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Reservas internacionais de Cabo Verde crescem em 2022 e 2023 03 Novembro 2022

O banco central cabo-verdiano espera um crescimento de 26 milhões de euros nas Reservas Internacionais Líquidas (RIL) até 2023, apesar das consequências da crise inflacionista provocada pela guerra na Ucrânia.

Reservas internacionais de Cabo Verde crescem em 2022 e 2023

“Com efeito, prevê-se que, em 2022, o ’stock’ das RIL do país aumente em torno dos 18 milhões de euros, garantindo 6,8 meses de importações e, em 2023, em torno dos oito milhões de euros, garantindo 6,3 meses de importações de bens e serviços projetados”, lê-se no mais recente relatório de política monetária do Banco de Cabo Verde (BCV), consultado hoje pela Lusa.

O documento acrescenta que as RIL – em moeda estrangeira, necessárias para pagar bens e serviços ao exterior – aumentaram já no primeiro semestre do ano, em 102,9 milhões de euros, chegando a 620,6 milhões de euros, permitindo garantir, até finais de junho, 6,5 meses das importações de bens e serviços.

Contudo, os efeitos da inflação “importada” – Cabo Verde importa cerca de 80% dos alimentos que consome e recorre a combustíveis fósseis importados para produzir 80% da eletricidade de que necessita – devem reduzir o crescimento dessas reservas, segundo o BCV.

“Refletindo os preços elevados das matérias-primas energéticas e dos alimentos no mercado internacional, bem como, as pressões decorrentes da reabertura da economia e das restrições na oferta, os preços no consumidor deverão aumentar até o final do ano, podendo a taxa de inflação média anual atingir os 8,1% em 2022. Para 2023, espera-se que a taxa de inflação média anual reduza para os 4,2%, tendo em conta o decréscimo dos preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares em linha com a evolução dos preços dos futuros”, justifica ainda o banco central.

As RIL cabo-verdianas aumentaram 20% no último trimestre de 2021, para quase 623 milhões de euros, garantindo então mais de oito meses das importações de bens e serviços, segundo dados anteriores do BCV.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística - setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago - desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

Em 2020, registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021 impulsionado pela retoma da procura turística. Para 2022, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, nomeadamente a escalada de preços, o Governo cabo-verdiano baixou em junho a previsão de crescimento de 6% para 4%.

Contudo, o BCV anunciou em 28 de outubro uma revisão em alta da previsão de crescimento económico este ano, para 8,3%, com a inflação a cifrar-se em 8,1%.

A Semana com Lusa

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