OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

SISTEMA DE GESTÃO DAS EMPRESAS DO ESTADO EM CABO VERDE APÓS INDEPENDÊNCIA - PCA’S QUE SE TRANFORMAM EM EMRPESÁRIOS E MILIONÁRIOS 24 Abril 2022

Sabendo que a qualquer empresa que se preze a sua base assenta nos recursos humanos, com o novo sistema o objetivo principal e único passou a ter como foco o financeiro, o lucro, com prémios atribuídos aos PCAs, no final dos contratos de gestão. Figurinos que, na maioria das vezes, não acrescentam nada de positivo às empresas, nos mandatos dos seus administradores que ficam saltando de posições até atingirem o topo, de acordo com as cores políticas do poder, para anos depois se apresentarem como grandes empresários no mercado nacional e autênticos milionários.

Por: Efrem Soares*

SISTEMA DE GESTÃO DAS EMPRESAS DO ESTADO EM CABO VERDE APÓS INDEPENDÊNCIA - PCA’S QUE SE TRANFORMAM EM EMRPESÁRIOS E MILIONÁRIOS

No regime único, foi adotado o sistema de Direções Gerais, com polos descentralizados, ou seja, com Delegações nas ilhas onde os serviços das referidas empresas se estendiam, com a autonomia requerida e organigrama próprio.

Estas Delegações mantinham ligações constantes com as Direções Gerais, com reuniões periódicas e deslocações dos seus Delegados às sedes, para prestarem contas e justificar as necessidades que se impunham, na altura.

Não obstando as visitas cirúrgicas que as Direções Gerais faziam, pontualmente, durante o ano, às Delegações, elas abrangiam, entre outros, objetivos como a realização de Assembleias de Trabalhadores para tomar pulso do funcionamento e cumprimento dos objetivos das empresas e da devida integração dos colaboradores, bem como das suas necessidades, pessoais e profissionais, de modo a manter coesa a estrutura empresarial.

Com a mudança do regime, foram instauradas Direções baseadas em Conselho de Administração das empresas, centralizando o sistema administrativo, banindo o conceito de Delegados e criando várias ramificações com ligações diretas com os focos administrativos centrais, obedecendo uma organização verticalizada a nosso ver, “não funcional.”

A diluição da estrutura macro, que foi centralizada por experts, que na altura a acharam pesada, hoje, com a ideia da descentralização e da privatização facilitava e muito, porque estas empresas já estavam estruturadas de forma descentralizadas, como manda o figurino da descentralização e com facilidades para a tão falada privatização.

Os objetivos das empresas deixaram de ser unos, para passarem a ser múltiplos, dando asas à “corrupção interna”.

Sabendo que a qualquer empresa que se preze a sua base assenta nos recursos humanos, com o novo sistema o objetivo principal e único passou a ter como foco o financeiro, o lucro, com prémios atribuídos aos PCAs, no final dos contratos de gestão. Figurinos que, na maioria das vezes, não acrescentam nada de positivo às empresas, nos mandatos dos seus administradores que ficam saltando de posições até atingirem o topo, de acordo com as cores políticas do poder, para anos depois se apresentarem como grandes empresários no mercado nacional e autênticos milionários. Isto sem falar das medidas que assumem, nos finais dos mandatos, para os facilitar em novos desempenhos indigitados.

Esta prática vem fazendo cair o coração das empresas com a desmotivação e a total desmoralização do corpo do pessoal laboral, que passou para o último plano, nas empresas.

Com Direções de Recursos Humanos fictícias, que zelam para o bem-estar das administrações, ignorando uma das principais tarefas que vinculam a sua existência nas empresas, a massa trabalhadora, o motor da carruagem, apresenta-se da seguinte forma:

  • a) Com enquadramentos desajustados;
  • b) Sem progressões na carreira;
  • c) Com mais de 10 anos sem reciclagem de formação nos ramos laborais;
  • d) Sem acompanhamento de técnicos de recursos humanos no ramo da psicologia;
  • e) Salários desajustados;
  • f) Sem check list de atribuições;
  • g) Com colaboradores sem norte;
  • h) Trabalhadores da mesma empresa com contratos de trabalho diferenciados;

Quando assim é, não se pode esperar outra coisa, senão o baixo rendimento das empresas.

Nenhuma planta se desenvolve, se não for devidamente cuidada, com terreno adubado e irrigado.

Muitas das empresas em Cabo Verde, que ainda se mantêm de pé, são graças à existência, no seu seio, de quadros com mais de 25 anos no ativo, que foram devidamente formadas pelas mesmas, na gestão dos Diretores Gerais.

É triste a mentalidade empresarial do nosso sistema atual, que pensa que as empresas conseguem manter de pé, somente com investimentos em equipamentos e infraestruturas, e não nos recursos humanos.

As saudades da época nos fazem sentir pena dos colaboradores atuais, que nem de formação ON JOB, hoje, têm o privilégio de adquirir, transmitidos pelos trabalhadores mais antigos, que estão sendo motivados pelas concorrências de posições nas empresas, com base nos conhecimentos acumulados, preterindo a transmissão, para os levar para a cova.

Lembrem-se, meus amigos, que o bem-estar e as formações de reciclagem são úteis para todos, principalmente para as empresas e as verbas inscritas nos orçamentos anuais das empresas devem ser aplicadas na prática e para todos.

Fiquei triste ao ser questionado por um canalizador de uma empresa privada, do mesmo ramo no Sal, querendo saber da função de um senhor da minha empresa pública, com quem juntos participaram, numa formação de reciclagem, nas ilhas das canárias.

Ele ficou de boca aberta, quando me deu o nome e respondi que o mesmo é administrador.

Só para termos a noção, para onde as atenções são direcionadas nas empresas públicas.

Caso queiramos ter empresas públicas em Cabo Verde de renome e que gerem lucros, por favor, prestem atenção nos colaboradores, dando-lhes tudo o que acabei de referir, para depois exigir rigor no cumprimento das atribuições emanadas pela empresa, como fazem nas empresas privadas. Porque, não se deve dar nada, sem esperar algo em troca e vice-versa.
— 

* Trabalhador e cidadão atento.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project