OPINIÃO

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Resultados das autárquicas na Praia: Contagem Regressiva! 19 Novembro 2020

Enfim, foram muitas ações deliberadamente executadas pelo MpD para afundar o partido na Praia, enquanto o PAICV subiu pelas escadas o MpD despencou de elevador! ...e o que dizer do caso de São Vicente agora, hein??? OMG!!!

Por: João Silvestre Alvarenga/Quintino Lopes Castro Tavares*

Resultados das autárquicas na Praia: Contagem Regressiva!

De fato, a disputa foi emocionante quase voto a voto até ao final da apuração. Porém, o candidato do MpD, incumbente, declarou-se imensamente surpreendido com os resultados finais e que todas as informações de que dispunha lhe garantiam vitória com ampla vantagem.

Por outro lado, o candidato desafiante do PAICV, considerou que estava à espera daquele resultado porque percebia uma crescente adesão à sua campanha por todos os lados por onde passava.

O que aconteceu (ver quadro no roda pé desta peça), afinal?

Com efeito, das oito eleições autárquicas verificadas nesse Município, o MpD venceu cinco e o PAICV três. Os ventoinhas retomaram a governação da Praia há 12 anos e se mantiveram no cargo com sucessivas vitórias expressivas com maiorias confortáveis tanto na Câmara Municipal quanto na Assembleia Municipal.

Para as eleições de 2020, o MpD seguiu o lema popular “em equipa que ganha não se mexe” – lançando o candidato incumbente, Oscar Santos, à sua própria sucessão.

A entourage de Oscar Santos estava tão confiante no desempenho de sua governação e em resultados eleitorais amplamente favoráveis ao ponto de desafiar a líder do maior partido adversário, PAICV, a apresentar seu nome a candidatura à Camara Municipal da Praia.

Aparentemente, os tambarinas sentindo-se acuados, fizeram balões de ensaio com uns dois potenciais candidatos mas recuaram e apresentaram a candidatura de Francisco Carvalho, não se sabendo se por estratégia ou por mero acaso.

A euforia nas hostes ventoinhas era tanta que o líder, Ulisses Correia, chegara a expressar que pretendia alcançar a vitória nas 22 Camaras Municipais no último pleito.

Em Setembro 2020, Maika Lobo solta uma sequência de supostas sondagens que davam, invariavelmente, vitórias aos candidatos ventoinhas contra seus adversários.A previsão da vitória do MpD seria de 61,1% contra 30,9% para o PAICV, na Praia, a escassos dias das eleições. Não poderia haver melhor notícia para as bandas ventoinhas! Com essa previsão eleitoral arrasadora contra o principal adversário, o PAICV, não seria estranho ao MpD se colocar em cima de um “salto alto” e preparar o champanhe para comemorar a vitória retumbante no dia das eleições.

Supondo que 99,99% dos casos em que um incumbente se apresente com tamanha vantagem nunca ocorrera qualquer surpresa, seria esperado acontecer uma grande vitória ventoinha, nesse ano, na Praia.

Não obstante ser difícil e rara as viradas eleitorais ou perdas expressivas de votos em tão curto espaço de tempo no mundo e em Cabo Verde, há, porém, registos dessas situações: Brasil, 2003 – eleições presidenciais; Espanha, 2004 – eleições Legislativas.

Pelo histórico dos últimos resultados eleitorais na Praia, seria avisado ao MpD estar mais atendo à tendência duma contínua, constante e expressiva perda de eleitores de eleição para eleição.

Tal perda de eleitorado para o MpD estava ocorrendo em paralelo à perda de eleitorado para o PAICV. A arrasadora vitória eleitoral autárquica do MpD, em 2016, ocorrera nem tanto pelo mérito do MpD e mais por falhas do PAICV: os tambarinas perdem mais votos das Legislativas para as Autárquicas de 2016 do que a perda do MpD no mesmo período.

Em 2020, o PAICV (totaliza 17.000 votos) volta a recuperar parte do eleitorado (6.000 eleitores) perdido desde 2016, não obstante, ter ficado aquém do patamar dos 23.000 votos alcançados 2008 por Felisberto Vieira, porém, insuficientes para alcançar Ulisses Correia e Silva que ganhara por uma estreita diferença nessa altura.

Nessas eleições Autárquicas de 2020, jamais um partido esteve em condições tão favoráveis quanto o MpD para vencer no Município da Praia, de igual modo, foi surpreendente, porém, a competência, o talento e a mestria que os ventoinhas tiveram para fazem de tudo o que fosse possível e inimaginável para perderem e realmente conseguiram com relativo êxito tal intento (PAICV 17.000 votos e MpD 16.000). Mas, para conseguir perder uma eleição assim com tamanha vantagem à partida, há que ser profissional de alta qualidade porque tal empreitada não pode ser obra de amadores e nem de principiantes, senão vejamos:

1. O MpD governando num país democrático e em estado de direito democrático com o primado da lei e do direito, ciente de que se estava a viver um período de exceção com a declaração do estado de emergência em que algumas liberdades e direitos dos cidadãos são suprimidos ou condicionados e ao Estado – Governo é-lhe atribuído mais poderes, a Câmara Municipal se arma até aos dentes com guardas, policias e militares fortemente armados para derrubar casas de pessoas indefesas – mulheres, crianças e expô-las ao relento e risco de contágio em plena pandemia da Covid19!? A desproporcionalidade na demonstração de força, não obstante, eventuais irregularidades ou ilegalidades na ocupação de terrenos ainda que, juridicamente, amparada, politicamente, abre avenidas para outras interpretações e consequências políticas negativas;

2. A demostração da “musculatura” da autoridade se estende às inúmeras denúncias contra a atuação dos guardas municipais por parte das vendedeiras ambulantes; da insensibilidade da Câmara aos reclamos dos taxistas, hiacistas, de um lado, e doutro lado, a super benevolência aos poderosos;

3. Pessoas próximas ao MpD soltam uma sondagem que projetava em Setembro de 2020 uma vantagem de 53.000 para o MpD contra 27.000 para o PAICV nas eleições de Outubro passado. Supostamente, os ventoinhas perderiam cerca de 40.000 votos em um mês, de Setembro a Outubro, mais votos do que o total de votantes (38.228)! Uma sondagem estimada sobre um eleitorado que 56% se absteve, mais 3% que votou branco ou nulo, mais uma média 5% que não estava recenseado para votar e um número indeterminado de migrantes que transitam na cidade! Mais de 70% dos potenciais inquiridos não foram às urnas mas os ventoinhas se contentaram em saber que perderam as eleições mas que têm muitos apoiantes em casa!!!

4. Estatuto Especial da Praia – O MpD leva uma lei fraturante ao Parlamento que causou furos no casco do grupo parlamentar e uma cratera na sociedade. Perde na votação e fica com o ônus de explicar a contradição de ter chumbado por duas vezes anteriormente essa mesma lei!

5. Lei de paridade – será que se ponderou devidamente quem entrou e quem saiu das listas autárquicas?

6. Pandemia – à progressiva e dolorosa degradação dos indicadores de qualidade de vida da população foram respondidas com programas de distribuição de máscaras recusadas pelas vendedeiras e a famosa inauguração do lavabo do mercado municipal!

7. Afastamento do povo mensurado pelos estudos da afrobarometer alertara a existência duma situação de alienação política, porém, os estrategistas mpdistas desprezaram o lançamento dum número elevado de candidatos oposicionistas quase três vezes superior à média nacional e nem deram ouvidos aos reclamos dos militantes!

8. Comunicação infeliz e desastrosa do Óscar da “Praia não pode parar” contra “Praia para todos” – inclusão: as enchentes na Jamaica, morte de uma criança e destruições pela cidade pelas chuvas de Setembro colocaram em crise todos os desfiles de inaugurações das obras urbanas dando substância ao processo de desconstrução da imagem de tocador de obras – praça pintado ca ta cumi.

9. Oferta enganadora de dinheiro no Sucupira aos rabidantes em tempo proibido por lei e vetado pela CNE ;

10. Subida em “salto alto” e dispersão das “tropas” enquanto se decorria o processo eleitoral.

Enfim, foram muitas ações deliberadamente executadas pelo Mpd para afundar o partido na Praia, enquanto o PAICV subiu pelas escadas o MpD despencou de elevador! ...e o que dizer do caso de São Vicente agora, hein??? OMG!!!
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* João Silvestre Alvarenga – Doutor em Antropologia e Mestre em Ciência Política
* Quintino Lopes Castro Tavares – Doutor em Direito/UFRJ

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