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SARS-CoV2: De morcego para animal X para humano? "Demorará muito para saber", diz OMS 03 Abril 2021

O diretor-geral da OMS é o primeiro a manifestar reservas ao relatório final da missão conjunta OMS-China a Wuhan em janeiro, sobre a origem do coronavírus de 2019. Só com "muito trabalho e por muito tempo poderemos vir a saber", diz o especialista David Nabarro, da OMS.

"Todas as hipóteses estão em aberto", disse ontem o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em síntese sobre o conteúdo do relatório. A primeira apresentação há um mês suscitou muitas dúvidas, que continuam.

Muitos apontaram que a missão foi contaminada pela colaboração das autoridades chinesas e que esta resultou numa clara absolvição do possível envolvimento da China.

A falta de transparência da China junta-se à "incapacidade da OMS de pressionar para obter mais" conhecimento de toda a situação, dizem os críticos do relatório.

"Não veio dum laboratório" é a única afirmação firme no relatório da missão internacional de peritos da OMS a Wuhan, pelo que o suspense vai continuar enquanto continuam por resolver os mistérios sobre qual o animal, o momento e o local da transmissão do coronavírus que pôs o mundo em suspensão há catorze meses.

Durante três semanas, os peritos da equipa internacional procuraram na China "compreender onde começou o vírus, a sua origem e evolução", lê-se no relatório divulgado hoje (terça-feira, 30).

A equipa admite que recolheu "muita informação" sem ter ainda conseguido tirar uma conclusão final sobre quais "os percursos tortuosos do vírus" surgido em Wuhan em dezembro de 2019.

"O percurso possível seguido pelo animal original, seja ele de que espécie for, até chegar ao mercado de Huanan (em Wuhan) pode ser muito tortuoso, muito longo, incluir movimentos entre regiões e mesmo ultrapassar fronteiras entre países",lê-se no relatório da missão da OMS à China.

A equipa da OMS liderada por Peter Ben Embarek — veterinário e doutorado em Segurança Alimentar e Zoonoses — integrou cientistas peritos em virologia, epidemiologia entre outras especialidades, vindos dos Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Japão, Reino Unido, Rússia, Países-Baixos, Qatar e Vietname.

"Tentámos compreender o que se passou antes de dezembro de 2019 e para isso empreendemos uma busca muito detalhada e profunda sobre eventuais casos surgidos antes", disse Embarek, líder da missão. Mas "só pudemos chegar à conclusão de que é impossível ter havido um surto antes de dezembro de 2019, seja em Wuhan seja em qualquer outra localização aquém ou além da China".

As duas questões seguintes, em síntese da conferência e em forma de pergunta-resposta, permitem compreender o desafio que ainda continua. Vejamos:


Morcegos? Mas não em Wuhan

Segundo Embarek, uma das hipóteses de trabalho foi sobre a origem em morcegos. Mas afirmou que "foi impossível identificar um reservatório natural da espécie em Wuhan".

O chefe da missão, que está na OMS desde dezembro de 2019, descartou desde o início —com um " não merece atenção" — a tese do "vírus chinês" fabricado em laboratório. Voltou a afirmar: "Este vírus não foi fabricado num laboratório".


Antes de dezembro’19?

As análises de sangue realizadas em várias localizações na China nada indicam sobre uma possível data (muito) anterior a dezembro de 2019, segundo o líder da missão da OMS.

Secundou-o o chefe da missão de peritos chineses, Liang Wannian: "Há algumas provas que sugerem que as infeções podem ter começado umas três ou mais semanas antes do primeiro caso identificado. Por isso não podemos descartar a sua circulação em outras regiões, sem qualquer notificação".
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Fontes: AP/ Washington Post/Xinhua/BBC.

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