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Rússia pede apoio da Alemanha para esclarecer envenenamento de Navalny 01 Setembro 2020

A autoridade máxima judiciária da Rússia requereu assistência à Alemanha, a fim de esclarecer o caso de alegado envenenamento do líder da oposição Alexei Navalny, segundo noticiou ontem (domingo, 30) o diário ’Welt am Sonntag’ de Berlim.

Rússia pede apoio da Alemanha para esclarecer envenenamento de Navalny

O ministro da Justiça alemão, segundo o referido diário, confirmou ter recebido o pedido de Moscovo para ter acesso aos exames clínicos e diagnósticos preliminares realizados a Alexei Navalny (foto) no Charité UniversitatsMedizin-Berlin, hospital de referência a nível europeu.

Na correspondência dirigida a Berlim, as autoridades da Rússia destacam o facto de que a investigação ainda não determinou se houve ou não envenenamento.

Contudo, a imprensa russa avança que a investigação tem prazo até 20 de setembro. Isto significa que a investigação ainda nem vai a meio, já que o incidente aconteceu em 20 deste mês (Rússia: Médicos recusam transferir opositor nº1 de Putin em estado de coma, 22.ago.020).

A diferença de diagnóstico é um ponto muito importante neste caso político que ultrapassou a Rússia e envolveu a Alemanha. Enquanto que o hospital russo dizia que Navalny tinha sofrido uma "queda do nível de açúcar no sangue", os testes em Berlim determinaram "a presença de inibidores da atividade colinesterásica" no corpo.

Possível envenenamento com Novichok

Alexei Navalny foi transferido para o hospital Charité-Berlin no dia 22 e na segunda-feira, 24, o primeiro boletim médico dava conta de que os exames tinham detetado a presença de um "neurotóxico desconhecido", que envenenando o organismo causou a "inibição da atividade colinesterásica".

A identificação do "neurotóxico desconhecido" como Novichok é tida como "muito provável", segundo os médicos, dada a semelhança com o caso do ex-agente duplo Sergei Skripal exilado na Inglaterra depois de ter cumprido parte da pena a que tinha sido condenado na Rússia.

Recorde-se que foi a 4 de março de 2018 que Sergei, hoje com 69 anos, e a filha Yulia, hoje com 35 anos, foram encontrados inanimados num banco de jardim na cidade inglesa de Salisbury. Tinham sido envenenados — presume a investigação que no restaurante onde tinham estado a jantar — com o neurotóxico Novichok.

O agente químico tinha sido desenvolvido na ex-URSS nos anos oitenta, disse a primeira-ministra Theresa May ao anunciar a 14 de março a primeira leva de expulsão de diplomatas russos.

Começou, assim, a maior expulsão de diplomatas da história. Dezenas de países seguiram o exemplo britânico, até ao dia 29, o que levou a Rússia a fazer o mesmo no dia seguinte ("Persona non grata" — 139 diplomatas russos expulsos de 26 países, 29.mar.018; Persona non grata: Rússia expulsa mais de 130 diplomatas de 13 países, 01.abr.018).

Dois anos e meio depois, a União Europeia está a ser requerida pela chanceler alemã para uma decisão conjunta, segundo o online Deutsche Welle desta segunda-feira, 31. Haverá ou não repetição da punição na frente diplomática? A ver vamos.

Fontes referidas. Mapa ilustrativo dos países (a verde) que expulsaram diplomatas russos entre 14 e 29 de março de 2018, devido ao envenenamento do agente duplo russo Skripal. Alexei Navalny, que os médicos alemães suspeitam ter sido envenenado com o mesmo neurotóxico, no dia 20 último.

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