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Reino Unido: Mais Ásia menos Europa — PM apresenta "Grã-Bretanha Global" 24 Mar�o 2021

Boris Johnson saiu à rua, na famosa ’Downing Street’ da governação britânica, com a volumosa "Revista Estratégica sobre Segurança, Defesa e Política Externa" que visa definir as orientações do governo para o próximo decénio. Johnson cala-se sobre a Europa e é assertivo na viragem diplomática e militar que ambiciona para a zona do Índico e Pacífico no horizonte do reino britânico.

Reino Unido: Mais Ásia menos Europa — PM apresenta

Cinco anos depois de romper com o seu próprio continente, através do Brexit que vendeu aos seus concidadãos com a promessa de uma nova ordem mundial conduzida pela Global Britain/Grã-Bretanha Mundial, mas sem um conteúdo claro, Boris Johnson diz agora que tem um plano para "reinventar o lugar do Reino Unido no mundo atual".

O documento prospetivo defende uma viragem diplomática e militar rumo ao eixo do Índico e Pacífico e afirma a ambição do Reino Unido de voltar a desempenhar "orgulhosamente só" a liderança global.

Johnson afirma a sua confiança na capacidade do seu país em "modelar o mundo do futuro".

Europa por 50 anos

Em 2016, Johnson rompia com cinquenta anos da sua história. A da integração na Europa em 1976, iniciada com a retirada do Suez.

Renunciava-se assim à ambição de ser a potência planetária que antes das duas grandes guerras proclamara ser, sob o estandarte vitoriano de "O Império onde o sol nunca se põe".

A mais global de todas as economias do G7?

"A Grã-Bretanha é a mais global de todas as economias desenvolvidas", disse Boris Johnson referindo-se à alta proporção de cidadãos do Reino Unido que vivem no estrangeiro.

Segundo esta definição, o país é o mais global entre os demais G7. Mas segundo indicadores económicos estritos como fluxos de comércio e investimento, fica claro que a Grã-Bretanha não é o mais global entre os países do G7.

Reputação manchada

A imagem do Reino Unido está por estes dias a ser desafiada, mundo fora, devido a uma série de eventos.

Um, relativo a detenções por alegada violação das medidas de distanciamento social, a começar pelo homicídio de Sarah Everard (foto) no dia 03 por um polícia que a abordou por alegado incumprimento das regras do recolher obrigatório. No dia 13 correu mundo uma série de imagens de pessoas de rosto no chão, com polícias a sujeitá-las com o joelho (foto), durante a vigília pela mulher de 33 anos, vítima de violência policial.

Dois, a gestão da pandemia de Covid-19 que desde há um ano colocou o país no topo dos mais afetados por infeções e óbitos, seguido do surgimento da variante britânica. Mais: apesar de estar entre os primeiros a alcançar o objetivo de lançar a primeira vacina anti-Covid e de ter vacinado 35% da população (o quádruplo da UE), este avanço está a ser minimizado diante da crescente desconfiança suscitada pela vacina anglo-sueca Astrazeneca.

Três, o folhetim Meghan-Harry que escancarou o mal-estar do casal inter-racial na sociedade e realeza britânicas. E, de súbito, as atenções mundiais viram-se para o tema do racismo no reino que se orgulha da "relação exemplar" com as suas mais de cinquenta ex-colónias simbolizada na a comunidade de mais de 2,4 mil milhões de pessoas. Em vez disso, o mundo assistiu a uma oportunidade perdida de sinalizar a Commonwealth como verdadeira comunidade de povos diversos.

Fontes: BBC/Le Monde/ Washington Times/... Fotos (Getty/AFP): Concebida por Boris Johnson, a ’Grã-Bretanha global’ visa estreitar laços com a estratégica Ásia (Índia, maior produtora mundial de vacinas), intervir no Pacífico (onde o grande aliado EUA está de prevenção contra a China). Mas há nódoas a macular o tecido: a gestão da pandemia, entre avanços e retrocessos, a oportunidade perdida de sinalizar a Commonwealth como verdadeira comunidade de povos diversos.

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