REGISTOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Regresso do talibã Abdul Ghani Baradar nº2 e provável nº1 — "Parem de incentivar saída dos nossos talentos" 27 Agosto 2021

O mulá Baradar, número-dois do movimento islamita em 1996 aos 28 anos, é tido vinte e cinco anos depois por moderado. No entanto, ainda não revelou quais as suas ideias sobre o que pretende para o Afeganistão de hoje, reveladoras duma sua eventual evolução após ter sido apeado do poder no pós-’9/11’. Certo é que o seu regresso no dia 21 ao palácio presidencial, uma semana depois da entrada triunfal dos soldados do novo Emirado, é tão temido por uma boa parte dos seus compatriotas que preferem fugir.

Regresso do talibã Abdul Ghani Baradar nº2 e provável nº1 —

A chancela (carimbo oficial) de moderado acompanha o mulá Baradar, o número-dois do poder a seguir ao chefe do movimento, Haibatullah Akhundzada, pelo menos desde maio de 2019, quando liderou as negociações entre os talibãs apeados em 2001 e os responsáveis do governo afegão.

Mas a memória dos eventos de há vinte e cinco anos ainda está presente entre os afegães que estão a protagonizar pungentes cenas de desespero no aeroporto da capital afegã. Além das mães que em desespero estão a entregar os filhos aos soldados, há relatos que dão conta da fome e sede que enfrentam uma parte de dez mil que abarrotam o aeroporto de Cabul/Kabul: uma garrafa de água e um prato de arroz custam 40 e cem dólares respetivamente, segundo a CNN.

Mulá é o título do doutor em lei islâmica, que regula toda a vida na sociedade tradicional. E como tal, a temida figura da repressão que entre 1996 e 2001 esteve no poder e reprimiu toda a iniciativa e expressão dos afegães ávidos de modernidade.


Talibãs pedem aos ocidentais: "Parem de incentivar a fuga de talentos"

Agora os talibãs estão de volta e diante da fuga desesperada a que o mundo assiste nas imagens do aeroporto de Cabul, a tendência é para o mundo livre apoiar os que sofrem em nome da liberdade.

Mas do outro lado, os talibãs pedem aos países estrangeiros para deixarem de incentivar os afegães a deixar o país sob o novo poder. Pedem também aos nacionais que saíram — um processo longo que começou em 1979 com a invasão soviética — para regressaram ao seu país porque, afirmam, o Afeganistão precisa deles.

"Voltem e recuperem a vossa casa, o vosso trabalho, a vossa vida. Não vai acontecer-vos nenhum mal, não há perigo. Para nós a guerra acabou e temos de viver juntos".

Esta quarta-feira, o porta-voz do governo de transição, Zabihullah Mujahid expressou em comunicado dirigido aos "ocidentais" na televisão pública afegã: "Nos vossos países vão integrar a mão de obra barata. Aqui precisamos deles, do seu talento para desenvolver o Afeganistão".

Quanto aos estrangeiros que querem partir, "eles são livres". O aeroporto "está aberto para eles, mas não para os afegães", rematou Mujahid.
— 
Fontes: AP/AFP/TASS/RT.ru/Le Figaro. Foto (Reuters) de Abdul Ghani Baradar captada em Moscovo em maio de 2019, durante as negociações entre os talibãs apeados em 2001 e os responsáveis do governo afegão.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project