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Ribeira Grande de Santo Antão: PAICV indignado com ausência da governação e falta de políticas públicas locais para o desenvolvimento 26 Maio 2018

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) da Ribeira Grande de Santo Antão mostra-se indignado pela ausência de uma atitude construtiva por parte da governação local. Maria Teresa Cruz, primeira secretária do partido “Estrela Negra” no Concelho, considera, este sábado, 26, que a gestão municipal se encontra carregada de contradições em relação às promessas feitas ao longo das campanhas, com destaque para as não cumpridas no concernente à habitação social, cultura, criação de emprego, espaços de lazer, entre outras areas.

Ribeira Grande de Santo Antão: PAICV indignado com ausência da governação e falta de políticas públicas locais para o desenvolvimento

Para o maior partido da oposição, as promessas das campanhas eleitorais não passaram de “conversas fiadas”. A lider local aponta o dedo ao atual edil Orlando Delgado por continuar a cometer os mesmos erros quanto às políticas de governação no concelho. “Ao longo das campanhas eleitorais prometeram melhores condições de vida aos ribeira-grandenses, concretamente em relação à habitação social, cultura, criação de emprego e espaços de lazer. Até a data não se passaram de promessas e o Presidente da Câmara continua a cometer os mesmos erros em termos de políticas de governação, culpabilizando o anterior governo central pelas suas fraquezas governamentais a nível local, na tentativa de desviar a atenção dos munícipes”, aponta.

Sector da Habitação Social - um mal crónico

O PAICV da Ribeira Grande denuncia que este sector social continua a ser um “mal crónico”, por causa da incapacidade de resposta e da ausência de um Plano Estratégico capaz de responder aos inúmeros pedidos dos munícipes. “Nota-se, de forma clara, uma desigualdade enorme em termos de respostas aos pedidos de habitação social, pois a capacidade de resposta da autarquia tem sido mínima, devido à ausência de um Plano Estratégico para responder as reais necessidades. Urge reavaliar as carências das zonas rurais em relação à habitação social, sobretudo no apoio social”, critica, exigindo que o Presidente da Câmara local dê uma explicação clara aos ribeiragrandeses sobre o sector e o Plano Estratégico, no sentido de minimizar a problemática que aflige os munícipes.

Diminuição demográfica e outras perdas

Outra inquietação do maior partido da oposição cabo-verdiana relaciona-se com o a diminuição da população local de Ribeira Grande. É que Maria Teresa Cruz, mostra-se indignada com o abandono permanente da população local. “O Concelho está a perder a sua população perante o imobilismo do município. Se antes, atirava a pedra ao governo anterior, hoje embala no “vamos fazer” e na realidade nada é feito para contornar esta situação. É caso para dizer: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, manifesta.

Aliás, com base na análise dos dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INECV), o PAICV sustenta que a tendência da população daquele Concelho é diminuir e que deverá ter em 2030 menos pessoas. “Nos últimos tempos, Ribeira Grande tem sido um Concelho de perda. Perde a população, perde a dinâmica, perde as forças vivas, perde a dinâmica das cidades. Quem não se lembra da movimentação que antes se registava no principal centro da cidade de Ribeira Grande, dos encontros culturais nocturnos, das conversas sociais, das trocas de experiências?”, argumenta.

Falta de saneamento com estagnação

Inconformado com a actual situação por que passa o município e a governação local, a oposição exige uma eficiente iniciativa e programação para a manutenção de estradas de penetração (de Figueiral, Fajã de Matos /Ribeirão, Chã de Pedras), criação de espaços verdes, reabilitação de jardins das praças, criação de espaços de lazer e de um parque infantil, entre outros programas relacionados com a saúde pública.

“No tocante a resíduos sólidos, verifica-se que o lixo junto aos contentores contínua a acumular-se cada vez mais um pouco por todas as localidades do concelho, denotam-se os cheiros nauseabundos das pocilgas nos arredores das cidades da Ponta do Sol e da Ribeira Grande, constituindo autênticos atentados à saúde pública. Mas, mais: a ausência de uma fiscalização no tocante ao fabrico de grogue tem provocando consequências negativas, tais como a perda de qualidade do produto, o aumento de pacientes nas camas hospitalares, devido ao consumo do produto feito a partir do açúcar refinado e de outros nocivos à saúde pública”, descreve Maria Teresa Cruz .

Entretanto, face às várias críticas apontadas, a dirigente do PAICV não esconde que o futuro do concelho continua estagnado, por considerar que não existe vontade política do poder local em adoptar uma verdadeira estratégia de desenvolvimento. “Não se vê melhoria na vida dos ribeira-grandenses, isso porque não existe política pública e estratégias para o desenvolvimento do município. O poder local está habituado em transformar o orçamento municipal em migalhas que são distribuídas a uma população empobrecida e uma aposta para publicitar os projectos que deixaram congelados durante longos anos de governação, por estratégias políticas”, conclui a líder concelhia do PAICV.

Celso Lobo

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