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Refugiado congolês representa Suécia na Eurovisão —Extrema-direita ataca-o 22 Maio 2021

A Suécia passou a primeira prova a 13 de março, dia em que 3,6 milhões de espetadores selecionaram o cantor Tussé para representar o país no festival da Eurovisão, cuja final acontece este sábado, 22. O congolês que aos cinco anos fugiu da guerra no seu país natal — para não perecer como os pais — e aos sete a Suécia acolheu é, aos 19 anos, alvo de ataques xenófobos "nauseabundos" vindos da extrema-direita, que assombra o país da solidariedade exemplar.

Refugiado congolês representa Suécia na Eurovisão —Extrema-direita ataca-o

A Suécia que em 2021 atribuiu ao cantor Tussé nada mais nada menos que 2 964 269 votos, um recorde na história do concurso, tinha em 2009 atribuído o estatuto de refugiado ao menino de sete anos Tousin Michael Chiza.

Para trás o órfão tinha deixado a família reconstituída, com a tia e os primos, que ele chama irmãos e irmãs. Dois anos antes, em 2007 tinham fugido de Kinshasa para o Uganda, onde permaneceram num campo de refugiados, que para o órfão representa ainda hoje uma fonte de boas recordações: "Tinha a escola, tinha amigos, os adultos cuidavam de mim. Cantava na igreja onde cada acontecimento feliz era celebrado. Ainda hoje a música é a esperança", refere a fonte deste jornal.

A versão do Uganda que Tussé guarda na memória é bem diferente da dos primos: "Os meus irmãos e irmãs eram mais crescidos e só se lembram da fome e do medo", disse.

De mão em mão

Tussé conta que entre 2009 e 2015 o sistema de segurança social fê-lo andar de mão em mão, de uma família de acolhimento para outra. Ele não se alonga, mas lê-se nas entrelinhas.

"Por fim em 2015 recebi uma mamã bónus, uma família de sonho" numa aldeia remota, Tällberg, com 900 habitantes. O seu lar desde há seis anos parece saído de um postal, com as casinhas de madeira pintadas de vermelho, as florestas e os lagos.

Mas se o reverso dessa imagem idílica são os neonazis do Movimento de Resistência Nórdica nessa região do condado de Dalecarlia, Tussé também sabe o que é resistir e às palavras de ódio responde à sua maneira: "Eu sei o que é viver sem nada, por isso agarro todas as oportunidades", disse.

Sonho de cantar na Eurovisão desde 2010

Há onze anos que Tussé sonha com a Eurovisão, como ele revelou à correspondente do Le Monde em Malmö, na sexta-feira, 21.

"Tinha 10 anos e vi pela primeira vez o concurso. Adorei tudo, a música, o espetáculo. Era um outro mundo, com essa cantora mágica que é a Loreen a cantar Euphoria. Desde aí, sou um fanático da Eurovisão".

"A minha mamã bónus, mamã Vitoria, inscreveu-me no concurso ’Sweden got Talent’ sem eu saber. Tinha catorze anos. Um dia telefonam-me e dão-me a notícia de que me selecionaram, nem queria acreditar", revela à Le Monde.

Agora a Eurovisão acontece-lhe sem ele dar por isso, como diz nas entrevistas no YouTube. Um sonho realizado "mesmo se em vez de ganhar eu vier a ficar no último lugar".

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