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Reino da Tailândia: Estudante pró-democracia desafia monarquia — "Temos todos o mesmo sangue vermelho" 18 Setembro 2020

"Ninguém tem sangue azul": palavras ditas a uma audiência de estudantes da universidade da capital do Reino da Tailândia. Mas o seu alcance é tremendo e a estudante "tremia, à espera do que se ia seguir" porque no reino tailandês constituem "crime de lesa-majestade" punível com até quinze anos de prisão.

Reino da Tailândia: Estudante pró-democracia  desafia monarquia —

Panusaya Sithijirawattanakul, de 21 anos (de microfone na foto central), relatou hoje (5ªfª, 17) à BBC em Bangkok/Banguecoque o medo que sentiu ao apresentar há três semanas o manifesto em dez pontos "chocantes", que vão desde exigir que a monarquia possa ser fiscalizada pelas instituições eleitas, preste contas do orçamento, evite interferir na política.

A apresentação no ambiente familiar da universidade onde estuda, revelou ela à BBC, seria algo inimaginável há quatro anos. "Fui sempre muito tímida" até mudar, graças a um programa de intercâmbio nos Estados Unidos, onde ficou quase um ano.

A estudante contou também da satisfação que foi ver milhares de colegas a aplaudir o agora famoso manifesto pró-democracia dirigido à monarquia. Mas teme pela sua segurança, pois sabe dos nove estudantes desaparecidos e dois cujos corpos foram encontrados num rio depois de protestos contra o governo militar em 2014.

Panusaya agora é "seguida 24 horas por dia, seja no campus, seja no dormitório por polícias à paisana". Mas ela afirma reconhecê-los "por causa do corte de cabelo e por estarem sempre a fotografar-me", descreve.

O desafio à tradição em nome da modernidade está, pois, a ser conduzida por estudantes universitários. Estes que nos últimos meses têm saído à rua (foto à d.ta), com o gesto "três-dedos" que simboliza a reivindicação de democracia — revisão da constituição, liberdade de expressão e fim da intimidação pelos militares.

Todos estes estudantes que pedem a renovação do regime monárquico tailandês afrontam a tradição milenar pela qual o povo se refere ao rei e família real apenas de forma reverente.

A simples menção ao rei Maha Vajiralongkorn, de 68 anos — e que desde a sua ascensão ao trono, em 2016, se chama Rama X (décimo) —, ou a membros de primeira linha da família real deve ser sempre demonstrativa da afeição que o povo de súbditos nutre pelos "representantes eleitos no Céu para governar a Terra".

Perante uma ordem real, até o mais ousado partido da oposição se curva. Isso aconteceu com o partido Raksa, da oposição, que fez marcha-atrás perante a ordem do rei contra a escolha da sua irmã primogénita, a princesa Ubolratana, como cabeça-de-lista para as eleições legislativas de 24 de março do ano passado.

Monarquia com 8 séculos

No reino do Sião, fundado em 1238, a família Chakri mistura monopólio na economia e realeza, desde 1782.

Na economia tai, os Chakri operam através dum conglomerado empresarial que vale 60 biliões de dólares. O rei Bhumibol, que até à morte em 2016 era listado como o monarca mais rico do mundo, ‘só’ legou 60 bn aos dois filhos: o novo rei, Maha Vajiralongkorn, e a princesa Ubolratana – que chocou o país ao anunciar a candidatura a primeiro-ministro (Tailândia: Rei impede irmã de concorrer a eleições para cargo de primeiro-ministro, 10.fev.019).

Fontes: BBC/DW. Fotos: As manifestações pela renovação democrática do regime monárquico marcadas pelo gesto simbólico "três dedos" têm levado a contra-manifestações pelos numerosos tailandeses pró-monarquia — na foto da esqª exibem o poster do casal real, Rama X (décimo) e a sua quarta esposa.

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