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Reino Unido: Theresa May sofre novo revés no Parlamento que aprova proposta trabalhista para adiar Brexit sem acordo — Horas antes do encontro com Corbyn que a pode salvar 05 Abril 2019

229 dum total de 238 deputados trabalhistas ganharam — por 313, com 14 votos ‘tories’, contra 312, com 290 votos ‘tories’ e 9 na sua ala (Labour) — a votação, na noite de quarta, 3, que adia a saída britânica da União Europeia, escassas horas antes do encontro em curso na quinta-feira, 4, entre May e Corbyn para a colaboração — embora tardia — entre governo e oposição no Brexit. A votação surpresa adia mais uma vez o Brexit fixado para 29 de março e de novo para daqui a uma semana, sexta-feira, 12.

Reino Unido: Theresa May sofre novo revés no Parlamento que aprova proposta trabalhista para adiar Brexit sem acordo — Horas antes do encontro com Corbyn que a pode salvar

A proposta submetida ao parlamento na quarta, 3, pelo partido de Corbyn ganhou — tangencialmente, por um voto. E logrou, além do apoio do SNP, dos Independentes e dos Verdes, contar com votos de catorze conservadores descontentes com a sua líder, Theresa May, no já antológico processo do ‘Brexit’.

Horas antes, na quarta de manhã, foi o secretário de Estado Nigel Adams a bater com a porta, no que deve ser já décima demissão desde que David Cameron saiu no pós-referendo de junho de 2016. Adams diz-se indignado com a "traição" que é este "acordo com um marxista que nunca colocou o interesse do país em primeiro lugar".

A infatigável May na luta pelo Brexit é uma imagem que atravessa o reino, não obstante a tida já como a pior derrota dos Tories no Parlamento.

A primeira-ministra incansável entre Londres e Bruxelas, com Paris, Berlim, Haia e outras capitais pelo meio, na luta pelo acordo no Brexit é uma imagem que atravessa o globo. E se no reino, May tem sido alvo das piadas mais agrestes, dos trocadilhos mais ácidos. May Way, em homofonia com My Way, o meu caminho/caminho da MAy, May Day, a evocar o dia festivo em maio, de celebração da deusa romana Flora e que os britânicos mantêm como tradição.

É a evocação do ’May Day’, afinal cinco dias de festiva ‘Floralia’ entrelaçada com a local Beltane até hoje celebrada desde os tempos da ocupação por Júlio César da ilha de Albion, como uma ’história de exemplo moral’ sobre a tradição europeia renegada que redunda em derrota. A moral da história ensinará algo a May-Corbyn? Veja a seguir, no segundo dos três entretítulos.

Um 29 de março adiado três anos após referendo

Mais um revés a somar ao da votação parlamentar da última sexta-feira, 29, em que a maioria, 344 deputados, contra 286, rejeitaram o acordo de retirada negociado entre o governo do Reino Unido e a União Europeia.

Rejeitada a proposta, revista mais uma vez, para que o texto incluísse apenas o mais abrangente que é o ‘divórcio’ com a União Europeia, mesmo essa concessão do executivo liderado por May — que visava convencer os membros do parlamento sobre a capacidade da primeira-ministra controlar o processo — acabou por se revelar insuficiente.

“Creio que deveria ser um motivo de profundo pesar para todos os membros desta Câmara o facto de, uma vez mais, não termos podido apoiar a saída de forma ordenada", afirmou Theresa May ante a terceira derrota, desta vez encurtada para 58 votos. No dia em que, note-se, o Reino Unido deveria sair da União Europeia – se tivesse sido cumprido o cronograma elaborado após o referendo de 26 de junho de 2016.

Impasse do Brexit não aproveita à oposição

Ante o impasse do processo que desespera os pró-Brexit enquanto os contra-Brexit clamam por novo referendo, bem que os Labours (do Partido Trabalhista - Labour Party), tentam colar o projeto ao governo ’Tory’ (do Partido Conservador - Conservative Party), no poder desde 2010.

A verdade é que tanto a eurofilia quanto a hostilidade britânica contra a União Europeia não conhecem fronteiras partidárias,como mostrou o referendo de junho de 2016: entusisasta do Brexit, boa parte do eleitorado trabalhista votou ‘sim’, mesmo com Corbyn, o líder eleito no ano anterior, a apelar ao voto ‘não ao Brexit’.

Aliás, como a biografia de Jeremy Corbyn indica, o agora líder dos trabalhistas era um eurocético, que pensava e dizia: “A EU é uma conspiração capitalista neoliberal” que “desde sempre sofreu de sério défice democrático”, isto em 2008.

A oposição do deputado Corbyn começou em 1975 quando votou contra a integração no Mercado Comum, a designação então da futura ‘União Europeia’, contra a qual tornou a votar contra os tratados de Maastricht, “que tira o poder de dirigir a política económica aos parlamentos nacionais para os dar a um punhado de banqueiros, sem critério” e de Lisboa, respetivamente em 1993 e 2004.

Mas Corbyn tem uma justificação: “Posso ser crítico mas estou convicto de que que precisamos continuar a ser membros” da EU. Isto disse em 2016 nas campanhas pelo “Não” ao Brexit. Três anos depois vai sentar-se para trabalhar com Theresa May para o país sair da ameaça dum danoso Brexit sem acordo.

Impasse à parte, trocadilhos à parte sobre a PM May (veja o primeiro dos dois entretítulos acima), esta afinal consegue ganhar o respeito dos seus concidadãos a crer nas sondagens que mostram que recupera alguma aprovação da opinião pública. Portanto, o impasse, por si só, não vai derrotar os Tories nas próximas eleições, a crer em sondagens e analistas dos principais jornais de referência.

Corbyn alvo dos páras "inaceitável"

Governo e oposição reúnem-se esta quinta-feira, 4 para conjuntamente — mais vale tarde… — trabalharem no Brexit. Mas antes e no mesmo dia em que TM convidava e JC aceitava trabalhar com ela para a saída do impasse, eis que o ’inaceitável’ acontecia a 4647 quilómetros de Londres.

Em Cabul, um grupo de paraquedistas ingleses no treino para a luta contra os talibãs servia-se de um poster de Corbyn como alvo. À porta do nº 10 de Downing Street, May condenava esse comportamento dos páras de Sua Majestade no Afeganistão — ’inaceitável’.
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Fontes: Le Figaro/ BBC/Le Monde/DW.de/El País. Foto (Reuters): No parlamento em Westminster na sexta-feira, 29, dia em que, segundo o cronograma, o Reino Unido deveria sair da União Europeia. LS

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