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Rússia: "Participei da máquina de propaganda de Putin — Agora farei tudo para destruí-la", Marina Ovsyannikova 20 Abril 2022

Há um mês que o mundo passou a conhecer a jornalista Marina Ovsyannikova, que irrompeu num programa noticioso no dia 14 de março a exibir um cartaz "contra a guerra e as mentiras de Putin", ato punível com 15 anos de prisão. Por estes dias, ela faz de novo as primeiras páginas pelo mundo quer devido à sua contratação pelo jornal ’Die Welt’, de Berlim, quer pela onda de protestos dos refugiados ucranianos contra "a propagandista" que "não é jornalista".

Rússia:

Na passada segunda-feira, o grupo empresarial Axel Springer-Die Welt anunciou a contratação de Marina Ovsyannikova — desde 2002 editora do noticiário televisivo do órgão estatal russo Canal 1/Pervi Kanal —, que passa "a escrever no jornal e a contribuir regularmente para o noticiário da televisão".

"Num momento crucial, a Marina Ovsyannikova teve a coragem para mostrar aos russos a verdadeira face da realidade do seu país", declarou o editor-chefe Ulf Poschardt. "Ao fazê-lo, ela defendeu o mais importante da ética jornalística — não obstante a ameaça da repressão do Estado. Estou entusiasmado por estar a trabalhar com ela", rematou.

Marina Ovsyannikova expressou satisfação com o seu novo trabalho: "O Die Welt tem-se posicionado tão veementemente ao lado do que defende o corajoso povo da Ucrânia: a liberdade. É meu dever como jornalista defender a liberdade. E estou por isso encantada por poder fazer essa defesa da liberdade no Die Welt".

A nova jornalista do diário alemão, filha dum casal russo-ucraniano, confirmou que continuará a residir em Moscovo, de onde vai fazer a cobertura de notícias sobre a Rússia e a Ucrânia. Mas, acrescentou, não irá ser paga por esse trabalho para evitar que as autoridades russas a qualifiquem como "agente estrangeiro".

"Infelizmente, participei na criação da propaganda do Kremlin, durante tanto tempo, tantos anos que agora eu quero fazer tudo para terminá-la — e assim pôr fim a esta guerra. Quando as pessoas estão a morrer na guerra, o dinheiro é o menos importante; o valor moral é o mais importante".

Fontes: Die Welt/BBC/Times of Israel/Le Monde. Relacionado: Rússia: Marina reaparece após protesto antibélico — Tribunal aplica-lhe multa, "Putin/Kremlin evitou torná-la mártir", 17.mar.021. Fotos: Ucranianos e seus apoiantes na Alemanha protestam contra contratação de Marina Ovsyannikova no ’Die Welt/O Mundo’. Este jornal de tendência liberal-conservadora foi fundado em 1946 (durante a Ocupação Britânica da Alemanha) com a colaboração dos britânicos.

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