filosófica e política do serviço público, reagiram em grande número questionando a escolha da Radio France".

Por isso, a emissora decide banir toda a publicidade susceptível de levar a acusações de parcialidade. Fontes: Le Figaro/TV5/oeuvre-orient.fr.

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