ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Rússia invade média ucranianos — Só fica quem noticiar a favor do Kremlin 23 Abril 2022

O jornalista Serhiy Starushko teve uma arma à cabeça para o obrigar a gravar uma declaração — sobre colegas "nacionalistas ucranianos" contra quem "declarava guerra por estarem a divulgar ’fake news’ ". É a nova realidade da Ucrânia, como disse esta sexta-feira à BBC o Serviço de Comunicações oficial ucraniano que regista oito órgãos de imprensa no sul da Ucrânia que, invadidos por militares russos, passaram a transmitir "propaganda e desinformação".

Rússia invade média ucranianos — Só fica quem noticiar a favor do Kremlin

Militares da Rússia têm desde março invadido redações de jornais, televisões e rádios para obrigar jornalistas a noticiar a favor do Kremlin — ou fechar. Na cidade portuária de Berdyansk, na televisão (fotos) onde 50 pessoas estiveram cinco horas reféns dos militares russos, o jornalista Serhiy foi espancado e teve uma arma à cabeça enquanto gravava sobre colegas "nacionalistas ucranianos" contra quem "declarava guerra por estarem a divulgar ’fake news’ ".

«Havia russos armados a cercarem-nos, eram às dezenas, e parece-me que cinco ou seis deles eram do serviço de segurança FSB [ex-KGB]. Disseram-nos: ’Agora isto é da Rússia. Se vocês querem ficar vivos, vão ter de cooperar’», relatou à BBC o agora exilado Serhiy.

Cooperar. Os jornalistas (fotos) sabiam bem o significado deste "cooperar": além de divulgar a propaganda russa, tinham de fornecer os nomes de soldados e ativistas pro-ucranianos.

Cooperar divulgando nomes de anti-russos é algo que ucranianos pró-russos e ou russófonos — tornados cúmplices nos crimes de guerra das tropas invasoras, movidos pelo ódio étnico ou racial, entre vizinhos na Ucrânia — estão dispostos a fazer, como se viu no caso da "Elena", mulher do soldado violentada (Sucesso em enganar secreta russa salvou de destruição Kiev, "cidade-mãe da Rússia", 10.abr.2022) por denúncia de um vizinho. «Percebi que um dos moradores estava a apontar o dedo para mim e dizia ’Ela é uma banderovka’. "É por causa de pessoas como ela que esta guerra começou. Ela é a mulher de um militar"».

Fontes: BBC/ L’Express/AFP/El Mundo/... Fotos: Invasão às redações e armas à cabeça de jornalistas para "cooperarem": além de divulgar a propaganda russa, fornecer os nomes de soldados e ativistas ucranianos.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project