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Responsabilização em Cabo Verde, o calcanhar de Aquiles 09 Junho 2019

O nosso Parlamento é o palco das acusações, mas nunca as coisas saiam dali, para terem o desfecho que deveriam ter. Daí as coisas tornam-se repetitivas, estando um ou o outro no poder. O que ouvimos são insinuações e acusações que não passam de agressões verbais e, às vezes, físicas, dos dois lados, com mais assentos parlamentares, para tentarem responsabilizar onde ninguém é responsabilizado.

Por: Efrem Soares

Responsabilização em Cabo Verde, o calcanhar de Aquiles

Responsabilização em Cabo Verde vem sendo o calcanhar de Aquiles, porque os partidos políticos não a permitem! Cabo Verde nasceu torto e as referências políticas não têm interesse em mudar o rumo das coisas e, mesmo que no seu seio exista quem queira que haja responsabilização, a base corrupta que se alastrou a elimina e decerto que têm as suas razões.

O nosso Parlamento é o palco das acusações, mas nunca as coisas saiam dali, para terem o desfecho que deveriam ter. Daí as coisas tornam-se repetitivas, estando um ou o outro no poder. O que ouvimos são insinuações e acusações que não passam de agressões verbais e, às vezes, físicas, dos dois lados, com mais assentos parlamentares, para tentarem responsabilizar onde ninguém é responsabilizado.

O Parlamento só vai funcionar bem no dia em que as outras instituições passarem a trabalhar bem e isentas.

Exemplo: Se a Justiça, a fiscalização das Finanças Públicas, a fiscalização de bens e obras públicas, o Tribunal de Contas, as Agências Reguladoras, a Presidência da República, as Mídias, etc. se estas e outras instituições exercerem os seus papéis, responsabilizando os responsáveis danadores dos bens públicos, tenho certeza que o Parlamento passará a assumir o seu papel de fiscalização politica e de criação de leis que irão de encontro com a justiça do património social. Só com essas ações é que poderemos sonhar com um Parlamento onde haja trabalho de dar gosto de ouvir.
Ouve-se, nestes dias, pelas bocas dos analistas, atrelados aos partidos políticos, que o crescimento da economia do País não é real, porque não é sentido no seio das populações. Mas, pudera! Até parece que estão desatentos e nem perceberam que a medida que está causando o desenvolvimento da economia e a circulação do dinheiro é o alargamento da base tributária, que está acontecendo e que esperamos continuar a aumentar.

O seu efeito não é percebido no imediato, mas sim com as outras medidas que esperamos estar a caminho, como ouvi ontem da boca dos analistas presentes, no programa televisivo, que pareceram mais focados a fazerem um trabalho isento.O que vai fazer com que o povo no geral e a classe empresarial em particular passem a sentir esse efeito são as diminuições dos preços dos bens essenciais na vida das famílias e das empresas, designadamente, energia, água e combustível, principalmente este último, de que o nosso país é totalmente dependente.

Outra medida que está sendo levada a cabo, é a de tirar o dinheiro do povo do lugar onde nunca deveria estar com acesso às minorias e coloca-lo junto do seu próprio dono, “povo”, investindo na saúde pública, ao acabar com as ruas de terra batida, criação de espaços verdes, saneamento de águas negras e recolha e tratamento de resíduos sólidos, disponibilização de água potável e energia elétrica às populações, bem como mobilização de mais águas para a prática da agricultura, para que possa haver saúde, sem estar a gastar os parcos recursos em medicamentos, hospitais e evacuações.

Com a contribuição de todos os cabo-verdianos para os cofres do estado e com Governos e Câmaras Municipais que, deveras, querem lutar para a criação de uma justa base de igualdade social, onde certamente será construída uma plataforma alargada, em que ninguém jamais deve viver debaixo da mesma, como fazem noutras paragens, exemplo: Dinamarca e outros países Escandinavos. Aí veremos os resultados das medidas e acredito que com o tempo o País se tornará sustentável.

O tão propalado quarto ou quinto, sei lá, Poder em Cabo Verde, “Jornalismo”, quer é sombra, ar condicionado e água fresca.

Cabo Verde, ao longo dos tempos, tem demonstrado ser um País de ideias, mas a plataforma corrupta criada e existencialista é que não deixa essas ideias singrar.

Lembro que anos atrás, num dos meus artigos, ao falar da Empresa Electra, que começava a enxergar a luz no fundo do túnel, incitei a Ministra das Finanças da altura a seguir as peugadas da mesma e alargar a base tributária em Cabo Verde, lembrando que menos de 50% da população contribuía para o bem comum. É claro que ignorou o meu incentivo porque, em Cabo Verde, os pés descalços nunca tiveram vez nem voz.

Acho que algumas medidas, que estão sendo tomadas por este Governo, são boas e deve continuar na mesma senda e com alguma ponderação, tendo em conta a fragilidade do País e a desonestidade de muitos que estão na esfera da governação, por isso deve fechar o cerco, no controlo do dinheiro público, que muitos estão aproveitando da situação para gastá-lo, como se fossem os donos dos bens públicos. Daí a nossa alerta na necessidade das pessoas em Cabo Verde passarem a ser responsabilizadas pelos seus atos.

Nunca é demais lembrar do exemplo do Ministro, que, num dos países escandinavos, foi para fora do governo e julgado, por terem encontrado um recibo de um café, nas contas do seu ministério, o que foi considerado de abusivo, por ser em benefício próprio.

Cidadão atento, Efrem Soares.

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