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Reino Unido -Sunak, Tugendhat e Braverman: conheça os três primeiros candidatos ao lugar de Boris Johnson 09 Julho 2022

Um ex-ministro das Finanças que ajudou a derrubar o primeiro-ministro (primeiro depois do Boris Johnson), um deputado que nunca fez parte do Governo (segunda imagem depois do PM) e a procuradora-geral fiel ao demissionário (teceira foto depois do PM)) são os primeiros, segundo um paontamento de Expresso-pt, a avançar para a corrida à liderança do Partido Conservador.

Reino Unido -Sunak, Tugendhat e Braverman: conheça os três primeiros candidatos ao lugar de Boris Johnson

O ex-ministro das Finanças Rishi Sunak é o mais conhecido dos três candidatos que até agora avançaram para substituir Boris Johnson na chefia do Partido Conservador e do Governo do Reino Unido. O homem cuja demissão, terça-feira à tarde, foi das primeiras numa vaga que culminou na renúncia do primeiro-ministro lançou-se à corrida esta sexta-feira com um vídeo publicado na rede social Twitter.

Puxando pelas raízes indianas (os avós migraram para o Reino Unido), Sunak promete “repor a confiança, reconstruir a economia e reunir o país”. Afirma ter entrado para a política para que todos tenham as chances que o Reino Unido deu aos seus antepassados. “A minha família deu-me oportunidades com que apenas podiam sonhar. Mas foi o Reino Unido, o nosso país, que lhes deu, e a milhões como eles, a hipótese de terem um futuro melhor.”

Num reconhecimento implícito da crise que o país vive, Sunak defende: “Alguém tem de agarrar este momento e tomar as decisões certas”. Pensa que ter chefiado “o ministério mais difícil nos tempos mais difíceis” o qualifica para o lugar.

O ex-ministro, deputado por Richmond em Yorkshire (norte de Inglaterra), nasceu há 41 anos em Southampton e é filho de pais de raiz indiana, nascidos na África Oriental (ele no Quénia, ela na Tanzânia, então colónias britânicas) e emigrados para Inglaterra. Estudou Filosofia, Política e Economia em Oxford e Stanford (Estados Unidos), onde conheceu a mulher, Akshata Murty, filha de um bilionário indiano. Trabalhou, entre outras firmas, na Goldman Sachs.

Entrou para o Parlamento em 2015, foi subsecretário de Estado da Administração Local com Theresa May e apoiou quer a saída da União Europeia quer a candidatura de Johnson à chefia do partido. De início secretário do Tesrouro, tornou-se ministro em 2020 após a demissão de Sajid Javid, que depois voltaria ao Executivo com a pasta da Saúde e cuja demissão esta terça-feira, no mesmo dia que a de Sunak, ajudou a derrubar Johnson.

BEM E MAL NA PANDEMIA

Sunak destacou-se enquanto governante na resposta à crise económica que a pandemia causou. Foi a sua tutela que geriu os generosos apoios às famílias e empresas. Mas a covid-19 também o manchou, ao ter sido um dos políticos multados no escândalo Partygate.

Outra polémica surgiu por Sunak não ter declarado interesses financeiros da sua mulher, incluindo a participação de 2000 milhões de euros na informática indiana Infosys, que ainda por cima manteve atividade na Rússia apesar da invasão da Ucrânia. Akshata Murty goza, para mais, de um regime de não-residente que lhe reduz bastante a fatura fiscal.

O ex-ministro e agora candidato tem sido acusado pelo líder da oposição trabalhista, Keir Starmer, de não ter contacto com a realidade dos britânicos. “Eles estão mesmo preocupados em pagar contas”, frisa, contrastando o povo com o abastado Sunak. Este, abstémio, pai de duas filhas e hindu, prestou juramento na Câmara dos Comuns com a mão sobre um exemplar do “Bhagavad Gita”.

NOVO COMEÇO COM HONRAS MILITARES

Sunak vai enfrentar a concorrência de Tom Tugendhat, deputado ex-militar que nunca integrou um Governo e que pretende, por isso mesmo, representar “um novo começo” na política britânica. Presidente da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, entrou para a corrida com um artigo no jornal conservador “The Daily Telegraph” em que emprega quatro vezes aquela expressão. Ele não teve de defender o demissionário Johnson nos casos das festas ilegais e outros.

“Esta nação precisa de um novo começo, e de um Governo que adote como principios orientadores confiança, serviço e concentração incessante no custo de vida”, escreve Tugendhat. Defende que o chefe do Governo deve ser “imaculado pelos acontecimentos do passado, mas com experiência provada e liderança”.

O deputado por Tonbridge e Malling tem 49 anos e dupla nacionalidade britânica e francesa, por casamento. Fez parte do exército britânico e esteve nas guerras do Iraque e do Afeganistão.

Defendendo uma redução de impostos e rejeitando o projeto de Johnson (e Sunak) de aumentar as contribuições para a segurança social, promete também sarar as feridas que a saída da União Europeia ainda causa (votou pela permanência no referendo de 2016). “Estou a montar uma coligação ampla de colegas que trarão nova energia e ideias para o Governo, para finalmente tapar a brecha do Brexit que tem dominado a nossa história recente.”

PRIMEIRA MAS NÃO FAVORITA

Antes de Sunak e Tugendhat, surgiu no pequeno ecrã outra aspirante ao n.º 10 de Downing Street, a primeira cronologicamente, mas a menos provável vencedora entre os três, segundo a imprensa britânica. Suella Braverman, procuradora-geral da Inglaterra e País de Gales, deu uma entrevista à ITV e confirmou ao editor de política do canal, Robert Peston, que iria candidatar-se porque seria “a maior honra” servir o país como primeira-ministra.

Braverman não aparecia nas listas das casas de apostas para suceder a Johnson. No atual posto desde 2020, estudou Direito em Cambridge antes de entrar na política (como deputada, em 2015, pelo círculo de Fareham) e pertence à ala mais conservadora dos tories. Não só foi defensora ardente do Brexit como é favorável à deportação de candidatos a asilo para o Ruanda, política da ministra do Interior, Priti Patel, fortemente contestada por ativistas e advogados e até pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Filha de pais de origem indiana que emigraram para o Reino Unido em 1960, a mãe do Quénia e o pai das Maurícias, Braverman adota um discurso parecido com o de Sunak, com quem partilha o ano de nascimento, 1980: garante que é por ter tido oportunidades únicas em solo britânico que quer concorrer ao cargo de primeira-ministra. “Sou devota a este país, os meus pais vieram para aqui absolutamente sem nada. Foi a Grã-Bretanha que lhes deu esperança, segurança e oportunidades. O país ofereceu-me oportunidades incríveis, quer na educação quer para perseguir a minha carreira”.

Grata e aparentemente humilde, deu uma entrevista ao diário “The Times”, quando foi nomeada procuradora-geral, que revelou traços mais provocadores. Sobre a rede social Twitter, onde está presente e é frequentemente criticada, disse não passar de “um esgoto da bílis de esquerda” e que é por ser “gozada e criticada” que sabe que está a dizer coisas certas.

CORRIDA EM DUAS FASES

A eleição do chefe do Partido Conservador tem duas fases. Na primeira, o grupo parlamentar faz votações entre todos os candidatos que se apresentem (o requisito é ser parlamentar e ter oito colegas a subscrever a candidatura), até reduzi-los a dois.

Isto consegue-se em rondas sucessivas, eliminando ao fim da primeira ronda o menos votado e todos os que não tiverem 5% dos votos; na segunda, o último e os que não alcançarem 10%; e a partir daí o derradeiro de cada ronda. Quando sobrarem dois, caberá aos militantes tories (cerca de 100 mil) escolher o sucessor de Boris Johnson.

À partida, este será imediatamente convidado pela rainha Isabel II a formar Governo. Dado que o partido goza de maioria absoluta na Câmara nos Comuns, não tem de haver eleições antecipadas. A Semana com Expresso-PT

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