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Reportagem sobre turismo/Cidade Velha: Sinais de início da retoma económica, mas operadores estão preocupados com variante Ómicrom 20 Dezembro 2021

Operadores turísticos da Ribeira Grande de Santiago mostram-se relativamente animados quanto aos sinais da retoma do turismo e consequentemente da atividade económica nesse concelho da parte sul da ilha maior do país. Mas muitos dizem-se preocupados com a nova variante Ómicron de Covid-19, que tem afetado muitos países europeus e também os principais mercados emissores de turistas para Cabo Verde.

Reportagem sobre turismo/Cidade Velha: Sinais de início da retoma económica, mas operadores estão preocupados com variante Ómicrom

Fazendo uma comparação com a situação anterior, aproximadamente há dois anos em que a pandemia esteve no seu auge, os operadores turísticos locais ouvidos por este jornal entendem que a situação mudou de forma significativa. É que, segundo eles, na ocasião sentiram-se mesmo estagnados, desencorajados e sem nenhuma luz, embora tinham a esperança de que a situação iria mudar, realçando que, de certa forma, mudou agora para melhor.

Segundo o munícipe Joel, um funcionário do restaurante “Santiago Fishing", na Cidade Velha constatou-se que, no início do mês de novembro do ano 2021, registou-se um número considerável de turistas. Mas revelou que agora já não se tem visto muitos turistas, isto por causa da época festiva do fim-de- ano, como o Natal, em que os visitantes tiveram que voltar ao país de origem.

Realça que a cidade património imaterial da humanidade não teve só presença de turistas, mas também de nacionais que normalmente visitam e procuram os produtos e serviços locais – tem havido um certo equilíbrio entre nacionais e estrangeiros que procuram a Cidade Velha como sendo um destino turístico importante na ilha da Santiago.

Fiscalização e mais procura de peixes

« A nível da gastronomia, os serviços que mais os visitantes procuram são almoços e jantares, consumindo mais peixes, como garoupa e Salmão, bem como carnes. No tocante a bebidas, procuram mais o vinho em dias variáveis. Recebemos uma certa quantidade de pessoas, no restaurante. Na terça-feira, registamos menos consumidores e no sábado a quantidade de pessoas tende a aumentar no espaço», descreve o entrevistado deste jornal.

à nosa reportagem, Joel fez questão de realçar que sem turistas não há clientela e nem a procura dos serviços que «Santiago Fishing» presta. Segundo ele, isto acaba refletindo no seu próprio ordenado, porque se a casa não faturar não haverá vencimento.

«Desde o início da pandemia temos cumprido com as normas sanitárias: uso do álcool-gel, presença com uso obrigatório de máscaras», informa. A mesma fonte garante que algumas instituições nacionais têm inclusive feito o trabalho no terreno para fiscalizar o bom funcionamento dos serviços. « O IGAE nos visitou algumas vezes, procurando ver se temos cumprido com as normas exigidas», exemplifica.

Para Joel, não tem comparação entre antes da pandemia e a situação agora com a pandemia - antes era melhor e as pessoas podiam viver com actividades geradoras de rendimento.

Conforme apura a reportagem do Asemanonline, os artesãos locais também sofreram e ainda sofrem as consequências da pandemia do Covid-19. «Na rua principal da Cidade Velha há muito que não se via nenhum turista», comenta, por sua vez, «Djulai», um artesão local.

O entrevistado deste jornal diz, no entanto, que ainda é cedo para falarmos da retoma turística no sentido lato da palavra, tendo em conta a nova variante da pandemia, Ómicron, que apareceu recentemente.

Fecho de voos e quebra nas vendas

«Tínhamos recomeçado no ano passado, as coisas estavam indo bem, e no verão situação melhorou um pouco, mas os visitantes foram embora. Agora com esta nova variante Ómicron, os voos que mais dão dinheiro já estão a fechar - os de Marrocos, por exemplo, já estão suspensos e a TAP não está a aguentar mais com as ligações aéreas», alerta

Djulai» avança que em fins-de-semana os operadores têm recebido alguns turistas e nacionais, mas não em número elevado, realçando, mesmo assim, que tem sido melhor do que nada.

Segundo ele, o impacto da pandemia foi dura e causou vários constrangimentos. Considera que os operadores do sector do turismo contaram, no entanto, com alguns apoios do Governo. Cita os dez mil escudos que receberam do programa do cadastro social único, algumas cestas básicas e também apoio moral. «Estamos aqui e não pagamos nada a nível de espaço para colocarmos os nossos produtos. Tudo isto ajudou, de certa forma, a aguentar a crise», admitiu.

Referindo-se ao cumprimento das restrições sanitárias impostas pelas autoridades, «Djulai» disse que no início seguiam as regras à risca, mas que agora já estão mais relaxados, usando apenas máscaras para atender clientes, mas nem sempre usam o álcool-gel.

«Antes da pandemia a situação era melhor, mas agora tudo está difícil. Há dias veio um barco de turistas, mas quatro passageiros acabaram por testar positivo e não se desembarcaram em São Vicente», salienta.

Quanto aos produtos artesanatos mais procurado pelos turistas, são, segundo «Djulai» aqueles Imã para colocar no frigorífico, as casinhas do Fogo com lava vulcânica e algumas bolsas de Coco.

«Em média, por dia conseguimos faturar dois mil escudos, às vezes menos ou mais, isto dependendo do movimento e fluxo das pessoas», revela.

Os comerciantes informais da Cidade Velha dizem-se também afetados pela pandemia. Maria da Cruz, uma vendedeira na rua do Pelourinho, disse que os turistas até estão a vir, mas que não têm comprado muito os seus produtos.

«Desde o início da pandemia que não vinha nenhum barco com turistas. Em novembro de 2021 chegou um primeiro navio e os turistas visitaram a Cidade Velha, mas não compraram nada do meu produto. Eu vendo frutas e doces. Os turistas visitaram os monumentos históricos, levaram algumas peças do artesanato e regressam depois ao país de origem», descreve a mesma fonte, para quem alguns nacionais compram, no entanto, laranja da terra, mangas, papaias, entre outros produtos.

Maria da Cruz reconhece, por seu turno, que Governo tem ajudado alguns operadores a ultrapassar a crise. Confessa que ela própria foi contemplada com o cadastro social, tendo a sua dívida de luz e água sido liquidada.

Avança que com o fraco movimento de pessoas não tem lucrado muito. Fazendo uma comparação com a situação vigente antes da pandemia, Maria da Cruz ilustra que vendia entre quatro a cinco mil escudos por dia, mas hoje não consegue chegar mil escudos por dia.

Edna Almeida Menezes (estagiária)/Redação

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