ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

SINDEP propõe suspensão das aulas presenciais nas ilhas de santiago, Fogo e Sal 28 Setembro 2020

O Sindicato Nacional dos Professores (SINDEP) foi convidado, neste sábado, 25, pelo Ministério da Educação, para uma participação conjunta com as autoridades de saúde e Associação de País e Encarregados de Educação na discussão e aprofundamento dos cenários da abertura do novo ano 2020/2021 no dia 01 de Outubro, no contexto da pandemia do Covid-19. Com receio de o País vir a enfrentar uma situação bastante difícil e, talvez, insustentável com o regresso às aulas presenciais, o presidente Nicolau Furtado defende que Ministério devia optar pelo Ensino Online ou à distância, embora com as suas conhecidas limitações no contexto cabo-verdiano, até ao regresso a uma normalidade aceitável. Entretanto, o sindicalista propõe que as aulas presenciais sejam suspensas nas ilhas de Santiago, Fogo e Sal, onde estão a surgir maiores números de casos da Covid-19.

SINDEP propõe suspensão das aulas presenciais nas ilhas de santiago, Fogo e Sal

Segundo o presidente do SINDEP, o atual cenário, que pode traduzir-se no aumento exponencial de casos de Covid-19, capaz de representar uma pressão insustentável sobre os serviços de saúde, que já possuem uma capacidade limitada de carga, é entendimento do SINDEP que o Ministério deveria suspender as aulas presencias nas ilhas de Santiago, Fogo e Sal, onde estão a surgir casos de Covid-19 todos os dias, sem perspetivas de estancamento, redução ou desaparecimento nos próximos meses.

Neste contexto, particularmente nas três ilhas referidas, o SINDEP defende que o Ministério devia e deve optar pelo Ensino Online ou a distância, embora com as suas conhecidas limitações no contexto cabo-verdiano, até ao regresso a uma normalidade aceitável, porque, além do número significativo de casos de Covid-19 existente nessas ilhas, acresce o facto de que nem os docentes, nem os alunos, nem as famílias se encontram devidamente preparados para o cenário de ensino semipresencial previsto pelas autoridades, para o qual não está garantido o distanciamento social de forma adequada ou suficiente.

Já em relação às restantes Ilhas e com o receio de o País poder vir a enfrentar uma situação bastante difícil e, talvez, insustentável com o regresso às aulas presenciais, o SINDEP entende que podem ser reabertas aulas presenciais, complementadas pelo Ensino à Distância, com as devidas cautelas no acompanhamento da situação, com vista a uma rápida introdução das medidas corretivas que eventualmente se impuserem.

“Na verdade, o cerne da questão é este: além dos riscos de contágios decorrentes da deslocação diária, na ida à escola e no regresso à casa, de milhares de alunos nos meios de transportes coletivos de passageiros, apresentam-se enormes dificuldades de distanciamento que resultam das próprias caraterísticas dos estudantes quando convivem no pequeno espaço escolar”, aponta Nicolau Furtado.

Inconformado com a posição do Ministério da Educação, que conforme Nicolau, que até certo ponto parece ignorar os sérios riscos que o pessoal da educação terá de enfrentarem em breve, e, “outrossim”, não está a distribuir máscaras de proteção para os professores, alunos e funcionários dos Estabelecimentos de Ensino, nem o álcool gel para a desinfeção. “A pergunta que não quer calar é esta: se o uso das máscaras e do álcool gel é obrigatório, não caberia ao Ministério da Educação suportar todos os custos inerentes, visto que o Governo foi ajudado por muitos países com máscaras e dinheiro para fazer face a essa pandemia?”, questiona o lidr do SINDEP.

Como é sabido, este sindacato mais representativo da classe docente nacional - tem mais de 4 mil associados - informa que não tem estado alheio às implicações da pandemia do Covid-19 no setor da educação em Cabo Verde. Daí, segundo Nicolau Furtado, tenha estado a acompanhar, com preocupação, a evolução crescente do número de casos da Covid.19 em Cabo Verde, como em todo o mundo, tendo em conta o cenário do possível agravamento da pandemia com o regresso às aulas presenciais ou semipresenciais, em especial dos alunos da educação pré-escolar, do ensino básico e do ensino secundário.

SINDEP exige resolução das reivindicações dos docentes

Referindo-se ao pacote reivindicativo dos docentes, o presidente do SINDEP lembra que, desde 2011, não foi reposto o poder de compra dos professores (estão sem aumento salarial), os direitos de reclassificação da classe não têm sido satisfeitos e os subsídios por não redução da carga horária não se encontram regularizados.

Estes encargos, segundo Nicolau Furtado, sequer constam do Orçamento do Estado retificativo para este ano aprovado na Assembleia Nacional, razão por que não é de justiça nem moralmente aceitável que sejam os docentes a suportar os encargos com as máscaras e o álcool gel, para si próprios e para os seus filhos. “E tudo isso acontece como se já não bastasse o facto de os professores constituírem uma profissão de alto risco no contexto da pandemia. Cabe aos professores tomar consciência da sua situação e assumir as suas próprias posições”, sublinha.

Diante de tudo isso, o responsável do SINDEP considera que a motivação dos professores é fundamental e passa, necessariamente, pela resolução das suas reivindicações, nomeadamente as progressões, os subsídios por não redução de carga horária e o cumprimento integral do Estatuto da Carreira do Pessoal Docente. “Os recursos para satisfação dessas reivindicações constavam do Orçamento inicialmente aprovado e foram retirados do orçamento retificativo, sem nenhuma negociação com os Sindicatos”, denuncia a mesma fonte.

Entretanto, o SINDEP confessa que estará disponível para apoiar os professores na sua luta pela defesa dos seus direitos, à semelhança das outras classes, porquanto se há dinheiro para lançamento das obras em todos os Municípios, deverá haverá meios financeiros para pagar as dividas aos professores.

“É hora de toda comunidade educativa se juntar em defesa de uma educação de qualidade, inclusiva e em segurança sanitária. E é hora de todos os professores, com a compreensão e a solidariedade de toda a sociedade, lutarem pela defesa de suas vidas, dos seus direitos profissionais e de condições adequadas para o seu desempenho da sua nobre profissão”, conclui.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project