OPINIÃO

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Reação aos comentários ao meu artigo sobre língua portuguesa 04 Dezembro 2019

Este leitor deveria saber que a Língua Portuguesa é a 5ª Língua mais falada no Mundo e que é uma das Línguas Oficiais da União Africana, da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, da Comunidade Económica dos Estados da África Central, do Mercado Comum da África Oriental e Austral e da Comunidade dos Estados do Sahel-Sara, bem como da União Europeia.

Por: *Adrião Simões Ferreira da Cunha

Reação aos comentários ao meu artigo sobre língua portuguesa

No passado dia 24 de Novembro foi publicado no Jornal A Semana de Cabo Verde o meu Artigo Sobre a Língua Portuguesa na China, que mereceu 2 comentários, lamentavelmente de leitores que se esconderam no anonimato que transcrevo a seguir com a ortografia com que foram escritos, e que, enfatizando que para mim o Pensamento Divergente é um valor inestimável dos Estados de Direito Democrático, e como tal compreendo que o meu artigo possa não merecer a concordância de alguns leitores, não posso deixar de expor a minha reação aos referidos comentários:

1º Comentário- A pior língua do mundo

O portugues eh a pior lingua do mundo que so os mofinados eh as falha, principalmente as que a tentam falar correctamente. A melhor opcao das pessoas que estao nos paises que ja estao catalogados como palop eh abandonar a lingua portuguesa substituindo para uma outra lingua que seja frances, ingles ate mesmo criolo porque o portugues eh uma ligua mofinada. Deus queria que os filhos das pessoas que falam o portugues venham todos aprender falar outras linguas e esquecerem do portugues definitivamente. Tenho um sonho que um dia ate mesmo em portugal nao falam mais o portugues, a lingua mofinada azarada.

Se este comentário pudesse ser submetido a um referendo nos PALOP colocando simplesmente a seguinte opção de resposta: Concordo – Não Concordo, não tenho quaisquer dúvidas que a resposta Não Concordo seria vencedora por uma esmagadora maioria da população, a que acresce que se fosse submetido a aprovação nos Parlamentos dos PALOP seria amplamente reprovado, posto que não consigo imaginar que quisessem substituir a Língua Portuguesa pela Língua Francesa ou pela Língua Inglesa, e não resisto a expressar que acho extremamente disparatado o sonho que o leitor diz ter de que um dia mesmo em Portugal não se fale mais a Língua Portuguesa, não compreendendo qual o significado da sua afirmação de que é a língua mofinada azarada.

Este leitor deveria saber que a Língua Portuguesa é a 5ª Língua mais falada no Mundo e que é uma das Línguas Oficiais da União Africana, da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, da Comunidade Económica dos Estados da África Central, do Mercado Comum da África Oriental e Austral e da Comunidade dos Estados do Sahel-Sara, bem como da União Europeia.

2º Comentário- Jege

Uma visao eurocentrica e como sempre destorcida da historia. Para começar não ha lingua portuguesa, o que ha é uma lingua latina, versao portuguesa. Portugal nunca teve importancia historica e conhecimentos para inventar nada, mormente criar uma lingua. Os povos que criaram uma lingua criaram civilizacoes que deixaram marca na historia tais como romanos, gregos, eslavos, arabes, persas, chineses, maias, etc, etc. As palavras utilizadas pelo portugues e a respectiva caligrafia nao foram criadas no rectangulo luso.

Diz o articulista que os chineses copiaram isto e aquilo do ocidente. Nada mais falso, pois a influencia entre chineses e ocidentais foi mutua ao longo da historia, alias, foram os ocidentais que foram la buscar e nao o inverso. Basta ter em conta que antes do dominio chines e indiano pelos ocidentais, estes praticamentep nada tinham para oferecer e todo o comercio era pago com a prata roubada na america latina, sobretudo na bolivia. A india e a china detinham mais de metade di comercio mundo. O dominio desses paises pelos europeus deu-se somente devido à superioridade militar europeia, baseada em canhoes e polvora, esta de invencao chinesa. Os chineses utilizavam a polvora para fogo de artificio em momentos de festa, os europeus utilizaram-no para matar e dominar os outros. Os europeus desenvolveram sua superioridade militar porque andavam de conquista em conquista, enquanto chineses e indianos viviam em paz nos seus territorios.

Diz o articulista que os chineses copiaram o iluminismo europeu. Nada mais falso, houve emprestimo mutuo, ate porque os pioneiros do iluminismo dormiam com obras de filosofos chineses à cabeceira da cama. Hoje isto é mais que sabido. Foi, alias, de filosofos chineses que os iluministas foram buscar ensinamento contra o obscurantismo religioso reinante na europa.

Antes da chegada das pequenas caravelas portuguesas, os chineses ja tinham esquartilhado o indico e o pacifico com armadas de centenas de navios, inclusive, o tamanho dos barcos permitiam produzir hortalicas a bordo. Foi um imperador \"louco\" que acabou com a marinha chinesa, mandou queimar todos os barcos, plantas e dezenhos de barcos, destruiu estaleiros navais e todo o ensinamento a respeito. Ainda nao se sabe ao certo porque o fez, cre-se, entretanto, que por ciumes do poderio crescente dos comerciantes.

Diz o autor que por causa da corrupcao do governo a china foi submetido a forte influencia do ocidente. Sim, mas nao explorou suficientemente o tema. Passou, ao de leve, sobre a guerra do opio, esquecendo-se ou fingindo se esquecer que foi essa guerra a causa do dominio chines pelo ocidente e a corrupcao do governo. Pois bem, o que foi a guerra do opio?

Na altura a inglaterra dominava a denominada india inglesa que compreendia o terretorio da atual india, paquistao e afganistao. La compravam opio, droga, e vendiam-na na china com elevados lucros o que muito enriqueceu comerciantes e bancos ingleses. O governo chines, vendo que grande parte da populacao estava a ficar drogada e sem capacidade de trabalhar, proibiu tal comercio. Os ingles, vendo-se-lhes escapar a galinha de ovos de ouro, apoiados pelos usa, franca, holanda, invadiu a china, impondo-lhes uma guerra sangranta, na qual foi derrotada, dominada e humilhada. Os chineses foram obrigados a conceder aos ingleses o territorio de hong kong e subordinar o pais a influencia e ao comercio ocidental. Portanto, a corrupcao do governo nao foi causa da submissao ao ocidenten, como afirma o autor, antes, pelo contrario, a corrupcao e a submissao foram consequencia da derrota do pais na guerra do opio.

Desde entao, os ingleses sempre estiveram e estao ligados ao comercio da droga, da qual tiram imenso proveito. Alias, foram eles que a troxeram para o ocidente, os seus comerciantes se enriqueceram com a sua venda, o dinheiro da venda é depositado em seus bancos, que depois concedem emprestimo ao resto do mundo ganhando juros. Criar coligacoes militares para conquistarem, dominarem e destruirem outros paises, à semelhanca do que ocorreu com a china, é uma forma de operar dos ocidentais, sendo os casos mais recentes o iraqui e a libia. É a historia se repetindo.

Diz o leitor que não há Língua Portuguesa, o que há é uma Língua Latina, versão portuguesa, o que me leva a perguntar-lhe se também considera que não há uma Língua Francesa, o que há é uma Língua Latina versão francesa, que não há uma Língua Espanhola, o que há é uma Língua Latina versão espanhola, que não há uma Língua Italiana, o que há é uma Língua Latina versão italiana, e neste contexto convido-o a expressar a mesma opinião aos Franceses, aos Espanhóis e aos Italianos para ver qual a reação que teria.

Quanto aos seus comentários sobre o que no meu Artigo refiro relativamente à China limito-lhe a dizer-lhe que deveria ter tido presente que nessa matéria limitei-me a expressar a opinião da Chinesa Dra. Ye Xinlei na sua Tese para a obtenção do grau de Mestre em Língua e Cultura Portuguesa, orientada pela Prof.ª Catarina Isabel Sousa Gaspar da Universidade de Lisboa, Departamento de Estudos Clássicos. 2017.

Liaboa, 26 de Novembro de 2019
— -
*Estaticista Oficial Aposentado, Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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