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Reportagem/Centro de Solidariedade da AAQS em São Vicente: Número de beneficiários aumenta com Covid-19 e mais apoios precisa-se 01 Junho 2021

Desde o início da pandemia de Covid-19 em Março de 2020, o desejo de carenciados receberem uma refeição quente diária aumentou significativamente em São Vicente. A Associação Aos Que Sobrevivem (AAQS) viu assim o número de pessoas que beneficiam da alimentação regular a crescer, mas alguns apoios que vinha a receber diminuíram com a pandemia de novo coronavírus. Ou seja, o que inicialmente era gasto com o Projeto Casa de Sopa da AAQS para se alimentar 20 pessoas idosas, passou para mais de 60 beneficiários, incluindo crianças e pessoas em situação de pobreza extrema e desemprego. Com a crise, algumas pessoas retiraram os apoios que vinham dando à AAQS, isto devido a dificuldades financeiras e problemas de saúde. A coordenadora do projeto, Luísa Helena Neves, afirma estar grata pela solidariedade que muitos continuam a prestar aos necessitados através da AAQS, realçando que, se até ao momento, a organização conseguiu suprir alguma necessidade alimentar dos carenciados, foi graças a esta gente que acredita na “solidariedade humana”. Critica, no entanto, que não tem beneficiado de qualquer apoio por parte do Governo.

Por: Arménia Chantre/Redação

Reportagem/Centro de Solidariedade da AAQS em São Vicente: Número de beneficiários aumenta com  Covid-19 e mais apoios precisa-se

Em entrevista ao Asemanaonline, a coordenadora do Projeto, Luísa Helena Neves, conta que, o projeto Casa de Sopa da AAQS nasceu de uma necessidade que foi constatada em São Vicente, principalmente na questão dos idosos com alguma dificuldade em termos de alimentação, particularmente aqueles que viviam na rua.
Inaugurado em 2014, este espaço situado no mercado de Monte Sossego, nasceu, primeiramente, para 20 pessoas idosas, através de uma seleção, e visita ao domicílio dessas pessoas.

Agora, aponta, são 63 beneficiários na lista da associação que, de segunda a sexta-feira das 11h a 12h30, recebem uma ementa diversificada e saudável desde canja de galinha, sopa de lentilha, arroz com cavala ou atum, sopa de legumes, canja de peixe, feijoada de lentilha, massa com peixe ou carne.

A responsável ouvida por este jornal informa que a maioria das pessoas com deficiência mental e física, e alguns beneficiários do projeto são portadores de doenças crónicas, tais como hipertensão, diabetes, colesterol, anemia, entre outros. A ideia é, segundo afirma, garantir a alimentação dos beneficiários da lista, que também inclui crianças de famílias em situação de muita pobreza e desemprego.
Mesmo assim, sublinha a coordenadora, desde o começo da covid-19, a população beneficiária está a aumentar e os apoios a diminuir.

“Estamos numa situação de rutura, mas há aqueles que continuaram firmes porque senão tínhamos que fechar as portas da Casa de Sopa e doí-me muito pensar nessa possibilidade,” lamenta a mesma fonte, acrescentando que primeiro há que garantir a refeição dos que estão na lista, depois àqueles que procuram a Casa pela primeira vez.

Apoios e parceiros do projecto

A fonte referida explica que, mesmo com os patrocínios de MOAVE, Fama, Câmara Municipal de São Vicente, Frescomar, ENACOL e pessoas anonimas, não tem sido fácil acompanhar, em tempos da pandemia de convid-19, o número de pessoas que, a cada dia aumenta, procura cada vez mais do espaço.
“Não temos nenhum patrocínio dos serviços do Governo ligados à família e/ou à terceira idade. Nós não temos um subsídio real que nós podemos contar”, critica esta responsável.

«Carlos Espirito Santo, presidente da AAQS, que vive em Luxemburgo, disponibiliza cerca de 200 euros mensalmente, desde o início da criação da nossa associação.
Com a pandemia, por questão da segurança dos voluntários e das pessoas, o Centro de Solidariedade optou por mudar o estilo da atribuição da refeição quente. Para evitar aglomerações, essas pessoas trazem os seus recipientes para colocarmos as suas refeições e comerem em casa ou outro lugar”, completa.
A agremiação conta ainda com uma parceria muito especial do Centro de saúde de Monte Sossego, que faz a ementa desenhada por uma Nutricionista.

Reciclagem – Juntar o útil ao agradável

Em relação aos recipientes, a agremiação recorreu a ajuda de terceiros, através de patrocínios de tigelas, uma vez que alguns beneficiários não os dão o devido tratamento e higienização, no entanto, a casa diz estar receptível a ofertas de recipientes.

Luísa frisou a grande dedicação de Dona Ivanilda que é voluntária e mesmo com limitações em termos da saúde, não tem poupado esforços em reutilizar embalagens de leite recolhidas nos vizinhos do seu prédio para transforma-las em recipientes adaptadas a levar a ementa do dia.

“Dona Ivanilda nos propôs recolher embalagens de leite vazias para recicla-las e transformando-as em recipientes para colocar refeição”, sublinha, adiantando que, esta ideia resolveu muito o problema das tigelas que estavam em falta ou que outras precisavam ser renovadas.

Principais problemas

Entretanto, o aumento de pessoas na casa da sopa veio trazer outras preocupações. Luísa Neves destaca que a insuficiência de panelas já é um momento de “saturação” em que “uma panela de comida já não chega para tanta gente”.

As despesas aumentam, logo a falta de mais apoios está a dificultar muito o centro e a falta de ajuda para conseguir dar vazão ao número de pedidos que têm, também é bem visível neste contexto pandémico.

Uma outra questão, destaca, prende-se com uma ou outra pessoa acamada, em que muitas vezes não conseguimos fazer chegar a refeição a elas, e não temos como fazer a entrega por falta de transporte.

Apelo para mais solidariedade

A responsável da Associação Aos Que Sobrevivem apela á sociedade civil para ter “mais consciência social” não só em relação projeto em causa, mas também de uma forma geral, por considerar que “há pessoas que estão a sofrer duas vezes por causa da pandemia”.

Luísa Helena Neves faz questão de realçar a necessidade de sermos mais solidários e mais responsáveis, e principalmente no aspeto familiar, e não deixar que os nossos idosos vão para a vivência da rua.

“Eu sinto feliz por poder ajudar e é uma sensação que só quem o faz de coração sabe o que é isso”, finaliza a coordenadora da Associação Aos Que Sobrevivem, com sede na cidade do Mindelo -São Vicente de Cabo Verde.

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