OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

SERÁ QUE A IDEIA DA PRIVATIZAÇÃO EM MASSA É O IDEAL PARA UM PAÍS ARQUIPELÁGICO COMO CABO VERDE? 02 Janeiro 2022

As tentativas falhadas falam por si. Pensamos que os nossos governantes já possuem experiência suficientes, das falhas e erros cometidos, nas várias intenções e tentativas de transferir todas as empresas do estado para o privado de uma assentada. Está na hora de pararem para pensar e montarem a melhor estratégia que nos serve.

Por: Efrem Soares

SERÁ QUE A IDEIA DA PRIVATIZAÇÃO EM MASSA É O IDEAL PARA UM PAÍS ARQUIPELÁGICO COMO CABO VERDE?

SERÁ QUE A IDEIA DA PRIVATIZAÇÃO EM MASSA É O IDEAL PARA UM PAÍS ARQUIPELÁGICO COMO O NOSSO! DE ONDE VEM A EXPERIÊNCIA DA IDEIA QUE QUEREMOS IMPLEMENTAR NO ARQUIPELÁGO CABO-VERDIANO? QUE ESTUDO FOI FEITO NESTE SENTIDO?

São estas as questões que vêm atormentando as memórias dos cabo-verdianos, nos últimos tempos.

Na nossa opinião, as transições acontecem, mas não têm de ser obrigatoriamente com o estalar dos dedos.

As tentativas falhadas falam por si. Pensamos que os nossos governantes já possuem experiência suficientes, das falhas e erros cometidos, nas várias intenções e tentativas de transferir todas as empresas do estado para o privado de uma assentada. Está na hora de pararem para pensar e montarem a melhor estratégia que nos serve.

As experiências dos outros países nos ditam que as coisas não aconteceram da forma, que estamos querendo implementar, no nosso país, sob pressão.

As transições aconteceram com o surgimento de ideias populares, que foram validadas pelos estados, através da liberalização do mercado, dando oportunidades, financiando e criando condições, para que novos cérebros se manifestassem, fora da arena do estado, permitindo assim, que o estado fosse libertando gradualmente das grandes responsabilidades importantes na vida dos povos e onde a gestão do estado, “fora do regime político”, perde o efeito e a força imponente.

Num país como o nosso, onde os recursos naturais são vislumbrados como escassos, afirmação que é discutível, porque já existe sinais que nos levam a ter dúvidas se a razão da nossa pobreza assenta-se na escassez de recursos naturais ou nas nossas fracas capacidades de idealizar, criar e transformar a matéria parece ser a tarefa dos nascidos nos ilhéus só que não estamos sabendo encontrar o caminho certo de o alcançar.

Dada a nossa forte dependência ou falta de vontade própria no fazer as coisas acontecerem, com os nossos próprios meios disponíveis, do vasto aprendizado adquirido dos outros povos, continuamos sempre a dar primazia à resoluções fáceis e agora, sem filtrar ordens externas que nos penalizam, acumulando riquezas que não nos pertencem, desviando do propósito da independência que baseou. Na libertação do povo das mãos do colonizador, proporcionando a felicidade através do conhecimento, saúde, geração de trabalho para todos, com consequências na distribuição de riquezas socias, estabelecendo uma linha social onde ninguém deve viver abaixo do limiar da pobreza e permitir a criação de riquezas, com bases nas capacidades das pessoas individuais e coletivas, criando mecanismos facilitadores e de controlo que permitam uma transição com menos ruído possível, da tão falada parceria ESTADO/PRIVADO, onde o estado tem o papel de moderador/controlador, que arrecada receitas, que devem ser úteis na manutenção do equilíbrio do sistema e na prevenção e ação em situações de catástrofes naturais e acidentes de percurso.
É isso que esperamos dos governos que são eleitos para nos conduzir como nação, onde o bom senso, as capacidades intelectuais, experiências, humildade, honestidade e capacidade de transformar ideias em matéria, deve ser o prato forte de qualquer governante.

Pequeno exemplo da parceria ESTADO/PRIVADO: Se não fosse esta parceria, saudável ELECTRA/APP, A ILHA DO Sal estaria a passar por uma situação delicada, numa altura em que a transição da crise pandémica/económica, é deveras importante para o mundo, Cabo Verde e a nossa Ilha, que é considerada a mais frágil de todas, dada a existência da única opção económica de massa, “TURISMO” e a indústria que ela atrela sozinha, porque foram desacoplados as indústrias de produção e transformação, anteriormente pratos fortes da casa; pesca e sal, e não apostamos na industrialização da agricultura, onde temos grandes potenciais, por sermos uma ilha plana rodeada do mar, de fácil acesso ao litoral, que facilita a montagem de sistemas de dessalinização da agua do mar com a introdução de energia renovável, que permitam a produção a grande escala e a custo relativamente baixo, para abastecer a ilha, (hotéis e população) e quem sabe exportar.

A situação na satisfação da demanda de energia elétrica na ilha está crítica neste momento, dadas as fragilidades da gestão do lado do estado, onde um projeto de construção de uma central de raiz com capacidade para produzir 16 MEGAWHATS, iniciada em 2017 e que deveria estar em funcionamento em 2019, vamos entrar em 2022 sem ter a luz no fundo do túnel da sua entrada em funcionamento.Estas situações provocam instabilidades no sistema e devem ser evitadas.

Somos a favor da transição do ESTADO/PRIVADO, por causa da situação do tipo, mas não da forma que pretendem fazer, bruscamente e com monopólios.
O monopólio do estado faz sentido porque o estado sente-se na obrigação de financiar desequilíbrios nas empresas, mas o privado nunca vai fazer isso, porque o interesso é na obtenção do lucro, não havendo, pula fora. Daí a importância da liberalização do mercado para produção de energia e água, afim de termos mais produtores.

É da obrigação do estado criar mecanismo que permita que todos venham a ter acesso à penetração da produção na rede publica, mediante o controlo, feito através de leis que regulam a gestão do sistema, feito pelo mecanismo, felizmente já existente em Cabo Verde, (CENTRO DE DESPACHO NACIONAL.)

Humildemente penso que será este um dos caminhos a seguir, consciente que sempre haverá outros caminhos, mas todos devemos dar o nosso contributo para encontrar a melhor solução que serve à Cabo Verde.

Para finalizar, agradecemos a força superior, por estar a nos ajudar a superar este momento de grande turbulência pandémica, a nível mundial, em que dentro das nossas capacidades e possibilidades, contando com as ajudas externas e dos emigrantes, penso que temos estado bem, neste processo de altos e baixos, carregados de incertezas, tanto da parte dos governantes, das instituições privadas e da população no geral, todos temos tentado seguir na mesma direção.
Auguramos, que continuemos a manter firmes nesta luta sob a proteção divina, dias melhores virão.

Votos de boas entradas no ano mercurial de 2022 e de boa saúde a todos ao longo do mesmo.

Cidadão atento!

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