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Privatização da TACV: SINTCAP exige que o Governo resolva os problemas de salários em atraso dos trabalhadores da Cabo Verde Airlines 01 Outubro 2020

O Sindicato dos Transportes, Comunicações e Administração Pública (SINTCAP), um dos sindicatos com sede no Sal que representa os trabalhadores da Cabo Verde Airlines(CVI), exige uma resolução definitiva da situação da companhia de bandeira. É que segundo denunciou a presidente desta organização sindical, Maria Brito Monteiro, em conferência de imprensa, os trabalhadores da Cabo Verde Airlines estão completamente abandonados à sua sorte - não contam com o apoio nem da administração da empresa, nem dos acionistas e muito menos do Governo da República - passando por uma insustentável situação laboral.

Privatização da TACV: SINTCAP exige que o Governo resolva os problemas de salários em atraso dos trabalhadores da Cabo Verde Airlines

Com três meses de salários em atraso, a presidente de SINTCAP garantiu que boa parte dos trabalhadores da CVA, que vivem do seu salário, enfrentam situações várias de privações e de incapacidade de fazer face aos seus compromissos. “Aqueles que se encontram em situação de Lay Off vêm recebendo apenas os 35% pagos pelo INPS, o que não permite a ninguém organizar a sua vida familiar e fazer face aos seus compromissos. É, sem dúvida, uma situação intolerável, inqualificável e de grande desrespeito pelos trabalhadores desta empresa”, mostra.

Na qualidade de representante sindical dos trabalhadores da Cabo Verde Airlines, o SINTCAP tem constatado que as várias tentativas de negociação, entre a Administração daquela Empresa, os acionistas, o Governo e os Sindicatos, têm-se mostrado infrutíferas, remetendo os trabalhadores para uma situação de desamparo e desânimo.

“Há vários meses que o Governo vem pedindo paciência e tempo aos trabalhadores, insistindo que a resolução ds situação da empresa encontra-se em processo de negociação com os acionistas privados, querendo com isso dizer o parceiro estratégico Loflandeir, já que o Governo também é acionista, privados nacionais também o são, ainda que minoritários e os trabalhadores da Companhia também. Mas estes, mesmo na condição de acionistas ou obrigacionistas, parecem não estar a ser tidos nem achados, continuando as tais discussões ou negociações, seus contornos e resultados, no segredo dos deuses. Aliás, não pode também, continuar a pedir calma aos trabalhadores”, reivindica, acrescentando que o Governo não deve fugir às suas responsabilidades, nem permitir que os trabalhadores sejam abandonados e humilhados desta forma, não sabendo sequer, até quando se manterão sem salário e sem perspectivas de melhoria da situação.

Trabalhadores e SINTCAP com paciência esgotada

Para o responsável do SINTCAP, não há ninguém que vive do seu salário que possa manter-se calmo com três meses do seu salário em atraso e sem saber quando receberá o próximo salário. “Ao Governo exige-se de continuar a justificar o justificável e que aja com sentido de humanismo e respeito para com esses trabalhadores e respectivas famílias”, assegura.

Maria de Brito Monteiro não deixa de referir que o SINTCAP vem acompanhando com muita atenção e preocupação a situação porque passa a Cabo Verde Airlines e, em consequência, os trabalhadores dessa Companhia Aérea.

Perante essa inquietação, os trabalhadores e seu representante sindical exigem que o Governo assuma as consequências desta situação e abra os canais de comunicação para que a paz possa voltar ao espirito e aos lares desse trabalhadores e a aflição e angustia vividos nestes duros meses sejam substituídos por tranquilidade e confiança no futuro.

Critica também que, nos últimos tempos, a Administração remeteu-se a um silêncio estrondoso que tem piorado ainda mais o estado psicológico e emocional dos trabalhadores que ao longo dos anos deram, na TACV e, continuam a dar, na CVA, o seu melhor para que Cabo Verde mantivesse o desígnio nacional de ter uma Companhia de Bandeira a voar nos céus do mundo, como tão enfaticamente tèm dito os nossos governantes.

Para o SINTCAP, os trabalhadores estão cansados, descrentes, ansiosos e desanimados, a enfrentar sérias dificuldades e exigem do Governo uma solução substantiva para sair do imbróglio que ele mesmo criou, fazendo acreditar os trabalhadores que a CVA caminhava para a solidez, que o parceiro estratégico era o melhor possível e o mais capaz, que a companhia tinha sido saneada e os problemas antigos da TACV estavam ultrapassados.

“O Governo e a administração por ela nomeada obrigaram a maioria do pessoal de Cabine a deixar as suas vidas na Cidade da Praia para fixarem-se no Sal, com todos os custos financeiros, materiais e afetivos a isso associados. Muitos deixaram para trás a sua casa própria, pagando rendas altas no Sal, famílias viram-se separadas, de repente, mas aceitaram o sacrifício e fizeram as malas, porque confiaram no projeto da CVA que, segundo o Governo, era um bom projeto que viria criar milhares de postos de trabalho e contribuir para o desenvolvimento do País”, aponta.

Entretanto, o Sindicato, que representa os trabalhadores da CVA clama por uma intervenção urgente das autoridades de regulação do trabalho no País, por considerar que ninguém pode deixar de receber o seu salário meses a fio, sem justificação e sem consequência. “Mas, mais: se a CVA não tem estado a voar devido à situação de pandemia como tem dito o Governo, por limitações impostas pelo próprio Governo, este tem a obrigação moral de ajudar a empresa, ao menos a garantir os salãrios dos trabalhadores como vem acontecendo com tantas outras áreas de atividade que entraram em situação de inatividade, em Cabo Verde e noutros pontos do Mundo”, apela.

Este apelo, conforme o SINTCAP, é extensível aos Deputados na Nação e ao Presidente da República.” A situação é grave e de grande aflição. O governo diz que a situação é complexa. Então, que todos os dignos representantes desta Nação olhem para esses trabalhadores com humanismo e interesse. Os trabalhadores mantém-se disponíveis para sacrifícios e solidários para com a sua empresa, para que ela possa ser reerguida, mas há níveis de sacrifícios que não são toleráveis nem aceitáveis”, mostra.

Neste âmbito, a dirigente sindical exige que o Governo de Cabo Verde faça as diligências cabíveis junto da administração da empresa que também pertence ao estado de Cabo Verde aos contribuintes cabo-verdianos, que assuma as suas responsabilidades e pague os salários dos trabalhadores ou que encontre juntamente com o INPS, alguma solução que permita a todos os trabalhadores receberem, o total da percentagem paga aos trabalhadores em situação de Lay Off e que ajude aqueles que, sem os rendimentos anteriores, queiram e precisam regressar à Cidade da Praia, onde muitos têm casa própria e parte da sua família a residir.

"Estaremos, com os trabalhadores, nas próximas semanas, a insistir na busca ativa do diálogo e da concertação, mas a estudar detalhadamente outras formas de luta passiveis de serem acionadas para que se ponha cobro a tão dramática e abusiva situação», conclui a presidente do SNTCAP, filaido na UNTC-CS.

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