REGISTOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Rei Sargon da Acádia, Moisés bíblico, sucessivamente o bebé salvo das águas 08 Junho 2019

Aviso: dois parágrafos, um quarto bem medido, a fazer de preâmbulo.

Rei Sargon da Acádia, Moisés bíblico, sucessivamente o  bebé salvo das águas

Bebés salvos. A comunidade em Lisboa conhece o Supermouse, encontrado à porta da casinha no último andar, onde manda a dona A. A mãe de filhos já crescidos criou esse bebé de dias que lhe puseram à porta. Criou-o, com noites mal dormidas, dias de preocupação porque o menino tardava ou preguiçava ou andava em más companhias. Criou-o até "dar homem”. Com gritos talvez, mas que a rua não ouviu, coisa habitual nessa senhora, que assim já criara os filhos, cujo sucesso se media por terem deixado vagos os dois estreitos quartos e rumado para a outra margem.

Supermouse é como o pai adotivo o batizou, nos finais dos anos de 1960 numa rua perto de São Bento. O bairro da travessa da peixeira, nome comum e nome próprio, onde o emigrante sem juízo viveu a sua saga, como a conta ao ‘compadre’ em tom vivace. A biografia dum kriol do nosso virgílio Manuel d’Novas. O episódio lisboeta com expulsão e tudo que é a fronteira onde põem as personae non gratae.

O preâmbulo contemporâneo ajuda a dar o passo seguinte. E é numa só linha avançar quarenta e tal séculos, com a ajuda de reconstituições atuais descritas em arquivos virtuais ’maravillha (fatal?) da nossa idade’.

A ciência histórica conseguiu reconstituir a biografia do rei Sargon da Acádia/Akkad que viveu no século XXIV a.C. Num universo paralelo ao nosso mítico Jardim das Hespérides.

Mais perto ainda desse 2334 a.C, o paralelo bíblico. Intertextos a cruzarem-se na transmissão oral de experiências, com o fito de justificar a resiliência ante os infortúnios traçados por um Deus castigador?

Este Moisés, bebé salvo das águas!, não o criou a filha do faraó, mas um jardineiro do palácio de Ur-Zababa, rei de Kush.

O bebé no berço-barco cresceu para se tornar Sargon o Grande, à medida das suas conquistas. De terras de que se apossou desde a região sul dos rios da Babilónia, Mesopotâmia chamada. Subiu no mapa para conquistar a Síria, a Anatólia. Voltou-se para leste a descer e tomou Elam, no ocidente iraniano.

Acalmado o ardor territorial, viu que era empo de assentar para que o império prosperasse. Chamou sábios que ora lhe aplaudiam ora lhe refreavam as ousadias inovadoras na administração e condução de homens.

Foto: Cabeça de bronze do rei da Dinastia Acadiana Antiga. Foi desenterrada neo deserto de Níneve (no atual Iraque). Figura no Museu Nacional do Iraque, em Bagdad. LS

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project