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Resolução a condenar invasão russa da Ucrânia chumbada no CS da ONU 26 Fevereiro 2022

A reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas desta sexta-feira 25 —para condenar a invasão e exigir a saída imediata e incondicional das tropas russas na Ucrânia — saldou-se por um chumbo à Resolução, mas serviu para comprovar o grande isolamento do "agressor". A Resolução co-redigida pelos Estados Unidos e Albânia foi aprovada pela grande maioria dos membros do órgão, mas a Rússia exerceu o seu direito de veto.

Resolução a condenar invasão russa da Ucrânia chumbada no CS da ONU

Apesar do insucesso, a reunião acabou por mostrar que a Federação Russa está mais isolada que nunca. Onze dos quinze membros do Conselho votaram a favor da Resolução, três abstiveram-se — China, Emirados e Índia. Oitenta e um países não votaram mas apresentaram-se como "apoiantes" da proposta americano-albanesa.

O Brasil — destacam os meios de comunicação social no maior país da Lusfonia — está entre os oitenta e um países que apoiaram a proposta de condenação. Uma decisão arrancada a ferros a Bolsonaro que no princípio da semana visitara Moscovo.

Apesar do intento comercial que era assegurar que a Rússia vai manter o contrato de fornecimento de fertilizantes — crucial para o estratégico setor do agronegócio brasileiro —, a viagem de Bolsonaro não pôde deixar de ser interpretada como uma ação favorável ao homólogo Putin.

O Estado de Israel, que é hábito votar com os Estados Unidos em instâncias semelhantes, desta vez não cedeu aos argumentos do "melhor amigo de Israel" e votou contra a Resolução. É que colocar-se contra a Rússia teria um custo elevado para o país cuja defesa aérea assenta, em grande parte, na proteção oferecida pela aliada Rússia que controla o espaço aéreo da Síria através do qual Israel pode defender-se de e atacar com mísseis o inimigo Irão.

Pressão da China fez suavizar texto condenatório

A Resolução redigida pelos Estados Unidos e Albânia foi objeto de longas negociações perante a ameaça da China de votar "não" à proposta veemente contra a Rússia.

Xi e Putin têm estado a alinhar pelas mesmas políticas — tidas pelo ’Ocidente’ como anti-democráticas —, como se viu mais recentemente com o comunicado conjunto contra a "expansão da NATO e as atividades militares na região Ásia-Pacífico". No entanto, nesse texto de cinco mil palavras não consta qualquer menção à Ucrânia — omissão tida como indicativa da intenção da China de manter-se à margem da invasão russo-ucraniana.

Fragilidade da ONU

A ofensiva da Rússia contra a Ucrânia mostra a total impotência da ONU para resolver qualquer problema que envolva um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia), consideram este sábado especialistas em geoestratégia.

Fontes: AFP/AP/Le Monde/Estadão.br/Reuters. Foto: Conselho de Segurança da ONU reunido na sexta-feira, 25, para votar resolução condenatória da invasão russa à Ucrânia — que não passou.

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