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Reino Unido: Aos 14 anos "vendida duas vezes por noite" — Prostituição de menores chega ao Parlamento 15 Mar�o 2018

Novas revelações estão a ser feitas nos média ingleses, entre eles a BBC, nesta quarta-feira, 14, sobre a investigação jornalística de 18 meses a uma rede de prostituição que vitimou mais de mil crianças do condado de Shropshire, traficadas desde os anos de 1980 até 2017. O caso foi levado ao Parlamento em Londres pela deputada Lucy Allan, e em audiência a uma comissão especializada "Holly" contou que dos 14 aos 17 anos "ia duas vezes por semana a uma clínica de saúde reprodutiva para tomar a pílula do dia seguinte e nunca ninguém fez perguntas".

Reino Unido: Aos 14 anos

A investigação do Sunday Mirror concluída no passado mês, e depois reproduzida em vários órgãos, um deles a BBC, dá conta que os abusos atingiram maiores dimensões na "rede de Telford" em que crianças da localidade foram "aliciadas por um grupo de homens ingleses de origem asiática" para atividades de cariz sexual, crime de lenocínio agravado por serem menores.

O caso foi levado ao parlamento pela representante do condado, para quem as vítimas aliciadas eram "brancas, com origem na classe trabalhadora e economicamente vulneráveis". Uma das vítimas, "Holly", testemunhou que entre 2007 e 2009 em Telford fora "vendida para ter sexo duas vezes por noite".

Incúria das autoridades? A jovem relatou que dos 14 aos 17 anos "ia duas vezes por semana a uma clínica de saúde reprodutiva para tomar a pílula do dia seguinte e nunca ninguém fez perguntas".

Divergências sobre o número de agressores e de vítimas

O relatório apresentado pela deputada referiu que em Telford registaram 100 vítimas e 200 agressores (proxenetas e compradores). O ministério do Interior indica que em 2015 a cidade de Telford ( com 170 mil habitantes) tinha a taxa mais alta do país de crimes sexuais contra menores.

A investigação jornalística de 18 meses relata que há mais de mil crianças do condado de Shropshire vítimas de exploração sexual desde os anos de 1980 até 2017.

Contra esses números, a polícia da cidade, pela voz do Superintendente Tom Harding, referiu que "nós na polícia sabemos a escala de exploração sexual sobre crianças" em Telford.

Indicou esta fonte da polícia à BBC que a sua organização juntamente com as autoridades locais em Telford estavam a ajudar "cerca de 46 jovens" vítimas de exploração sexual ou "em risco de virem a ser".

Sobre as acusações de negligência feitas por vítimas ouvidas por uma investigação independente — que acusaram a Polícia de ter recusado registar queixa e até de obstruir as suas tentativas para identificar os agressores "porque têm medo de ser acusados de racismo"—, o responsável policial replicou:

"Nós, na Polícia, aprendemos muito sobre o assunto e investimos muitos recursos para resolver o problema". "Os agressores não são apenas asiáticos, são de todos os estratos sociais e em idêntica proporção à composição" da sociedade inglesa.

Vítimas eram aliciadas com telemóveis

Os sete homens da rede de Telford com idades entre os 21 e 60 anos foram acusados em 2013 a penas de prisão entre dez e vinte anos. A sua ação estendia-se a quase toda a Inglaterra, com migração da prostituição para outras cidades. As meninas mantidas na condição através de ameaças, agressões, fornecimento de drogas e álcool tinham idades entre 13 e 16 anos.

Tudo começava com uma aproximação feita pelos criminosos mais jovens que criavam um clima de namoro a que se seguia a usual oferta de um telemóvel à "namorada". Depois o "namorado" oferecia-a a outros homens, que pagavam. Dos clientes, a abeirar as duas centenas, apenas um foi levado a tribunal.


"Compromete o futuro", dizem ginecologistas

"Holly" relatou ter durante três anos tomado "duas vezes por semana" a ’pílula do dia seguinte’. Ora, se os fabricantes referem que deve ser tomada o máximo "uma vez num ciclo", o bom senso deve levar as pessoas a perceber que o seu uso é somente em caso de emergência. Uma vez na vida. Melhor nunca. A educação sexual ainda falta em países do primeiro-mundo, que diremos dos outros?

"Os efeitos sobre a sua saúde vão decerto surgir a longo prazo", como refere a literatura médica. Os efeitos sobre a saúde reprodutiva/fertilidade podem vir a ser catastróficos.

"É de uma total ignorância pensar que é bom para a saúde tomar um fármaco concebido para uso em caso de emergência", diz um artigo da Universidade de Sussex. "Uma mulher pode vir a pagar o resto da vida por uma conduta irrefletida na sua juventude".

"Pode até ser que o fabricante diga que se pode tomar uma vez num ciclo menstrual. Mas os médicos dirão que a verdade é que ainda não sabemos os efeitos a longo prazo sobre a saúde", refere um estudo da Harvard Medical School sobre a ’pílula do dia seguinte’.

A educação sexual ainda falha em países do primeiro-mundo, que diremos dos outros? A educação é, pois, o grande desafio do nosso tempo e disso a sociedade anda alienada.

Fontes: BBC/sites das instituições referidas

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