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Reportagem Ribeira Grande de Santo Antão/Extração de areia negra: Uma necessidade inimiga da natureza 19 Setembro 2021

A praia da zona de Mão Pra Trás da Ribeira Grande de Santo Antão já viu anos banhada de areia negra ao longo da orla marítima. Um extenso areal que convidava seus moradores e residentes de outras paragens a desfrutar o mar, principalmente no verão. No entanto, ao longo dos anos, a praia continua sendo o sustento de muitas famílias, onde a extração mais se intensifica no verão em momentos que há muita areia ou a praia se resume a “cascalho”. Com ou sem pandemia, a necessidade de extrair a areia sempre esteve presente nos mais novos e nos mais velhos. Acarretado a essa necessidade está os preços que são considerados “injustos”, conforme os apanhadores, que estão conscientes de que essa prática não é saudável à praia, mas que as necessidades financeiras falam mais alto.

Por: Arménia Chantre/Redação

Reportagem  Ribeira Grande de Santo Antão/Extração de areia negra: Uma necessidade inimiga da natureza

De passagem a Praia de Mão Pra Trás, o Asemanaonline conversou com alguns extraidores da areia, que desde às 8h da manhã garantem “o pão de cada dia” da família.

Américo Delgado de 33 anos e pai de um único filho, que há 10 anos faz a atividade, diz que trabalhar em obras era insuficiente e decidiu trabalhar por conta própria, extraindo areia, abraçando a vantagem de estar perto de casa. “Desenrascar” nesta atividade é a forma que Américo encontrou para sustentar a família.

Quando abandonou a escola aos 17 anos, Samuel Mota com atualmente 32 anos, não tem a extração de areia como principal atividade, juntando-se a esta outras atividades pontuais. O mesmo conta que a extração da referida inerte não é feita todos os dias.

“Sei que o extração não é algo bom para a natureza, mas é uma fonte de rendimento de muitas famílias”, afirma o jovem que, no entanto, avança que, existe “muita concorrência desleal” quando se fala de preços, ou seja, os compradores vão recorrer sempre aos preços baixos.

A inexistência de uma tabela de preços dificulta as vendas, situação que Samuel Mota considera ser “injusta”, pois a extração implica estar exposto a horas no sol, durante dias a fio e o peso da areia que “prejudica as costas”.

Samuel denuncia ainda a presença de menores de idade na extração da areia, o que a seu ver “é errado e lugar de crianças é na escola”.

Sem mencionar nomes encontramos dois menores de idade, um de 17 e outro de 16 anos, que vê essa prática como sendo um “hobbie” para preencher o tempo e ganhar algum dinheiro. De férias escolares, está o jovem de 16 anos, e já o de 17 anos que abandou o ensino básico muito cedo, e que recentemente se tornou pai, diz que esta prática é a parte do sustento da família.

“Há muita procura, mas a quantidade de areia é muito baixa em habituais pontos de apanha e venda”, afirma o condutor Valdemir Gomes que negoceia preços com os apanhadores e faz o transporte desta matéria-prima que é usada, essencialmente, na construção civil.

Preço injusto e impacto ambiental

Valdemir diz que o preço varia consoante a capacidade de cada viatura e os valores estão entre 2000$ e 12000$00 e cada saco de areia custa 100$00.

O condutor, explica a fonte deste jornal, faz a compra de areia negra na zona de Mão Pra Trás e em uma praia que fica próxima à antiga lixeira Municipal, zona entre Mão Pra Trás e Sinagoga.

Mas há uma exeção. Na Praia de Penha de França, há muitos anos, é proibida a apanha de areia, e conforme avançou Gomes, neste momento a praia apresenta boa extensão de areia.

Mesmo neste verão, os apanhadores de areia dizem que a praia de Mão Pra Trás já teve “tempos bons”, onde a abundância atraia muita extração, e, consequentemente, a procura era muita. Acrescentam, no entanto, que o que se verifica nesta época são pequenas extensões de areia, que ao primeiro sinal é extraída.

Segundo fundamentam os entrevistados deste jornal, esta atividade de extração de areia, mesma causando impacto ambietal negativo, tem sido para muitos uma forma de driblar o desemprego - o governo nem o municipio garatem trabalho para o sutento das familias, especialemnte as mais carenciadas do concelho.

Entretanto, passados alguns dias depois da passagem da reportagem deste jornal ao local, a praia Mão Pra Trás já se encontra preenchida por mais uma boa extensão de areia, o que tem atraído mais pessoas para negociar os preços da mesma.

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