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Rússia e Ucrânia preparam-se para assinar acordo para a retoma das exportações de cereais. Porque é que isto é importante? 22 Julho 2022

António Guterres, secretário-geral da ONU, vai participar no evento, que irá decorr na Turquia, ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Rússia e Ucrânia preparam-se para assinar acordo para a retoma das exportações de cereais. Porque é que isto é importante?

A Turquia anunciou que irá acolher esta sexta-feira a assinatura, por parte da Rússia e da Ucrânia, do acordo proposto pela ONU para retomar as exportações de cereais ucranianos no Mar Negro. De acordo com a agência de notícias Reuters, o secretário-geral da ONU, António Guterres, vai participar no evento, que terá lugar no Palácio Dolmabahçe, em Istambul, às 13:30 locais (14:30 em Lisboa), ao lado do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

O bloqueio das exportações de cereais tem sido um dos temas centrais da invasão russa da Ucrânia, uma vez que tem repercussões em todo o mundo. Os agricultores ucranianos têm mais de 20 milhões de toneladas de cereais retidos no país, provocando a escassez de cereais nos mercados internacionais, e, consequentemente, a subida dos preços na alimentação.

Os líderes políticos e organizações humanitárias internacionais acusam a Rússia de estar a usar os cereais como arma de guerra, sobretudo desde que Moscovo propôs que o Ocidente levantasse as sanções económicas de que tem sido alvo, prometendo que, em troca, levantaria também o bloqueio dos portos ucranianos ao mar Negro para permitir assim a exportação dos cereais.

Em resposta, a Ucrânia acusou a Rússia de fazer "chantagem", uma vez que sabe o papel fundamental que a Ucrânia desempenha no abastecimento alimentar mundial. De acordo com a BBC, o país exporta 42% do óleo de girassol, 16% do milho e 9% do trigo disponíveis nos mercados internacionais.

Países como Moldova, Líbano e Índia estão muito dependentes destas importações - só a Moldova importa 92% dos cereais disponíveis no país, seguindo-se o Líbano, com 81%. Até o Programa de Alimentação Mundial da ONU, que procura garantir a alimentação de países muito necessitados, onde os níveis de subnutrição são muito elevados, como a Etiópia, Iémen e Afeganistão, está muito dependente dos cereais ucranianos - 40% dos seus cereais são importados à Ucrânia.

Antes da guerra, a grande maioria (90%) dos cereais ucranianos eram exportados por via marítima pelo Mar Negro. A partir de 24 de fevereiro, contudo, as exportações ficaram reduzidas à via ferroviária, uma vez que a Rússia tomou a maior parte da costa ucraniana e bloqueou o que restava com uma frota de pelo menos 20 navios, incluindo quatro submarinos. Além de não transportarem tanta carga como os navios, os comboios significam também um maior tempo de espera para a entrega, uma vez que os sistemas ferroviários da Ucrânia e da União Europeia são diferentes e, por isso, a carga tem de ser transferida de umas carruagens para as outras. De acordo com a BBC, este processo demora, em média, 16 dias até ser finalizado, mas pode levar 30 dias.

Perante o bloqueio dos cereais ucranianos, os líderes mundiais alertaram para uma "crise alimentar mundial", e o Ocidente respondeu com mais sanções económicas contra a Rússia, que, tal como a Ucrânia, também é um importante fornecedor dos mercados mundiais, sobretudo de cereais, óleos vegetais e fertilizantes. Em conjunto, segundo a revista britânica The Economist, a Ucrânia e a Rússia fornecem 28% do trigo consumido no mundo, 29% da cevada, 15% do milho e 75% do óleo de girassol.

O bloqueio dos portos ucranianos, aliado às sanções do Ocidente contra as exportações russas, está a tornar a situação insustentável, e a ONU viu-se obrigada a intervir, propondo um acordo entre as partes, contando com a mediação da Turquia (que desde de início se assumiu como mediadora do conflito nesta matéria pela sua posição no Mar Negro.

Vladimir Putin continua a insistir no levantamento das restrições ocidentais aos cereais russos como condição para o desbloqueio das exportações dos cereais ucranianos: "Vamos facilitar a exportação de cereais ucranianos, mas com base no levantamento de todas as restrições relacionadas com as entregas aéreas para a exportação de cereais russos."

Contudo, de acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, a Ucrânia recusa incluir a questão dos cereais russos nas negociações. "Acordámos os princípios básicos para a exportação dos cereais ucranianos, mas, quando a nossa delegação pediu para acrescentar uma segunda parte (relativa às exportações agrícolas russas), os ucranianos recusaram categoricamente. A delegação da ONU permaneceu vergonhosamente silenciosa", denunciou Lavrov.

Apesar das dificuldades, as partes beligerantes parecem estar finalmente prontas para dar o próximo passo e assinar um acordo para a retoma das exportações dos cereais. Antes do comunicado oficial do gabinete presidencial da Turquia, a agência Reuters já tinha anunciado que António Guterres interrompeu as férias para viajar esta quinta-feira para Istambul. Sabe-se agora que o secretário-geral da ONU vai participar no evento, ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. A Semana com CNN

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