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Receitas com imposto do único casino em Cabo Verde duplicaram até agosto 07 Novembro 2022

A receita com o imposto sobre jogos em Cabo Verde, que se aplica ao único casino que funciona no arquipélago, na ilha do Sal, praticamente duplicaram até agosto, face ao mesmo período de 2021, com a retoma turística.

Receitas com imposto do único casino em Cabo Verde duplicaram até agosto

De acordo com um relatório do Ministério das Finanças sobre a execução orçamental, nos primeiros oito meses do ano, este imposto rendeu aos cofres do Estado 36,9 milhões de escudos (337 mil euros), que apesar de ainda permanecer muito abaixo dos valores anteriores à pandemia de covid-19 representa um aumento de 98,5% face ao mesmo período de 2021.

Além disso, o Estado cabo-verdiano já recolheu até agosto 75% de toda a receita com este imposto orçamentada para 2022, que é de 50 milhões de escudos (455 mil euros).

“Esta evolução positiva reflete a retoma da atividade turística, por este ser um imposto fortemente condicionado pelo dinamismo desta atividade”, lê-se no relatório do Ministério das Finanças.

No Casino Royal, em Santa Maria, as cartas e a roleta já voltaram às mesas e mais de oitenta trabalhadores vão retomando um negócio que movimenta 150 jogadores diariamente no Sal, após dez meses de paragem forçada pela pandemia, conforme a Lusa constatou no local em agosto.

“Tudo correu mal em março de 2020. Foi um pesadelo, especificamente para a nossa indústria relacionada com hotéis, com entretenimento em geral. Foi um desastre total, o país fechou as fronteiras durante dez meses, durante dez meses estivemos sem trabalho. Mas tomámos a decisão de manter todos os trabalhadores, todos os salários”, explicou na altura à Lusa o empresário francês Jacques Monnier, que idealizou e ergueu o Casino Royal.

Com 85 ‘slot machines’ e dez mesas de jogo ao vivo, o casino abriu portas em dezembro de 2016, após um investimento privado de quase cinco milhões de euros, agregado ao contíguo Hotel Hilton de Santa Maria.

Ainda hoje o sonho de Monnier, radicado em Cabo Verde há dez anos, é o único casino em todo o país.

“É muito difícil ser o primeiro. E cinco anos e meio depois continuamos a ser o único casino em Cabo Verde e estamos orgulhosos. É algo que funciona muito bem no Sal, que é uma ilha dedicada a férias e com muito turismo”, reconhece o empresário, que nasceu em Paris há 55 anos.

Numa ilha que vive do turismo, que vale também 25% do Produto Interno Bruto de Cabo Verde, o Casino Royal tenta recuperar o movimento anterior à pandemia de covid-19, depois de encerrado de março a novembro de 2020.

Insistindo na ainda reduzida dimensão do mercado do jogo em Cabo Verde, admite que com eventos temáticos que regularmente organiza, o Casino Royal conta com uma afluência diária – das 18:00 às 04:00 – “entre os 150 e os 300 jogadores”.

“É mais ou menos o mesmo do que antes da pandemia, mas jogam 30% menos”, aponta o empresário, reconhecendo que o volume de negócios do casino é hoje apenas 70% do que era antes de março de 2020 e da covid-19.

Ainda assim, e com o turismo em recuperação desde o último trimestre de 2021, garante que há margem para “melhorar os resultados”, desde logo através de uma forte campanha publicitária em curso em toda a ilha do Sal.

“Quando abrimos o casino esperávamos, inicialmente, 15% de jogadores locais e 85% de turistas. E no final do dia temos 25% de locais e 75% de turistas. Isso significa que temos de – é o que estamos a tentar no momento – mostrar às pessoas que vêm ao Sal que podem divertir-se num casino cá”, afirma.

Localizado na zona do jogo da ilha do Sal, aquele casino tem um período de concessão para 25 anos, dos quais sete são em regime de exclusividade.

“O Sal recebe algo como meio milhão de turistas por ano. Por isso, se conseguirmos uma percentagem [desses turistas], diria entre 5 e 10%, com esse valor, estaríamos muito contentes”, acrescenta Jacques Monnier.

Para o empresário, mais de cinco anos depois da abertura do casino, junto ao areal mais procurado de Santa Maria, e mesmo que dois desses anos vividos em plena pandemia, esta foi uma “oportunidade espantosa”.

“Porque mais de 50% das atividades turísticas [em Cabo Verde] são no Sal. Por isso, no final do dia, o que é que as pessoas estão a fazer aqui? Durante o dia as atividades em toda a ilha, e são muitas, e vão à praia. Mas com o fim do dia temos de ocupar as pessoas e em Cabo Verde o que é mais importante? Música, sim. Mas também podemos fazer outras coisas e o casino é uma alternativa”, garante.

O empresário também apresentou recentemente uma proposta para atribuição de uma licença para um segundo casino no arquipélago, na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente.

Cabo Verde atribuiu até 2021 duas concessões, para a zona jogo do Sal e outra para a zona de jogo de Santiago, no âmbito da lei de jogos, que define cinco zonas permanentes do jogo, em Santiago, São Vicente, Sal, Boavista e Maio.

Contudo, o único em funcionamento é o Casino Royal, na ilha do Sal.

A Semana com Lusa

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