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Sal: Câmara quer Hotel Atlântico devolvido ao turismo e à aviação 27 Janeiro 2021

O Hotel Atlântico, com origem no empreendimento que apoiava o aeroporto da ilha do Sal no período colonial e detido pelo Estado cabo-verdiano, será adaptado também a escola de aviação e turismo, anunciou o autarca local.

 Sal: Câmara quer Hotel Atlântico devolvido ao turismo e à aviação

O Hotel Atlântico, com origem no empreendimento que apoiava o aeroporto da ilha do Sal no período colonial e detido pelo Estado cabo-verdiano, será adaptado também a escola de aviação e turismo, anunciou o autarca local.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente da câmara do Sal, Júlio Lopes, falou dos planos no âmbito do anunciado processo de venda do hotel, construído há cerca de 20 anos na cidade de Espargos, mas que praticamente não funcionou, criticado localmente.

"É um espaço simbólico para o Sal. Está ligado à aviação, porque vem desde o tempo colonial, pela importância geoestratégica do Sal no império colonial", começa por recordar, aludindo à realização do primeiro voo comercial em Cabo Verde, com passagem por aquela ilha, há mais de 80 anos.

Durante o período colonial português, numa outra zona, chegou a ser construído um hotel, em pré-fabricado, de apoio ao então aeroporto, o único na ilha, memória que transitou para o novo empreendimento construído pelo Estado.

"Foi construído um novo. É um espaço que tem a sua importância histórica e a nossa vontade é que este espaço seja transformado, entre outras coisas, porque é muito grande, e até um privado pode participar nesse projeto, numa escola de hotelaria e turismo e também uma escola de aviação. Este é que é o desígnio do Hotel Atlântico", explica Júlio Lopes.

A Lusa noticiou anteriormente que o Governo de Cabo Verde pretende vender o Hotel Atlântico, construído pelo Estado na ilha do Sal, mas que não funciona, conforme autorização para o processo de alienação.

Aquele hotel, constituído por oito pavilhões, é detido pela empresa estatal com o mesmo nome, cuja alienação do capital social já tinha sido autorizada em 2014, sem sucesso, avançando agora a venda do empreendimento.

"Tendo em conta que o património imobiliário da empresa não foi alienado e que o Estado não tem vocação para exploração de hotéis, o imóvel está a degradar-se, não parece razoável e nem economicamente vantajoso para o Estado que num país turístico, com inúmeras empresas do setor privado vocacionadas para o desenvolvimento turístico, que o referido complexo turístico continue a degradar-se ou então que seja alienado a uma empresa", lê-se na resolução do Conselho de Ministros, de 28 de dezembro de 2020.

"Não se vai destruir aquilo que é o Hotel Atlântico, a componente histórica, de aviação e do turismo", afirma Júlio Lopes, a propósito desta decisão do Governo.

Desvaloriza as críticas locais que surgiram entretanto, considerando-as como "precipitadas", defendendo, pelos contactos que tem mantido, tratar-se apenas de uma "autorização" do Governo para dar uma solução ao espaço.

"Temos de ouvir a população do Sal. O Hotel Atlântico não pode ser vendido assim à toa e o Governo sabe disso. O Governo vai agora iniciar um processo de auscultação da população, das forças vivas, para ver o que temos de fazer", explica ainda o autarca.

E a solução, diz, passa pela instalação, em cima da mesa, de um polo da nova Universidade Técnica do Atlântico, criada pelo Estado com sede na ilha de São Vicente, para colocar a funcionar no local, além de reativar o próprio hotel, as escolas de turismo e de aviação.

"Vai ter a sua componente de hotelaria, de aviação e da parte histórica. Agora, vamos iniciar um processo de auscultação das pessoas", assume ainda Júlio Lopes.

Quanto à venda em hasta pública, para implementar estas valências, é um processo que está ainda a iniciar-se, e "a ser feito" vai "levar meses" no "debate" com a população local.

"Não haverá decisão contrária à opinião da população. Mas tem de ser um espaço histórico, para hotelaria, para o turismo, para aviação, tudo de acordo com a vontade das pessoas do Sal", assegura.

A resolução que autoriza o ministro das Finanças a proceder à alienação, em hasta pública, daquele imóvel, refere tratar-se de uma área total de 13.491,99 metros quadrados, composto por oito pavilhões dentro de um triângulo murado e urbanizado e um outro pavilhão no exterior, com vários serviços, como cozinha e lavandaria. Um dos pavilhões conta com 19 quartos, um com cinco moradias e outro com três moradias da mesma tipologia T2, e outros dois com 12 suítes cada.

A empresa Hotel Atlântico foi criada pelo Estado em 1995, após um investimento público de 10 milhões de escudos (90 mil euros, à taxa de câmbio atual). Em 2014, na legislatura anterior, o Governo então liderado por José Maria Neves reconheceu a progressiva degradação do empreendimento e o acumular de prejuízos, depois de falhada a opção, iniciada dez anos antes, de gestão do equipamento por uma empresa privada.

Foi tomada então a opção de alienação do capital social da empresa, por 45 milhões de escudos (405 mil euros), mas que também nunca foi concretizada, continuando o equipamento a deteriorar-se.

Cabo Verde recebeu em 2019 um recorde de 819 mil turistas, setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, sendo que praticamente metade visitaram a ilha do Sal.

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