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Referendo traz à luz Bougainville mais independente de Papua-Nova Guiné —Minas de ouro cobiçadas pelos EUA e China 25 Novembro 2019

República de Bougainville, mais um país-arquipélago vem aí. Ou talvez não, tudo depende da opção vitoriosa e do tempo, como lembrou no sábado de manhã o presidente da região, John Momis. Os resultados só devem ser publicados em 15 de dezembro, uma semana depois de terminada a votação iniciada sábado, 23, em que mais de duzentos mil bougainvillenses espalhados por dezenas de ilhas, ilhotas, no arquipélago da Melanésia começaram a votar no referendo em que têm de decidir ou por maior autonomia ou pela independência face a Papua-Nova Guiné.

Referendo traz à luz Bougainville mais independente de Papua-Nova Guiné —Minas de ouro cobiçadas pelos EUA e China

A dispersão da população — que está a ser deslocada durante uma semana, para poder votar — explica a duração do ato eleitoral em que vão decidir o seu destino nacional os duzentos e sete mil eleitores da até agora província de Bougainville, a ilha maior do arquipélago outrora conhecido como Ilhas Salomão Norte, a nor-noroeste da Nova Guiné.

As televisões internacionais mostraram no início da manhã de domingo imagens de mais de um milhar de bougainvillenses, que esperavam na fila a abertura da sessão de voto em Buka.

Entre milhares de pessoas que desembarcavam em Buka vindas em botes de outras ilhas, Olitha Mokela, de 54 anos, com uma grinalda de flores ao pescoço, exultava com a oportunidade de escolher o destino da sua nação.

“Estou tão feliz!” disse Vou festejar e a banda vai tocar e eu vou estar a dançar até votar.”, disse esta habitante à reportagem online da Associated Press.

A mesma reportagem dá conta da festa que se prepara com a matança do porco e o desmanche de bovinos. É em Tinputz, onde se juntaram pessoas de povoados vizinhos preparados para festejar a vitória da sua opção.

Ou a independência ou mais autonomia. Na esperança de poderem decidir se a exploração mineira irá estar ao serviço do desenvolvimento da economia da região.

Minas de ouro no centro da guerra civil

O referendo acontece dezoito anos depois de ter sido prometido pelo governo da Papua-Nova Guiné. Promessa feita em 2001, na assinatura do tratado de paz que punha fim aos longos anos da guerra civil — iniciada nos anos de 1980, com a criação do BRA, partido pró independência. Morreram na guerra mais de vinte mil pessoas, quase um décimo da população do arquipélago de Bougainville.

A guerra opôs nacionalistas de Bougainville contra as forças governamentais da Papua-Nova Guiné, um e outro lado apoiados por mercenários.

A explicação está nas minas de ouro, o que leva a prever que a independência de Bougainville pode transformar o território numa nova frente de confrontos entre a China, Estados Unidos e Austrália, no Pacífico Sul.

Fontes: CNN/ABC.au/outras referidas. Fotos: Festejos espontâneos dos nacionais de Bougainville — do nome do explorador francês que no século XVIII explorou a ilha descoberta por uma expedição hispano-porutugesa. — ávidos de independência acompanham a ida às urnas, afirmam enviados especiais de órgãos de comunicação internacionais. A independência face à Nova Guiné faz sentido dado que os habitantes têm mais afinidade com as ilhas Salomão do Sul.

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